Putin: Houve golpe na Ucrânia e Rússia tem direito de usar a força se necessário

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Em suas primeiras declarações sobre a crise, líder da Rússia afirma que quaisquer sanções do Ocidente serão tiro no pé

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, descreveu nesta terça-feira a crise na Ucrânia como resultado de um "golpe inconstitucional", declarando seu apoio ao presidente pró-Rússia deposto Viktor F. Yanukovych e afirmando que Moscou se reserva o direito de usar a força como "último recurso". As declarações foram dadas no dia em que a Casa Branca anunciou um pacote de ajuda de US$ 1 bilhão com a chegada do secretário de Estado dos EUA, John Kerry, à capital Kiev para discutir a crise.

Leia: Saiba quais são as opções do Ocidente para lidar com a crise da Ucrânia

Aviso: EUA preparam sanções contra a Rússia, diz Obama

AP
Presidente da Rússia, Vladimir Putin, ouve pergunta de jornalista sobre atual situação da Ucrânia na residência presidencial de Novo-Ogaryovo, nos arredores de Moscou

Kerry em Kiev: EUA preparam pacote de US$ 1 bilhão para ajudar a Ucrânia

Segunda: Rússia nega que tenha dado ultimato para rendição de forças ucranianas

Em seus primeiros comentários desde que Yanukovych fugiu de Kiev no mês passado para abrigar-se em Moscou, Putin acusou o Ocidente de usar a decisão do líder deposto de descartar um acordo com a União Europeia para ter laços mais estreitos com a Rússia como desculpa para encorajar um golpe inconstitucional na Ucrânia e direcioná-la para o caos. Ele também declarou que quaisquer sanções que forem impostas contra a Rússia serão um tiro no pé. 

Crise na Ucrânia: Punição a presidente russo é teste para Obama

Na entrevista televisionada, Putin disse esperar não ter de usar a força no leste da Ucrânia, cujo idioma predominante é o russo. Mas, no que poderia ser um sinal de ampliação da crise, o líder afirmou que a Rússia se reserva o direito de usar "todas as opções" para confrontar a ilegalidade no leste da Ucrânia, que tradicionalmente tem sido pró-Rússia. Segundo ele, qualquer intervenção seria "legítima e dentro da lei internacional".

O líder do Kremlin abordou as ameaças ocidentais de retaliação, incluindo sanções e boicote à próxima cúpula do G8 que será sediada pela Rússia, afirmando que "todas as ameaças são contraprodutivas e prejudiciais" e acrescentando que seu país está pronto para abrigar o G8, mas que os líderes que não querem participar "não precisam fazê-lo".

Veja imagens da presença da Rússia na Crimeia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

Rússia: Soldados russos ficarão na Ucrânia até normalização da situação política

Segundo Putin, a queda de Yanukovych foi um "golpe inconstitucional e uma tomada armada do poder". Para Putin, "militantes" mergulharam o país no "caos" e "nacionalistas" ucranianos e "antissemitas" estão nas ruas de Kiev e de outras cidades.

Afirmando que só há três formas legais de remover um presidente - morte, renúncia ou impeachment -, Putin afirmou que Yanukovych concordou com tudo o que a oposição queria e ainda é o presidente legítimo da Ucrânia. Apesar dessas declarações, ele indicou não achar que Yanukovych tenha "um futuro político". A Rússia o ajudou por questões "humanitárias", disse, "se não teria sido morto".

No domingo: Centenas de homens armados cercam bases militares da Ucrânia

As declarações de Putin foram feitas depois de declarar o fim de exercícios militares que ordenou no oeste da Rússia, perto da fronteira da Ucrânia, na semana passada, ordenando que as unidades militares que participaram retornassem a seus quartéis permanentes. As manobras envolveram 150 mil soldados, centenas de tanques e dezenas de aeronaves. Como já havia previsão de que os exercícios acabariam, não está claro se a medida de Putin foi uma tentativa de responder ao pedido do Ocidente para conter a escalada da crise.

Tensão na Crimeia

As tensões continuaram altas nesta terça-feira na estratégica Península da Crimeia, no sudeste da Ucrânia, com dezenas de soldados leais a Moscou que tomaram o controle da base aérea de Belbek disparando tiros de alerta para advertir cerca de 300 soldados ucranianos que exigiam retornar ao local.

Deserção: Chefe da Marinha ucraniana adere a tropas pró-Rússia

Segundo as autoridades ucranianas, Moscou enviou 16 mil soldados para a Crimeia, onde está baseada a Frota do Mar Negro da Rússia. As tropas russas controlam a península desde o fim de semana.

A Ucrânia acusou a Rússia de violar a restrição de movimentação de tropas estabelecida por um acordo bilateral sobre a licença russa de uso da base, mas a Rússia argumentou que age dentro dos limites impostos pelo acordo. Na segunda-feira, o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, disse ao Conselho de Segurança que Moscou tem o direito de enviar até 25 mil soldados para a Crimeia sob o acordo.

Churkin não especificou quantas tropas russas estão estacionadas no momento no território, mas disse que "agem de uma forma que consideram necessária para proteger suas instalações e evitar atos extremistas".

Sexta: Forças Armadas da Rússia ocupam aeroportos na Crimeia, acusa Ucrânia

Churkin e antes dele o chanceler russo, Serguei Lavrov, instaram a Ucrânia a retornar a um acordo assinado em 21 de fevereiro por Yanukovych que tinha o objetivo de pôr fim à crise política iniciada em novembro. O pacto assinado com a oposição e os chanceleres da França, Alemanha e Polônia previa eleições antecipadas até dezembro e a suspensão da maior parte dos poderes presidenciais. Um enviado russo que fez parte das negociações não assinou o acordo. Yanukovych fugiu de Kiev, e o Parlamento estabeleceu que as eleições sejam realizadas em 25 de maio.

*Com AP e BBC

Leia tudo sobre: rússia na ucrâniarússiaucrâniaputincrimeia

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas