Na Rússia, presidente deposto da Ucrânia promete lutar pelo país

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Em coletiva, Yanukovych nega ter sido destituído, dizendo que foi obrigado a sair da Ucrânia após receber ameaças de morte

Em sua primeira aparição pública desde que foi deposto do cargo de presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych afirmou, durante coletiva nesta sexta-feira em Rostov-on-Don, cidade ao sul da Rússia, que não vai desistir de “lutar pelo futuro da Ucrânia”. "Continuarei a lutar pelo futuro da Ucrânia contra aqueles que tentam ocupá-la por meio do medo e do terror", disse.

Hoje: Forças Armadas da Rússia ocupam aeroportos na Crimeia, acusa Ucrânia

AP
Ex-líder da Ucrânia, Viktor Yanukovych fala durante conferência em Rostov-on-Don, cidade a cerca de 1 mil km de Moscou, Rússia






Quinta-feira: Ucrânia alerta Rússia contra 'agressão militar' na Crimeia

Ao reiterar que ainda se considera o presidente legítimo do país, Yanukovych disse não reconhecer o novo governo estabelecido pela oposição. Segundo Yanukovych, ele não foi destituído, mas compelido a deixar a Ucrânia depois de receber ameaças de morte.

Yanukovych não era visto em público desde que um acordo foi fechado com a oposição no dia 21. O acordo previa a criação de um governo de união nacional, com representantes do então governo. Mas logo depois o Parlamento votou para afastá-lo do poder e um novo gabinete de governo, sem a participação de representantes ligados a Yanukovych e seu Partido das Regiões, foi nomeado.

Quarta: Rússia ordena exercícios militares em meio à tensão com a Ucrânia

Para ele, o novo governo instaurado não tem nenhuma "autoridade genuína perante o Parlamento". "Assinamos um acordo de trégua que não foi respeitado pelo outro lado. Fui cinicamente enganado. Pessoas que pregam a violência tomaram o poder", declarou.

Apesar das declarações, Yanukovych discordou que tenha sido deposto. "Ninguém me derrubou. Fui forçado a sair do país porque a vida e a de meus entes amados estavam ameaçadas pelos vândalos fascistas que tomaram o poder", disse.

A crise começou em novembro, quando Yanukovych recusou um acordo comercial com a União Europeia (UE) em favor de uma aproximação com a Rússia. Isso despertou a insatisfação de parte dos cidadãos e políticos que desejavam ver a Ucrânia mais próxima da UE. No entanto, o presidente afirmou não apoiar ações militares para reverter a situação no país: "Não há outra saída agora que não seja uma solução pacífica."

Veja imagens dos protestos que levaram à queda de Yanukovych:

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

Gastos: Mergulhadores resgatam documentos secretos jogados em rio na Ucrânia

Crimeia

Desde sua saída da Ucrânia, a região da Crimeia, no sul do país, tornou-se o principal foco de tensão no país. Ali uma parcela significativa da população é russa e fala o idioma do país vizinho. Nesta semana, manifestantes pró-Rússia e pró-Kiev entraram em conflito na frente do Parlamento regional. Edifícios do governo foram invadidos por aqueles que não aceitam o novo governo em Kiev.

Terça-feira: Presidente interino da Ucrânia alerta para 'série ameaça de separatismo'

Diante desses embates, cresce o temor que um movimento separatista ganhe cada vez mais força na Crimeia. Yanukovych disse considerar natural que haja embates na região porque seus cidadãos "não querem se subordinar ao pequeno grupo nacionalista que tomou o poder e, por isso, defendem suas casas e famílias".

Mas rechaçou a hipótese da Crimeia se separar da Ucrânia. "Não deixem que sangue seja derramado. Não permitam que haja conflito. A Crimeia deve permanecer como parte da Ucrânia", afirmou.

Putin

Ao explicar por que está na Rússia, Yanukovych disse ter um amigo de longa data em Rostov-on-Don que o está abrigando. Ele afirmou ter falado por telefone com o presidente russo, Vladimir Putin, desde que chegou, mas que eles ainda não se encontraram pessoalmente. "Concordamos que nos encontraremos na primeira oportunidade possível, mas ainda não sei quando", afirmou.

Yanukovych disse não participará das eleições presidenciais convocadas para 25 de maio na Ucrânia porque elas não estão de acordo com as leis e a Constituição do país. Mas disse estar disposto a voltar ao país "assim que as autoridades garantam a segurança" de sua família e dele próprio.

*Com Reuters, AP e BBC

Leia tudo sobre: yanukovychrussiaprotestos na ucraniarostov on donkievue

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas