Com a UE, governo francês estuda sanções contra a Rússia por sua ação na Ucrânia, mas não pretende desfazer acordo naval

Um navio de guerra francês construído para reforçar a capacidade da Rússia de posicionar tropas, tanques e helicópteros vai executar seu primeiro teste nesta quarta-feira (5), enquanto as potências ocidentais tentam conter a ameaça militar do presidente russo, Vladimir Putin, à Ucrânia.

Putin: Houve golpe na Ucrânia e Rússia tem direito de usar a força se necessário

Mulher aproveita mar e sol enquanto se vê ao longe navio militar da Rússia no porto de Limassol, o maior do Chipre (foto arquivo)
AP
Mulher aproveita mar e sol enquanto se vê ao longe navio militar da Rússia no porto de Limassol, o maior do Chipre (foto arquivo)


Leia: Saiba quais são as opções do Ocidente para lidar com a crise da Ucrânia

De acordo com um porta-voz da empresa de construção naval, o porta-helicópteros Vladivostok zarpou do porto francês de Saint-Nazaire, no Atlântico. Algumas centenas de quilômetros distante do cais, em Paris, o governo francês está recebendo americanos, russos e outros importantes diplomatas do mundo em meio as tensões crescentes sobre a Ucrânia.

Aviso: EUA preparam sanções contra a Rússia, diz Obama

Veja as fotos da presença da Rússia na Crimeia, Ucrânia: 

Crise na Ucrânia: Punição a presidente russo é teste para Obama

O navio de guerra faz parte de um negócio de 1,2 bilhões de euros (cerca de R$ 3,8 bilhões), que marcou a maior venda de armamento da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) para Moscou, um negócio que já havia causado espanto nos círculos militares da Rússia e entre os aliados ocidentais da França quando foi estabelecido em 2011. A França tem criticado a incursão militar russa pelo Mar Negro na Península da Crimeia, mas diz que não ter planos de desfazer o acordo com a Rússia.

Isso porque a França, assim como outros parceiros da Rússia na Europa, encontra-se dividida entre os esforços para pressionar o país diplomaticamente e seus próprios interesses econômicos. A prioridade do governo francês é ver a economia ressurgir e combater o desemprego, e o negócio com a Rússia garante cerca de 1 mil novos postos de trabalho.

Kerry em Kiev:  Rússia tenta criar pretexto para invadir ainda mais a Ucrânia

O Vladivostok está em vias de ser entregue até o último trimestre deste ano, disse o porta-voz Emmanuel Gaudez da DCNS, um estaleiro naval apoiado pelo Estado para fabricação dos navios de guerra juntamente com a construtora naval sul-coreana STX.

Outro navio, o Sebastopol — que ironicamente em o nome de um porto na Crimeia controlado pela Rússia — está previsto para ser entrague cerca de um ano depois. “Nós não comentaremos a situação política – isso é para os políticos decidirem”, disse Gaudez.

Alguns clientes e militares russos visitarão o navio no final deste mês, e uma delegação maior é esperada para junho, disseram funcionários da empresa. “Mas agora com o que está acontecendo na Ucrânia, talvez eles tenham outras prioridades, eu não sei”, explicou Christophe Morel, um delegado sindical da STX.

Entenda: Saiba quais são os interesses da Rússia na região da Crimeia

A França se juntou aos EUA e à Grã-Bretanha para suspender os preparativos para a cúpula do G8 na Rússia, que seria realizada em junho. O país e aliados da União Europeia consideram possíveis sanções contra a Rússia.

Mas o ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, falando à rádio RTL na segunda-feira (3), disse que "nós não chegamos ao ponto ainda" de suspender qualquer exportação de defesa.

Tensão 

Na terça-feira (4), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, descreveu a crise na Ucrânia como resultado de um "golpe inconstitucional", declarando seu apoio ao presidente pró-Rússia deposto Viktor F. Yanukovych e afirmando que Moscou se reserva o direito de usar a força como "último recurso".

As declarações foram dadas no dia em que a Casa Branca anunciou um pacote de ajuda de US$ 1 bilhão com a chegada do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, à capital Kiev para discutir a crise.

Kerry em Kiev: EUA preparam pacote de US$ 1 bilhão para ajudar a Ucrânia

Em entrevista televisionada, Putin disse esperar não ter de usar a força no leste da Ucrânia, cujo idioma predominante é o russo. Mas, no que poderia ser um sinal de ampliação da crise, o líder afirmou que a Rússia se reserva o direito de usar "todas as opções" para confrontar a ilegalidade no leste da Ucrânia, que tradicionalmente tem sido pró-Rússia. Segundo ele, qualquer intervenção seria "legítima e dentro da lei internacional".

*Com AP e BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.