Rússia: Soldados russos ficarão na Ucrânia até normalização da situação política

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Tropas são necessárias para proteger interesses e cidadãos russos contra 'ameaças ultranacionalistas', diz chanceler russo

A Rússia prometeu que suas tropas continuarão na Ucrânia para proteger os interesses e os cidadãos russos até "a normalização da situação política do país". A declaração foi feita pelo chanceler russo, Serguei Lavrov, em Genebra, onde também afirmou que a Rússia está defendendo os direitos humanos contra as "ameaças ultranacionalistas". O Parlamento russo autorizou o uso de soldados no sábado.

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"Os vitoriosos têm a intenção de usar os frutos de sua vitória para atacar os direitos humanos e as liberdades fundamentais das minorias", afirmou Lavrov em Genebra. "A violência dos ultranacionalistas ameaça as vidas e os interesses dos russos e da população falante de russo."

A Rússia está agora com o controle militar de facto da estratégica Península da Crimeia, apenas das críticas ocidentais à "violação da soberania da Ucrânia". O novo governo em Kiev, que assumiu na semana passada após a queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, ordenou a mobilização total para conter a intervenção militar.

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A Ucrânia acusou a Rússia de invasão militar e exigiu que a Rússia recue suas tropas. Mas, apesar da retórica, o novo governo ucraniano e o Ocidente parecem sem nenhum poder para conter as movimentações russas.

Em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, afirmou que qualquer tentativa da Rússia de anexar a Crimeia fracassaria. Entretanto, ele acrescentou que, "agora, não há nenhuma opção militar sobre a mesa", pedindo em vez disso apoio econômico e político do exterior.

Veja imagens da presença russa na Ucrânia:

Comboio de caminhões brancos com ajuda humanitária deixa Alabino, nos arredores de Moscou, Rússia (12/08). Foto: APManifestante ao lado de transeuntes na Praça da Independência em Kiev (9/08). Foto: ReutersManifestante segura coquetel molotov enquanto tenta impedir que trabalhadores municipais e voluntários limpem barricadas em Kiev (9/08). Foto: ReutersMembro de equipe antibomba inspeciona cratera com os restos de um projétil depois de uma noite de combates em Donetsk, Ucrânia (6/08). Foto: APMulher deixa prédio danificado por suposto bombardeio levando seus pertences na área central de Donetsk, Ucrânia (29/07). Foto: ReutersRebeldes pró-Rússia em um tanque com a bandeira da Rússia em uma estrada a leste de Donetsk, Ucrânia (21/07). Foto: APPrimeiro-ministro ucraniano Arseniy Yatsenyuk, à dir., conversa com um oficial durante inspecção ao Exército fora da cidade de Slovyansk, Ucrânia (16/07). Foto: APPremiê ucraniano, Arseniy Yatsenyuk (E), cumprimenta soldado ao inspecionar tropas em Slovyansk, leste da Ucrânia (16/07). Foto: APMulher chora perto de prédio que desmoronou após ataque aéreo em Snizhne, a 100 km a leste da cidade de Donetsk, no leste da Ucrânia (15/07). Foto: APCombatente da República Popular de Donetsk se despede de sua família, que deixa essa cidade no leste da Ucrânia para refugiar-se na Rússia (14/07). Foto: APCombatentes separatistas pró-russos esperam atrás de sacos de areia em posto de controle em Donetsk, Ucrânia (10/07). Foto: ReutersMilitares ucranianos perto das armas apreendidas de separatistas pró-russos perto Slaviansk, Ucrânia (8/07). Foto: ReutersMilitante mascarado pró-Rússia organiza o trânsito em posto de controle após ataque das tropas ucranianas em Slovyansk (24/4). Foto: APAtiradores mascarados pró-Rússia guardam entrada de escritório regional ucraniano do Serviço de Segurança em Luhansk com bandeira russa ao fundo (21/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional capturado em Donetsk. Cartaz diz: 'EUA, tirem as mãos do leste da Ucrânia' (19/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia olha para o lado de fora de janela em prédio da administração regional de Donetsk, Ucrânia (18/4). Foto: APAtirador pró-Rússia abre caminho para veículo de combate com homens armados em seu topo em Slovyansk, Ucrânia (16/4). Foto: APAtivista mascarado pró-Rússia guarda barricada em prédio da administração regional em Donetsk, Ucrânia (15/4). Foto: APAtivista pró-Rússia é visto durante invasão de delegacia na cidade de Horlivka, leste da Ucrânia (14/4). Foto: APAtivistas armados pró-Rússia ocupam a delegacia de polícia no leste da Ucrânia, na cidade de Slaviansk (12/04). Foto: APAtivistas pró-Rússia ocupam delegacia de polícia e constroem uma barricada na cidade ucraniana oriental de Slovyansk (12/04). Foto: APHomens armados não identificados caminham em área perto de unidade militar ucraniana em Simferopol, Crimeia (18/3). Foto: APSoldado armado, provavelmente russo, anda perto de uma base militar ucraniana na aldeia de Perevalnoye (9/3). Foto: ReutersUm homem armado, que se acredita ser um soldado russo, anda perto da base naval ucraniana na Crimeia, no porto de Yevpatory (8/3). Foto: ReutersMarinheiro observa navio inativo Ochakov, que foi afundado por tropas russas e bloqueou o tráfego de cinco embarcações ucranianas em Myrnyi, oeste da Crimeia, Ucrânia (6/3). Foto: APCriança brinca perto de soldado russo (D) enquanto soldados ucranianos observam do outro lado do portão de base em Perevalne, Crimeia (4/3). Foto: APSoldado pró-Rússia bloqueia base naval na vila de Novoozerne, Crimeia, na Ucrânia (3/3). Foto: APGrupo de homens armados sem emblemas em uniformes cortam luz do Quartel-General das forças navais ucranianas em Sevastopol, Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APComboio russo se move de Sevastopol para Sinferopol na Crimeia, Ucrânia (2/3). Foto: APHomem com uniforme sem identificação monta guarda enquanto tropas tomam controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, em Sevastopol (Crimeia), na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda em Balaklava, nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Península da Crimeia (1/3)
. Foto: APEmblema em veículo e placas de outros carros indicam que tropas são do Exército russo (1/3). Foto: APHomens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomens armados não identificados bloqueiam entrada de Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3). Foto: APHomem armado não identificado com uniforme de camuflagem bloqueia estrada que leva a aeroporto militar em Sevastopol, na Crimeia. Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda durante tomada de controle de escritórios da Guarda Costeira em Balaklava, Crimeia, na Ucrânia (1/3). Foto: APSoldados em uniformes sem identificação montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia. Foto: APHomem com uniforme sem identificação patrula aeroporto de Simferopol, na Ucrânia (28/2). Foto: AP

