Maduro acrescentou dois dias à semana do feriado de carnaval que acaba no dia do primeiro aniversário da morte de Chávez

O início de uma semana inteira de feriado que acaba em dia 5 de março, data do primeiro aniversário de morte de Hugo Chávez , não tirou completamente os manifestantes das ruas na quinta-feira (27) como o governo da Venezuela aparentemente esperava.

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Manifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02)
AP
Manifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02)


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O presidente Nicolás Maduro anunciou nesta semana que antecipou em dois dias, para quinta-feira, o início das celebrações do carnaval. Algumas pessoas interpretaram esse anúncio como forma de acalmar as tensões.

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Confira as imagens dos protestos na Venezuela:

Nos protestos da quinta, a intenção dos estudantes era enviar ao governo uma mensagem de que as manifestações não seriam dispersadas pelo período de folgas.

“Eles querem nos desmobilizar com esse decreto que dá ao carnaval mais dois dias para se comemorar o Caracazo”, disse o líder estudantil Juan Requesens, referindo-se ao termo que define a onda de protestos antigoverno de 1989. “Maduro está equivocado”, afirmou. “Nós continuaremos na rua, não vamos deixar a luta pela democracia por seis dias na praia.”

Centenas de estudantes se reuniram em uma rua arborizada no leste de Caracas, exigindo o fim da repressão do governo contra os protestos e a libertação dos presos. Mais tarde, quando alguns manifestantes dispersaram para uma grande rodovia da capital, as forças de segurança do governo dispararam gás lacrimogêneo. Em Valencia, cidade a cerca de 170 km a oeste de Caracas, ativistas queimaram uma barricada e entraram em confronto com a polícia.

Segundo o governo, a onda de protestos, que começou como um movimento liderado por estudantes no início deste mês, resultou em 16 mortes até o momento. Grande parte da classe média se juntou à oposição, mas, na maioria das vezes, o movimento não tem se expandido para os bairros mais pobres, onde reside a base de apoio de Maduro.

Os bloqueios de estradas, a maioria em bairros de classe média, tornaram-se apenas mais uma irritação para alguns, já frustrados pela falta de alimentos, taxas de criminalidade crescentes e uma inflação que atingiu 56% no ano passado.

“Estou farta. Eu tenho uma geladeira vazia e não posso nem ir ao supermercado por causa dessa barricada”, disse Alma Castillo, uma dona de casa de 33 anos que mora em Caracas. “Não sou uma chavista, mas não é justo que nossos vizinhos façam isso conosco. Os protestos devem ser organizados e pacíficos.”

*Com AP

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