Resposta ao envio de milhares de tropas russas à Ucrânia pode demonstrar o quanto os EUA ainda têm de influência no mundo

BBC

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ordenou medidas destinadas a prejudicar a economia da Rússia e isolar o país como retaliação ao envio de tropas russas à Ucrânia .

Presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, reúnem-se em Enniskillen, Irlanda do Norte, para discutir Síria paralelamente ao G8 (17/6/2013)
AP
Presidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, reúnem-se em Enniskillen, Irlanda do Norte, para discutir Síria paralelamente ao G8 (17/6/2013)

Autoridades americanas dizem que o presidente russo Vladimir Putin tomou uma péssima decisão, que vai deixar o seu país em uma posição muito mais fraca. A crise política na Ucrânia acaba assim por ser um teste crítico da liderança de Obama, que vai demonstrar o quanto os EUA ainda têm de influência no mundo.

Rússia: Soldados russos ficarão na Ucrânia até normalização da situação política

Kerry viajará à Ucrânia: EUA cogitam sanções se Rússia não recuar tropas

O secretário de Estado americano, John Kerry, está a caminho da capital ucraniana , Kiev, enquanto os EUA tentam coordenar uma resposta internacional para colocar pressão sobre o presidente Putin. Mas altos funcionários do governo americano praticamente já descartaram a possibilidade de uma intervenção militar.

Lentidão

Os críticos de Barack Obama acusam o presidente de agir muito lentamente e, mais uma vez, permitir que alguém cruze o limite de uma "linha vermelha" traçada por ele.

Na sexta-feira à noite, Obama advertiu que haveria "custos" à intervenção militar russa na Ucrânia. Horas mais tarde, as tropas russas entraram em território ucraniano. Os EUA agora dizem que há mais de 6 mil soldados russos ocupando a região da Crimeia. Há quem diga que Obama enfrenta um problema de credibilidade, o que tem encorajado Putin.

Sábado: Ucrânia põe tropas em alerta e EUA pedem que Rússia recue

Certamente, o Ocidente parece mal preparado para essa escalada da crise que deveria ter sido prevista pelos líderes ocidentais. Afinal, era óbvio que Putin não desistiria facilmente.

Veja imagens da presença russa na Ucrânia:

Mas o fator Obama pode estar sendo superestimado aqui. Vale a pena lembrar que Putin foi à guerra na Geórgia quando George W. Bush estava no Salão Oval, e ninguém achava que o presidente americano era um pacifista. Mas é claro que Bush pensou duas vezes antes de lutar contra outra potência nuclear por uma antiga parte do ex-império soviético.

Altos funcionários do governo reagiram furiosamente à sugestão de que o comportamento passado de Obama tenha encorajado Putin. Eles dizem que a política do líder russo na Ucrânia falhou, e que tudo que lhe restou foi o uso do poder militar. Para eles, o mundo deveria culpá-lo, e não a Obama.

Pressão

Deve haver muito mais articulação nos próximos dias, com os EUA tentando coordenar um aperto internacional sobre a Rússia.

O primeiro ponto de pressão é a reunião de junho do G8, em Sochi, balneário russo que acaba de sediar os Jogos Olímpicos de inverno. EUA, Canadá e Reino Unido cancelaram reuniões de preparação para o encontro.

O plano alternativo é enviar observadores internacionais para se certificar de que os russos que vivem na Ucrânia estão seguros e não correm perigo. A oferta dificilmente terá apelo junto a Putin.

Vale a pena lembrar que a Crimeia foi uma parte da Rússia a partir de 1783 e que nos primeiros anos da União Soviética era uma república autônoma dentro da federação. O líder soviético Nikita Khrushchev transferiu o território à Ucrânia em 1954. Agora Putin o quer de volta. Retirar-se seria um fracasso e uma humilhação para ele.

O problema para Obama é que sanções econômicas levam muito tempo para funcionar. Putin pode simplesmente não se importar com a pressão diplomática - ele parece gostar de incomodar os líderes ocidentais.

É fácil ver como a situação poderia ficar muito pior - e não é clara a forma como Obama reagiria a um aprofundamento da crise.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.