Segundo agência, fonte ucraniana teria contado sobre ultimato; oficial da Frota do Mar Negro da Rússia nega exigência

A Frota do Mar Negro da Rússia negou que tenha emitido ultimato às forças ucranianas na Crimeia para se renderem até as 5h de terça-feira (meia-noite no horário de Brasília) ou enfrentarem um ataque, informou a agência de notícias Interfax citando um oficial no quartel-general da frota.

A Frota do Mar Negro russa tem uma base na Crimeia e Moscou efetivamente estabeleceu o controle sobre a península, que é parte da Ucrânia.

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Mais cedo, a Interfax havia citado uma fonte anônima no Ministério da Defesa ucraniano segundo a qual um prazo final para a rendição havia sido determinado pelo comandante da Frota do Mar Negro.

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Segundo a fonte do quartel-general citada agora pela Interfax, nenhum ataque foi planejado, acrescentando que "isso é um completo absurdo".

A Rússia está com o controle militar de facto da estratégica Crimeia apesar das críticas ocidentais à "violação da soberania da Ucrânia". Segundo funcionários graduados do governo americano de Barack Obama, a Rússia tem mais de 6 mil soldados na península. Em campo, as tropas russas controlaram nesta segunda-feira todos os postos de fronteira na Crimeia assim como todas as instalações militares e um crucial terminal de balsas.

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Mais cedo, o chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que as tropas russas continuarão na Ucrânia para proteger os interesses e os cidadãos russos até "a normalização da situação política do país" . Em declarações na ONU em Genebra, Lavrov também afirmou que a Rússia está defendendo os direitos humanos contra as "ameaças ultranacionalistas". O Parlamento russo autorizou o envio de soldados ao país no sábado.

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Após encontro com o secretário-geral da ONU, Lavrov instou a Ucrânia a retornar a um acordo assinado em 21 de fevereiro pelo presidente pró-Rússia deposto Viktor Yanukovych que tinha o objetivo de pôr fim a uma crise política iniciada em novembro , quando ele abriu mão de assinar um acordo comercial com a União Europeia (UE) para privilegiar as relações com Moscou. Yanukovych fugiu do país depois de assinar o acordo com a oposição e os chanceleres da França, Alemanha e Polônia que previa eleições antecipadas até dezembro e a suspensão da maior parte de seus poderes.

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Um enviado russo que fez parte das negociações não assinou o acordo, e um parlamentar-chave russo o criticou, mas, desde que Yanukovych refugiou-se em Moscou , a Rússia apresenta sua implementação como uma de suas principais demandas. Lavrov afirmou que Yanukovych respeitou o acordo, enquanto a oposição não fez nada.

O novo governo em Kiev, que assumiu na semana passada, ordenou a mobilização total para conter a intervenção militar, acusou a Rússia de invasão militar e exigiu que o país recue suas tropas. Mas, apesar da retórica, o novo governo ucraniano e o Ocidente parecem sem nenhum poder para conter as movimentações russas.

Previamente em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, afirmou que qualquer tentativa da Rússia de anexar a Crimeia fracassaria. Entretanto, ele acrescentou que, "agora, não há nenhuma opção militar sobre a mesa", pedindo em vez disso apoio econômico e político do exterior.

A Rússia tomou o controle efetivo da Crimeia sem disparar um único tiro. Agora, os temores na capital ucraniana e além dela são de que a Rússia pode buscar expandir seu controle capturando outras partes da Ucrânia oriental. A incursão russa acontece enquanto os EUA e os governos europeus tentam descobrir formas de pará-la e revertê-la.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, desafia os pedidos do Ocidente para recuar suas tropas, insistindo que a Rússia tem o direito de proteger seus interesses e os falantes de russo na Crimeia e em outros lugares da Ucrânia. Sua confiança tem o amparo no fato de que as lealdades dos 46 milhões de habitantes do país são divididas. Boa parte da área ocidental ucraniana defende vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia.

A Rússia tem sua crucial Frota do Mar Negro estacionada na Península da Crimeia — que fez formalmente parte da Rússia até 1954 — e quase 60% dos residentes da região se identificam como russos.

*Com informações da Reuters, AP e BBC

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