Medida é necessária para proteger população de etnia russa e oficiais de base militar na estratégica Crimeia, justifica Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ao Parlamento permissão para usar o Exército russo na Ucrânia, afirmou neste sábado o Kremlin. O líder russo justificou a medida dizendo que ela é necessária para proteger a população de etnia russa e os oficiais de uma base militar do país localizada na estratégica região ucraniana da Crimeia.

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Soldados em uniformes não identificados montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia
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Soldados em uniformes não identificados montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia

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"Estou submetendo um pedido para o uso das Forças Armadas da Federação Russa no território da Ucrânia se não houver a normalização da situação socioeconômica naqueles país", disse Putin em nota divulgada pelo Kremlin.

Ele mandou o pedido à câmara alta do Parlamento, que tem de aprovar a moção, de acordo com a Constituição.

O anúncio foi feito pouco depois de o primeiro-ministro regional da Crimeia, Sergei Aksyonov, ter declarado que as Forças Armadas, a política, o serviço de segurança nacional e os guardas de fronteira na região estavam sob seu controle e ter feito um apelo para que Putin ajudasse a manter a paz , aumentando ainda mais a discordância entre a Rússia e a Ucrânia.

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Os acontecimentos representam a mais recente escalada depois da queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych na semana passada após três meses de um movimento de protesto que tinha como objetivo aproximar a Ucrânia da União Europeia (UE) e afastá-la da Rússia.

Veja imagens dos protestos que levaram à queda de Yanukovych:

Homens armados descritos como soldados russos tomaram o controle de aeroportos-chave e de um centro de comunicações na Crimeia na sexta-feira. A Ucrânia acusou a Rússia de uma "invasão e ocupação militares" - uma alegação que levou uma nova dimensão alarmante à crise e levantou temores de que Moscou atua para intervir na península estratégica onde sua Frota do Mar Negro está baseada.

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A população da Ucrânia está dividida em lealdades entre a Rússia e a Europa, com boa parte da área ocidental ucraniana defendendo vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia. A Crimea é em sua maioria falante do russo.

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseny Yatsenyuk , abriu uma reunião de gabinete na capital, Kiev, pedindo que a Rússia não provoque discórdia na Crimeia, que fica no Mar Negro.

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"Conclamamos o governo e as autoridades da Rússia a reconvocar suas forças e a reposicioná-las em suas estações", disse Yatsenyuk, citado pela agência de notícias russa Interfax. "Companheiros russos, parem de provocar a resistência militar e civil na Ucrânia."

A Crimeia apenas se tornou parte integrante da Ucrânia em 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev transferiu a jurisdição da Rússia, uma medida que era uma mera formalidade quando a Ucrânia e a Rússia faziam parte da União Soviética (URSS). O colapso da URSS em 1991 significou que a Crimeia ficou para uma Ucrânia independente.

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou Moscou na sexta-feira que "haverá custos" se intervir militarmente.

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A Rússia adotou uma posição de confronto em relação a seu vizinho depois de o pró-russo Yanukovych ter fugido do país. Yanukovych foi destituído pelo Parlamento depois de semanas de protestos que deixaram mais de 80 mortos.

Homens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)
AP
Homens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)

Os manifestantes buscaram sua renúncia depois de ele abrir mão de um acordo que aproximaria a Ucrânia da UE para alinhar-se à Rússia. Yanukovych se refugiou na Rússia e diz que ainda é o presidente.

Aksyonov, o líder do principal partido pró-Rússia da península, apelou a Putin "por assistência em garantir a paz e a calma no território da república autônoma da Crimeia". Aksyonov foi empossado pelo Parlamento da Crimeia na quinta-feira, depois que homens armados pró-Rússia tomaram o controle do prédio e as tensões aumentaram por causa da resistência da Crimeia em relação às novas autoridades em Kiev, que assumiram o poder nesta semana.

*Com AP

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