Região concentra grande número 'pró-Rússia'. Polícia tem tido dificuldade em manter grupos separados durante os comícios

A polícia se esforçou para manter separados os grupos rivais que participavam de comícios diferentes nesta quarta-feira (26) na região da Crimeia, onde a maioria é pró-Rússia, e onde o Parlamento regional realizou uma sessão de crise sobre o tumulto que tomou conta do país.

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Mais de 10 mil muçulmanos tártaros da Crimeia se reuniram em apoio aos líderes interinos da Ucrânia, carregando bandeiras nacionais e cantando “A Ucrânia não é a Rússia” e “Allahu Akbar”, enquanto um menor comício pró-Rússia nas proximidades clamava por laços mais fortes com os russos e usava as bandeiras do país.

Grupo pró-Rússia se reúne em frente ao prédio do governo em Simferopol, na Crimeia, Ucrânia
AP
Grupo pró-Rússia se reúne em frente ao prédio do governo em Simferopol, na Crimeia, Ucrânia


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Policiais e líderes de ambos os lados estavam se esforçando para manter os grupos separados, quando manifestantes gritaram e trocaram socos durante o percurso.

A tensão na Crimeia – península que se projeta no Mar Negro, região estrategicamente importante por abrigar a frota marítima da Rússia no Mar Negro – destaca as divisões que afetam o país de 46 milhões de habitantes, depois de meses de protestos que recentemente forçaram o presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych a abandonar a capital ucraniana.

Ressalta também os temores de que, principalmente no leste do país de língua russa, a legitimidade das autoridades provisórias não é reconhecida.

Tártaros da Crimeia se tornaram uma parte ativa do protesto contra Yanukovych e demonstraram profundo ressentimento contra o Kremlin, tendo sido deportados em massa sob as ordens do ditador soviético Josef Stalin durante a 2ª Guerra Mundial.

“Não deixaremos o destino de nossa terra ser decidido sem a gente”, disse Nuridin Seytablaev, de 54 anos, engenheiro. “Estamos prontos para lutar pela Ucrânia e pelo nosso future europeu."

Perto dali, separados por linhas policiais, Anton Lyakhov, 52, agitou uma bandeira russa. “Só os russos podem nos defender dos fascistas em Kiev e de radicais islâmicos na Crimeia.”

Na terça-feira (26), um legislador russo visitando a Crimeia disse que Moscou protegeria os residentes de língua russa da região, aumentando a preocupação de que a Rússia estaria tentando justificar uma intervenção militar.

*Com AP

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