Em coletiva, Yanukovych nega ter sido destituído, dizendo que foi obrigado a sair da Ucrânia após receber ameaças de morte

Em sua primeira aparição pública desde que foi deposto do cargo de presidente da Ucrânia , Viktor Yanukovych afirmou, durante coletiva nesta sexta-feira em Rostov-on-Don, cidade ao sul da Rússia, que não vai desistir de “lutar pelo futuro da Ucrânia”. "Continuarei a lutar pelo futuro da Ucrânia contra aqueles que tentam ocupá-la por meio do medo e do terror", disse.

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Ex-líder da Ucrânia, Viktor Yanukovych fala durante conferência em Rostov-on-Don, cidade a cerca de 1 mil km de Moscou, Rússia
AP
Ex-líder da Ucrânia, Viktor Yanukovych fala durante conferência em Rostov-on-Don, cidade a cerca de 1 mil km de Moscou, Rússia






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Ao reiterar que ainda se considera o presidente legítimo do país, Yanukovych disse não reconhecer o novo governo estabelecido pela oposição. Segundo Yanukovych, ele não foi destituído, mas compelido a deixar a Ucrânia depois de receber ameaças de morte.

Yanukovych não era visto em público desde que um acordo foi fechado com a oposição no dia 21. O acordo previa a criação de um governo de união nacional, com representantes do então governo. Mas logo depois o Parlamento votou para afastá-lo do poder e um novo gabinete de governo, sem a participação de representantes ligados a Yanukovych e seu Partido das Regiões, foi nomeado.

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Para ele, o novo governo instaurado não tem nenhuma "autoridade genuína perante o Parlamento". "Assinamos um acordo de trégua que não foi respeitado pelo outro lado. Fui cinicamente enganado. Pessoas que pregam a violência tomaram o poder", declarou.

Apesar das declarações, Yanukovych discordou que tenha sido deposto. "Ninguém me derrubou. Fui forçado a sair do país porque a vida e a de meus entes amados estavam ameaçadas pelos vândalos fascistas que tomaram o poder", disse.

A crise começou em novembro, quando Yanukovych recusou um acordo comercial com a União Europeia (UE) em favor de uma aproximação com a Rússia. Isso despertou a insatisfação de parte dos cidadãos e políticos que desejavam ver a Ucrânia mais próxima da UE. No entanto, o presidente afirmou não apoiar ações militares para reverter a situação no país: "Não há outra saída agora que não seja uma solução pacífica."

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Crimeia

Desde sua saída da Ucrânia, a região da Crimeia, no sul do país, tornou-se o principal foco de tensão no país. Ali uma parcela significativa da população é russa e fala o idioma do país vizinho. Nesta semana, manifestantes pró-Rússia e pró-Kiev entraram em conflito na frente do Parlamento regional. Edifícios do governo foram invadidos por aqueles que não aceitam o novo governo em Kiev.

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Diante desses embates, cresce o temor que um movimento separatista ganhe cada vez mais força na Crimeia. Yanukovych disse considerar natural que haja embates na região porque seus cidadãos "não querem se subordinar ao pequeno grupo nacionalista que tomou o poder e, por isso, defendem suas casas e famílias".

Mas rechaçou a hipótese da Crimeia se separar da Ucrânia. "Não deixem que sangue seja derramado. Não permitam que haja conflito. A Crimeia deve permanecer como parte da Ucrânia", afirmou.

Putin

Ao explicar por que está na Rússia, Yanukovych disse ter um amigo de longa data em Rostov-on-Don que o está abrigando. Ele afirmou ter falado por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, desde que chegou, mas que eles ainda não se encontraram pessoalmente. "Concordamos que nos encontraremos na primeira oportunidade possível, mas ainda não sei quando", afirmou.

Yanukovych disse não participará das eleições presidenciais convocadas para 25 de maio na Ucrânia porque elas não estão de acordo com as leis e a Constituição do país. Mas disse estar disposto a voltar ao país "assim que as autoridades garantam a segurança" de sua família e dele próprio.

*Com Reuters, AP e BBC

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