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Lavrov, que se reunirá mais tarde com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, desconsiderou as críticas de Kiev e disse que "novas provocações estão sendo cometidas, incluindo contra a Frota Russa do Mar Negro", que está baseada na Crimeia.

"Aqueles que tentam interpretar a situação como um tipo de agressão e ameaçam com sanções e boicotes, são os mesmos que consistentemente encorajaram suas forças políticas em um ultimato para recusar o diálogo e, no final, acabaram por polarizar a sociedade ucraniana", disse. "Pedimos que eles mostrem responsabilidade e deixem de lado os cálculos geopolíticos e coloquem os interesses da população ucraniana acima de tudo."

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Soldados pró-Rússia parecem cementar ainda mais o controle sobre a Crimeia ao tomar o controle de um terminal de balsar na cidade ucraniana de Kerch, a cerca de 20 km de barco da Rússia, intensificando os temores de que Moscou enviará ainda mais soldados à península. A tomada de controle acontece enquanto os EUA e os governos europeus tentam descobrir formas de parar e reverter a incursão russa. Apesar de os soldados no terminal terem se recusado a se identificar, falavam russo e vinham em veículos com placas russas.

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A Rússia tomou o controle efetivo da Crimeia sem disparar um único tiro. Agora, os temores na capital ucraniana e além dela são de que a Rússia pode buscar expandir seu controle capturando outras partes da Ucrânia oriental. Funcionários graduados do governo de Barack Obama dizem que os EUA agora acreditam que a Rússia tem o completo controle operacional da Crimeia, uma área pró-Rússia do país, com mais de 6 mil soldados na região.

A tensão entre a Ucrânia e Moscou aumentou drasticamente depois que Yanukovych caiu após um movimento que protestava contra sua decisão de direcionar a Ucrânia para a Rússia em vez de estreitar os laços do país com a União Europeia (UE). Yanukovych fugiu para a Rússia depois de mais de 80 morrerem nos confrontos, a maioria deles manifestantes atingidos pela polícia. O líder deposto afirma ainda ser o presidente. Desde então, soldados que a Ucrânia dizem ser russos se moveram na Crimeia, patrulhando aeroportos, destruindo equipamentos em uma base aérea e cercando instalações militares ucranianas.

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Putin desafiou pedidos do Ocidente para recuar suas tropas, insistindo que a Rússia tem o direito de proteger seus interesses e os falantes de russo na Crimeia e em outros lugares da Ucrânia. Sua confiança tem o amparo do fato de que as lealdades dos 46 milhões de habitantes do país são divididas. Boa parte da área ocidental ucraniana defende vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia.

A Rússia tem sua crucial Frota do Mar Negro estacionada na Península da Crimeia — que fez formalmente parte da Rússia até 1954 — e quase 60% dos residentes da região se identificam como russos.

*Com AP e BBC

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