General reformado mantém trincheira contra governo da Venezuela

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Ángel Vivas ficou famoso no domingo, quando empunhou fuzil e pistola para evitar sua prisão por algo que escreveu no Twitter

É preciso ultrapassar ao menos sete barricadas em Caracas antes de chegar à casa do general reformado Ángel Vivas. O ex-militar ficou famoso no último domingo (26), quando uma comissão do serviço de inteligência da política venezuelana chegou à sua casa para prendê-lo por algo que ele havia escrito no Twitter.

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AP
O general reformado das Forças Armadas da Venezuela Ángel Vivas, armado e com colete a prova de bolas, é visto em sua casa, em Caracas



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Abrigado em sua casa no alto de uma colina no bairro de Prados del Este, na parte sudeste da capital, Vivas vestia um colete à prova de balas branco e trazia consigo uma pistola 9 milímetros e um fuzil de assalto. "Eu não vou me entregar", Vivas, de 57 anos, gritou para uma multidão de partidários.

Confira as principais fotos dos protestos no país:

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Do alto do muro de sua residência, desafiou os funcionários do governo do presidente Nicolás Maduro que foram prendê-lo. Ele continua em liberdade. 

Repercussão

Dezenas de vizinhos de Vivas ocupam uma área de dez quarteirões ao redor de sua casa, como uma espécie de brigada de defesa. Quem vai ao local sente a tensão no ar. Recém-chegados são recebidos com olhares nervosos ou de raiva. A identificação como repórter acalma os ânimos, mas o olhar de suspeita nunca desaparece por completo.

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"Defendemos o general para defender a democracia e a liberdade de expressão", disse Zenaida Rivera à BBC Mundo em frente à porta da casa do general reformado.

Vivas sugeriu, por meio de sua conta no Twitter, formas de enfrentar uma eventual chegada de oficiais do governo, como colocar barricadas de arame farpado nas ruas. Mas, dias depois de ele ter dado essas recomendações, um motociclista que não parecia estar envolvido nos protestos morreu ao bater contra uma barricada erguida em uma rua na parte leste de Caracas.

Isso causou uma resposta enérgica do governo, que mandou prender o general por considerá-lo o responsável intelectual pela morte. Sua prisão parecia certa até o envolvimento dos vizinhos, quando o ex-militar se entrincheirou e empunhou armas contra as autoridades. Maduro declarou que isso apenas agravou a situação do ex-general.

Vivas foi aposentado em 2008, quando solicitou por via judicial que os militares da Venezuela não fossem obrigados a gritar "Pátria, socialismo ou morte" em eventos das Forças Armadas. Essa atitude lhe rendeu uma breve prisão e sua expulsão do Exército.

Barricadas dificultam o acesso à casa de Vivas

Desde então, tornou-se um ferrenho opositor do atual regime, com a liberdade conferida por não estar mais na ativa. Agora enfrenta um pedido de prisão em seu nome. "Não podem responsabilizá-lo pela morte de uma pessoa só por ter publicado uma coisa no Twitter", disse Vivian Rey, uma da vizinhas de Vivas, à BBC Mundo.

O ex-general não atende à imprensa e só aceitou aparecer na televisão com a CNN em espanhol, emissora recentemente expulsa e depois readmitida no país. Sua casa parece estar bem defendida pela vizinhança. Na última barricada, a dez metros de distância de sua residência, há óleo no chão para derrubar os mais descuidados.

"Fiquei incomodado pelo exagero da Guarda Nacional também ter vindo buscá-lo", disse Leoncio Marichal, vizinho de Vivas.

Juntamente com a caminhonete do serviço de inteligência, vieram na ocasião 20 motos, três veículos blindados e dezenas de funcionários do governo. Tudo isso para prender um homem de quase 60 anos de idade. "Assim que escutamos eles chegando, saímos para defendê-lo", disse Marichal. No local, é esperado o retorno das forças de segurança.

Polêmico

A atitude de Vivas foi aplaudida por algumas alas mais radicais da oposição venezuelana, que saudaram o ex-militar por enfrentar o governo dessa maneira. Mas outros setores da oposição expressaram preocupação pela exaltação da imagem de Vivas empunhando armas.

No amplo espectro de críticos do chavismo, existe uma ala que não vê com bons olhos o militarismo e dão como exemplo o ex-presidente Hugo Chávez, que tem um passado militar e liderou uma tentativa de golpe de Estado em 1992.

Ainda está na memória a lembrança do que ocorreu entre o fim de 2001 e o início de 2002, quando um a um vários oficiais das Forças Armadas venezuelanas instalaram-se na Praça Altamira, de Caracas, até que Chávez abandonasse o poder.

O protesto foi vencido pelo passar do tempo. Ignorados por Chávez e em meio a um golpe de Estado falido e a quase três meses de greve nacional, muitos dos que participaram do ato acabaram esquecidos.

*Com BBC e AP

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