União Europeia suspende negociações econômicas e de vistos com a Rússia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Bloco europeu ameaça sanções adicionais se não houver recuo russo na Crimeia. EUA também impõem punições a Moscou

A União Europeia (UE) suspendeu nesta quinta-feira negociações com a Rússia em um amplo pacto econômico e em um acordo para conceder aos russos o direito de viajar aos 28 países do bloco sem necessidade de visto, algo que a Rússia buscava há anos, em resposta à incursão russa na Península da Crimeia. O bloco europeu também ameaçou sanções mais duras se Moscou rapidamente não amenizar a crise.

Punição: Obama determina sanções por ameaças à soberania da Ucrânia

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Marinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia

Quarta: Rússia ameaça confiscar bens estrangeiros se sofrer sanções

Em uma vitória simbólica na quebra de braço sobre as futuras alianças da Ucrânia, os líderes da UE concordaram em rapidamente assinar um amplo acordo de associação políticas como esperado pelo novo governo de Kiev, cementando vínculos mais próximos com a Europa.

As medidas tomadas em uma reunião de emergência da UE vieram na esteira de sanções aprovadas pelo governo americano de Barack Obama, que impôs restrições de vistos a oponentes pró-Rússia do novo governo de Kiev e abriram caminho para sanções financeiras.

O presidente da UE, Herman Van Rompuy, disse que medidas adicionais poderiam incluir proibições de viagem, congelamento de bens e o cancelamento de uma reunião da UE-Rússia se Moscou não puser fim rapidamente a sua agressão e adotar negociações multilaterais significativas dentro de alguns dias para acabar com a crise.

Veja fotos da presença russa na Ucrânia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Saiba mais: Entenda com mapas a crise na Ucrânia

"Estamos em uma próxima coordenação com os EUA nisso", disse a chanceler alemã, Angela Merkel. "Não podemos agir com a Rússia como se nada tivesse acontecido", afirmou.

Entretanto, as últimas sanções da UE pareceram fracas em comparação com as dos EUA e com o que alguns países mais agressivos do bloco europeu queriam, particularmente aqueles que fazem fronteira com a Rússia. O líder da Polônia pontuou que a resistência a penalizar Moscou continua muito alta entre alguns dos 28 países do bloco por causa da proximidade da Europa, de sua dependência energética e dos vínculos comerciais com a Rússia.

Leia: Saiba quais são as opções do Ocidente para lidar com a crise da Ucrânia

A Rússia é o terceiro maior parceiro comercial da Europa e seu maior fornecedor de gás e petróleo. As exportações da UE para a Rússia em 2012 totalizaram 123 bilhões de euros (US$ 170 bilhões), e os bancos europeus têm cerca de 200 bilhões de euros em empréstimos à Rússia.

Enquanto os líderes da UE se reuniam, os EUA também enviaram seis jatos F-15 para a Lituânia para reforçar as patrulhas aéreas sobre os Países Bálticos, e um navio de guerra americano está agora no Mar Negro para participar de exercícios há muito tempo planejados.

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Mulher caminha em meio a barricadas montadas por manifestantes contrários ao líder deposto Viktor Yanukovich na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia

Votação: Crimeia convoca referendo para aderir à Rússia

As sanções nos dois lados do Atlântico tiveram como objetivo controlar a pior crise geopolítica europeia em uma geração, que se desenvolveu rapidamente novamente nesta quinta-feira com os legisladores da Crimeia declarando sua intenção de se dividir da Ucrânia e aderir à Rússia e programando um referendo dentro de dez dias para que os eleitores decidam o destino da disputada península.

Obama: Referendo sobre separação da Crimeia da Ucrânia viola lei internacional

Como visitante ao encontro da UE, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, caracterizou o referendo de ilegítimo. "Crimeia foi, é e será parte integral da Ucrânia", disse. Em Washington, Obama afirmou que a votação violaria a lei internacional.

Além das sanções impostas nesta quinta, os EUA já suspenderam negociações sobre um tratado de investimento e ameaçaram passos adicionais. Na quarta, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) congelou a maioria de suas reuniões com autoridades russas, parando a cooperação militar e decidindo revisar todos os aspectos de sua relação com Moscou.

A relação da Rússia com a Ucrânia e o Ocidente se deteriorou desde a queda do presidente ucraniano pró-Rússia Viktor Yanukovych no mês passado, que foi deposto pelo Parlamento depois de três meses de protestos iniciados em novembro por sua decisão de se aproximar da Rússia em vez de assinar um acordo comercial com a UE.

*Com AP

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