Presidente da Rússia pede aval do Parlamento para enviar tropas à Ucrânia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Medida é necessária para proteger população de etnia russa e oficiais de base militar na estratégica Crimeia, justifica Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu ao Parlamento permissão para usar o Exército russo na Ucrânia, afirmou neste sábado o Kremlin. O líder russo justificou a medida dizendo que ela é necessária para proteger a população de etnia russa e os oficiais de uma base militar do país localizada na estratégica região ucraniana da Crimeia.

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AP
Soldados em uniformes não identificados montam guarda nos arredores de Sevastopol, na ucraniana Crimeia

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"Estou submetendo um pedido para o uso das Forças Armadas da Federação Russa no território da Ucrânia se não houver a normalização da situação socioeconômica naqueles país", disse Putin em nota divulgada pelo Kremlin.

Ele mandou o pedido à câmara alta do Parlamento, que tem de aprovar a moção, de acordo com a Constituição.

O anúncio foi feito pouco depois de o primeiro-ministro regional da Crimeia, Sergei Aksyonov, ter declarado que as Forças Armadas, a política, o serviço de segurança nacional e os guardas de fronteira na região estavam sob seu controle e ter feito um apelo para que Putin ajudasse a manter a paz, aumentando ainda mais a discordância entre a Rússia e a Ucrânia.

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Os acontecimentos representam a mais recente escalada depois da queda do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych na semana passada após três meses de um movimento de protesto que tinha como objetivo aproximar a Ucrânia da União Europeia (UE) e afastá-la da Rússia.

Veja imagens dos protestos que levaram à queda de Yanukovych:

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

Homens armados descritos como soldados russos tomaram o controle de aeroportos-chave e de um centro de comunicações na Crimeia na sexta-feira. A Ucrânia acusou a Rússia de uma "invasão e ocupação militares" - uma alegação que levou uma nova dimensão alarmante à crise e levantou temores de que Moscou atua para intervir na península estratégica onde sua Frota do Mar Negro está baseada.

Tensão: Homens armados pró-Rússia tomam prédios do governo na Crimeia

A população da Ucrânia está dividida em lealdades entre a Rússia e a Europa, com boa parte da área ocidental ucraniana defendendo vínculos mais próximos com a UE, enquanto as regiões leste e sul recorrem à ajuda da Rússia. A Crimea é em sua maioria falante do russo.

O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseny Yatsenyuk, abriu uma reunião de gabinete na capital, Kiev, pedindo que a Rússia não provoque discórdia na Crimeia, que fica no Mar Negro.

Terça: Presidente interino da Ucrânia alerta para 'série ameaça de separatismo'

Quarta: Líder da Rússia ordena exercícios militares em meio à tensão com Ucrânia

"Conclamamos o governo e as autoridades da Rússia a reconvocar suas forças e a reposicioná-las em suas estações", disse Yatsenyuk, citado pela agência de notícias russa Interfax. "Companheiros russos, parem de provocar a resistência militar e civil na Ucrânia."

A Crimeia apenas se tornou parte integrante da Ucrânia em 1954, quando o líder soviético Nikita Khrushchev transferiu a jurisdição da Rússia, uma medida que era uma mera formalidade quando a Ucrânia e a Rússia faziam parte da União Soviética (URSS). O colapso da URSS em 1991 significou que a Crimeia ficou para uma Ucrânia independente.

O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou Moscou na sexta-feira que "haverá custos" se intervir militarmente.

Vídeo: Câmeras 'flagram' fuga de presidente deposto na Ucrânia

Mandado: Presidente deposto da Ucrânia é procurado por assassinato em massa

A Rússia adotou uma posição de confronto em relação a seu vizinho depois de o pró-russo Yanukovych ter fugido do país. Yanukovych foi destituído pelo Parlamento depois de semanas de protestos que deixaram mais de 80 mortos.

AP
Homens armados não identificados e vestidos com uniformes de camuflagem bloqueiam a entrada do prédio do Parlamento da Crimeia em Simferopol, Ucrânia (1/3)

Os manifestantes buscaram sua renúncia depois de ele abrir mão de um acordo que aproximaria a Ucrânia da UE para alinhar-se à Rússia. Yanukovych se refugiou na Rússia e diz que ainda é o presidente.

Aksyonov, o líder do principal partido pró-Rússia da península, apelou a Putin "por assistência em garantir a paz e a calma no território da república autônoma da Crimeia". Aksyonov foi empossado pelo Parlamento da Crimeia na quinta-feira, depois que homens armados pró-Rússia tomaram o controle do prédio e as tensões aumentaram por causa da resistência da Crimeia em relação às novas autoridades em Kiev, que assumiram o poder nesta semana.

*Com AP

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