Rússia tenta criar pretexto para invadir ainda mais a Ucrânia, diz Kerry em Kiev

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Secretário de Estado dos EUA pede que Rússia dialogue com governo da Ucrânia se quiser evitar sanções do Ocidente

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, rebateu os argumentos da Rússia para justificar sua ação na Ucrânia, acusando Moscou de planejar expandir sua ação militar para além da estratégica Península da Crimeia, no sudeste da Ucrânia. "Está claro que a Rússia tem trabalhado duro para criar um pretexto para ser capaz de invadir (o país) ainda mais", disse Kerry em uma coletiva na capital ucraniana, Kiev, onde desembarcou nesta terça-feira para discutir a crise com o governo que sucedeu ao presidente deposto Viktor Yanukovych.

Putin: Houve golpe na Ucrânia e Rússia tem direito de usar a força se necessário

AP
Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fala durante coletiva na Embaixada dos EUA em Kiev, Ucrânia

Kerry em Kiev: EUA preparam pacote de US$ 1 bilhão para ajudar a Ucrânia

Afirmando que agora é o momento do diálogo e não do confronto, Kerry afirmou não haver evidências que apoiem a acusação russa de que o novo governo é ilegítimo. "(A Rússia) ignora a realidade de que o Parlamento ucraniano, que foi eleito pelo povo, aprovou de forma avassaladora o novo governo, que inclui membros do próprio partido do líder deposto", afirmou Kerry.

Nesta terça-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, afirmou que a intervenção de Putin na Ucrânia não é um sinal de força, mas um reflexo da profunda preocupação dos vizinhos da Rússia com a interferência de Moscou. “O presidente Putin parece ter um conjunto diferente de advogados fazendo diferentes conjuntos de interpretações", disse Obama. Ele disse que um pacote de ajuda dos Estados Unidos tem o objetivo, em parte, de assegurar que a Ucrânia tenha eleições e de que eleições legítimas mostrem que o país pode se governar sozinho.

Mais cedo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, havia descrito a crise na Ucrânia como resultado de um golpe contra Yanukovych, acusando o Ocidente de usar a decisão do líder deposto de descartar um acordo em novembro com a União Europeia para aproximar-se mais da Rússia como desculpa para encorajar um golpe inconstitucional na Ucrânia e direcioná-la para o caos.

Leia: Saiba quais são as opções do Ocidente para lidar com a crise da Ucrânia

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Kerry rebateu a ideia de caos afirmando que não houve aumento de saques ou de crimes durante a atual crise. Ele também rejeitou o argumento russo de que as tropas da Rússia são necessárias para proteger a população de etnia russa que vive em sua maioria no leste e no sul da Ucrânia: "Não vi ninguém sob ameaça", afirmou em referência ao encontro que manteve com ucranianos nas ruas de Kiev. "Exceto por uma possível ameaça da Rússia", completou.

Para Kerry, se a Rússia quer ajudar a população de etnia russa da Ucrânia, deveria trabalhar como o "legítimo governo ucraniano" para alcançar esse objetivo. "Este é o século 21, e não deveríamos ver as nações em retrocesso, comportando-se da maneira dos séculos 19 e 20", disse. "Convidamos a Rússia a se engajar diretamente com o governo ucraniano."

Alerta: EUA preparam sanções contra a Rússia, diz Obama

Durante a coletiva, o secretário de Estado afirmou ter sido instruído pelo presidente Barack Obama a deixar claro que os EUA preferem que a escalada da crise seja contida por meio das instituições internacionais, advertindo que a Rússia sofrerá consequências se não optar por esse caminho. "Se a Rússia não escolher a opção de trabalhar com o governo ucraniano, então nossos parceiros não terão outra escolha do que se unir a nós para expandir os passos adotados recentemente de isolar a Rússia diplomática, política e economicamente", disse.

Logo que Kerry desembarcou nesta terça-feira em Kiev, a Casa Branca anunciou um pacote de ajuda econômica e técnica para a Ucrânia. Os EUA oferecerão um pacote de energia de US$ 1 bilhão, além de treinamento para instituições financeiras e eleitorais, esforços anticorrupção e aconselhamento técnico sobre seus direitos comerciais com a Rússia.

A Casa Branca disse que as garantias de empréstimo de US$1 bilhão têm o objetivo de ajudar a Ucrânia a proteger-se de reduções nos subsídios de energia. A Rússia fornece uma porção substancial do gás natural da Ucrânia, e funcionários americanos disseram também estar preparados para reduzir a dependência de Kiev em relação a essas importações. Segundo a Casa Branca, a assistência visa a suplementar um pacote de ajuda mais amplo do Fundo Monetário Internacional, que atualmente tem funcionários na Ucrânia trabalhando com o novo governo.

*Com AP e BBC

Leia tudo sobre: ucrâniarússia na ucrâniakerryputincrimeiaeua

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas