Europa pede desarme de grupos pró-Venezuela e libertação de manifestantes

Por iG São Paulo |

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Parlamento Europeu também pede que autoridades levem à Justiça os responsáveis pelas 16 mortes durante os protestos

O Parlamento Europeu pediu nesta quinta-feira (27) às autoridades de Venezuela que desarmem os grupos radicais pró-governo e que levem à Justiça os responsáveis pelas mortes dos manifestantes nos protestos que atingem o país desde 12 de fevereiro.

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AP
Oficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2)

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"Clamamos às autoridades venezuelanas que desarmem e dissolvam imediatamente os grupos armados descontrolados com caráter governista e ponham fim à sua impunidade", disse o texto que estabelece a posição política da Eurocâmara. "As autoridades da Venezuela, em vez de contribuir para a paz, ameaçaram com uma revolução armada", acrescenta a resolução.

No texto, os eurodeputados também pedem "o esclarecimento" das mortes e que os responsáveis "paguem perante a Justiça por suas ações". A resolução pede o envio urgente de uma missão europeia à Venezuela para verificar os recentes acontecimentos e condena a prisão de estudantes e de líderes da oposição, reivindicando a revogação dos mandados de prisão e sua "libertação imediata".

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A votação na Comissão Europeia aconteceu enquanto a Organização dos Estados Americanos (OEA) suspendeu a sessão extraordinária convocada para esta quinta para analisar a situação da Venezuela. Ainda não foi marcada uma nova data para o encontro, que tinha sido pedido pelo Panamá com o objetivo de consultar os chanceleres para avaliar a atual situação do país.

Segundo a fonte, a reunião foi suspensa porque, quando foi feita a convocação, o presidente do conselho, o dominicano Pedro Vergés, não se encontrava em Washington, onde se localiza a sede da OEA, para receber o documento. Pelas normas da OEA, o presidente do conselho tem de estar na sede do organismo no momento da entrega da convocatória de uma reunião. A volta de Vergés à capital norte-americana está prevista para esta semana.

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

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A informação da suspensão surgiu enquanto o ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Elías Jaua, visita regiões na região para defender que a disputa seja levada à União das Nações Sul-Americanas (Unasul) em vez da OEA que, dizem autoridades venezuelanas, é dominada pelos EUA.

Jaua, que já visitou a Bolívia, também planeja ir à Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil. De acordo com um porta-voz do Itamaraty, o governo brasileiro defenderá o princípio da "não ingerência em assuntos internas" nas discussões sobre a crise venezuelana.

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Durante uma coletiva na segunda-feira (24) durante sua visita a Bruxelas para a cúpula anual entre Brasil e União Europeia, a presidente Dilma Rousseff afirmou: "A Venezuela tem uma história. Não cabe ao Brasil discutir o que a Venezuela tem de fazer, até porque seria contrário à nossa política externa. O Brasil não se manifesta sobre a situação interna de nenhum país", disse.

Prisões

Na quarta (26), mais cinco membros da agência de inteligência nacional da Venezuela foram presos sob acusações de assassinato em relação às mortes a tiros de duas pessoas em protestos antigoverno, disse a procuradora-chefe Luisa Ortega na quarta-feira.

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Segundo Ortega, cinco agentes estavam presentes em confrontos de rua em 12 de fevereiro em Caracas, quando o universitário Bassil Da Costa, 24, e o partidário governista Juan Montoya morreram. Eles estão entre os ao menos 16 mortos durante os recentes protestos. Segundo o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, o número de mortes relacionadas a bloqueios de rua e barricadas superaria 50. Ele não esclareceu por que deu um total tão alto de mortos.

Na segunda, Ortega afirmou que três outros integrantes do Serviço Nacional de Inteligência Bolivariana foram presos sob acusações similares. Inicialmente, funcionários graduados do governo culparam os manifestantes pelas mortes.

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As manifestações começaram com estudantes e logo depois dezenas de milhares de habitantes de outras várias cidades se uniram a elas, irritados com os problemas econômicos, a insegurança, a escassez de produtos básicos, a elevada inflação e a resposta pesada do governo aos protestos.

Em pronunciamento antes de encontro para discutir a situação do país, ao qual a oposição se negou a comparecer, Maduro responsabilizou o que chamou de grupos fascistas que pretendem derrubá-lo. "Eu quero a paz para a Venezuela, peço que a violência acabe", disse o chefe de Estado, o herdeiro político do líder de esquerda Hugo Chávez, que morreu em 5 de março.

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"Convidei compatriotas com os quais os senhores sabem que temos grandes diferenças e vou dar-lhes a mão e um sorriso e vou pedir paz", acrescentou o governante em uma reunião com agricultores transmitida pela televisão estatal. Mas a coalizão de partidos de oposição, a Mesa da Unidade (MUD), disse que não compareceria à reunião por ela não cumprir com as condições adequadas.

"Não nos submeteremos ao que resultará em um diálogo simulado que leve à ilusão de nossos compatriotas", disse em comunicado o porta-voz da MUD, Ramón Aveledo.

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A oposição denunciou uma brutalidade excessiva na repressão aos protestos pelas forças de segurança e alega que grupos armados pró-governo atacam violentamente as manifestações. Afirmou, inclusive, que alguns detidos foram torturados.

Em um artigo publicado no blog com propostas para superar a situação no país, o líder da oposição Henrique Capriles pediu "o fim da criminalização dos protestos como forma pacífica de expressão e da violação dos direitos humanos. O fim das torturas e da repressão".

*Com AP, Reuters, Agência Brasil e informações de jornais venezuelanos

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