Comandante da Frota do Mar Negro da Rússia dá até 5 horas de terça-feira (0h em Brasília) para não lançar ataque militar

O Exército russo deu até às 5 horas de terça-feira (0 hora no horário de Brasília) para as forças ucranianas na Península da Crimeia se renderem se não quiserem enfrentar um ataque militar na península, informaram fontes de Defesa. O ultimato, de acordo com a agência de notícias Interfax, foi apresentado por Alexander Vitko, comandante da Frota do Mar Negro da Rússia.

Rússia: Soldados russos ficarão na Ucrânia até normalização da situação política

Presidente russo, Vladimir Putin (C), o ministro da Defesa Sergei Shoigu (E) e comandante Anatoly Sidorov caminham após desembarcar em São Petersburgo
AP
Presidente russo, Vladimir Putin (C), o ministro da Defesa Sergei Shoigu (E) e comandante Anatoly Sidorov caminham após desembarcar em São Petersburgo

Crise na Ucrânia: Punição a presidente russo é teste para Obama

O ministério não confirmou imediatamente o relato e não houve comentário imediato da Frota do Mar Negro, que tem uma base na Crimeia, área pró-Rússia na Ucrânia. "Se eles não se renderem antes das 5h de amanhã (terça), um ataque real será iniciado contra as unidades e divisões das Forças Armadas por toda a Crimeia", disse a agência citando uma fonte do Ministério da Defesa da Ucrânia.

Paralelamente, o porta-voz do Ministério da Defesa, Maksim Prauta, disse à Associated Press que os russos ordenaram a rendição de dois navios de guerra ucranianos no período de uma hora para evitar uma invasão. Segundo Prauta, há quatro navios russos bloqueando a embarcação antissubmarina de Ternopil e o navio de comando de Slavutych na enseada de Sevastopol.

Kerry a caminho da Ucrânia: EUA cogitam sanções se Rússia não recuar tropas

A Rússia está com o controle militar de facto da estratégica Crimeia apesar das críticas ocidentais à "violação da soberania da Ucrânia". Segundo funcionários graduados do governo americano de Barack Obama, a Rússia tem mais de 6 mil soldados na península. Em campo, as tropas russas controlaram nesta segunda-feira todos os postos de fronteira na Crimeiam assim como todas as instalações militares e um crucial terminal de balsas.

Veja imagens da presença russa na Ucrânia:

No domingo:  Centenas de homens armados cercam bases militares da Ucrânia

Mais cedo, o chanceler russo, Serguei Lavrov, afirmou que as tropas russas continuarão na Ucrânia para proteger os interesses e os cidadãos russos até "a normalização da situação política do país" . Em declarações na ONU em Genebra, Lavrov também afirmou que a Rússia está defendendo os direitos humanos contra as "ameaças ultranacionalistas". O Parlamento russo autorizou o envio de soldados ao país no sábado .

Alvo de processo: Chefe da Marinha ucraniana adere a tropas pró-Rússia

Após encontro com o secretário-geral da ONU, Lavrov instou a Ucrânia a retornar a um acordo assinado em 21 de fevereiro pelo presidente pró-Rússia deposto Viktor Yanukovych que tinha o objetivo de pôr fim a uma crise política iniciada em novembro, quando ele abriu mão de assinar um acordo comercial com a União Europeia (UE) para privilegiar as relações com Moscou. Yanukovych fugiu do país depois de assinar o acordo com a oposição e os chanceleres da França, Alemanha e Polônia que previa eleições antecipadas até dezembro e a suspensão da maior parte de seus poderes.

Um enviado russo que fez parte das negociações não assinou o acordo, e um parlamentar-chave russo o criticou, mas, desde que Yanukovych refugiou-se em Moscou , a Rússia apresenta sua implementação como uma de suas principais demandas. Lavrov afirmou que Yanukovych respeitou o acordo, enquanto a oposição não fez nada.

'À beira do desastre': Premiê da Ucrânia exige recuo militar da Rússia

O novo governo em Kiev, que assumiu na semana passada, ordenou a mobilização total para conter a intervenção militar , acusou a Rússia de invasão militar e exigiu que o país recue suas tropas. Mas, apesar da retórica, o novo governo ucraniano e o Ocidente parecem sem nenhum poder para conter as movimentações russas.

Previamente em Kiev, o primeiro-ministro ucraniano, Arseniy Yatsenyuk, afirmou que qualquer tentativa da Rússia de anexar a Crimeia fracassaria. Entretanto, ele acrescentou que, "agora, não há nenhuma opção militar sobre a mesa", pedindo em vez disso apoio econômico e político do exterior.

Sexta: Forças Armadas da Rússia ocupam aeroportos na Crimeia, acusa Ucrânia

A Rússia tomou o controle efetivo da Crimeia sem disparar um único tiro. Agora, os temores na capital ucraniana e além dela são de que a Rússia pode buscar expandir seu controle capturando outras partes da Ucrânia oriental. A incursão russa acontece enquanto os EUA e os governos europeus tentam descobrir formas de pará-la e revertê-la.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, desafia os pedidos do Ocidente para recuar suas tropas, insistindo que a Rússia tem o direito de proteger seus interesses e os falantes de russo na Crimeia e em outros lugares da Ucrânia. Sua confiança tem o amparo no fato de que as lealdades dos 46 milhões de habitantes do país são divididas. Boa parte da área ocidental ucraniana defende vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia.

Dia 25: Presidente interino da Ucrânia alerta para 'série ameaça de separatismo'

A Rússia tem sua crucial Frota do Mar Negro estacionada na Península da Crimeia — que fez formalmente parte da Rússia até 1954 — e quase 60% dos residentes da região se identificam como russos.

*Com AP e BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.