Tabloide de Uganda publica lista dos '200 principais' homossexuais

Por iG São Paulo |

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Publicação pelo Pimenta Vermelha é feita um dia depois de sanção de lei que pune homossexualismo com prisão perpétua

Um jornal de Uganda publicou uma lista nesta terça-feira do que chamou os "200 principais" homossexuais do país, tirando do armário alguns ugandenses que previamente não haviam se identificado como gays um dia depois de o presidente sancionar uma dura lei antigay.

Segunda: Uganda sanciona lei que pune homossexualidade com prisão perpétua

AP
Ugandense lê exemplar do tabloide Pimenta Vermelha, que publicou lista dos 200 principais gays de Uganda

EUA: Obama adverte Uganda sobre lei antigay

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que a assinatura da lei na segunda-feira pelo presidente Yoweri Museveni marcava "um dia trágico" para Uganda e para todos os que se importam com a "causa dos direitos humanos" e alertou que Washington poderia cortar o auxílio à nação do leste africano.

"Agora que essa lei foi efetivada, começamos uma revisão interna de nossa relação com o governo de Uganda para assegurar que todas as dimensões de nosso engajamento, incluindo programas assistenciais, respeitem nossas políticas e princípios antidiscriminatórios e reflitam nossos valores", afirmou Kerry em uma declaração.

O tabloide Pimenta Vermelha publicou os nomes - e algumas fotos - dos supostos homossexuais em uma história de capa sob o título: "Expostos!"

A lista incluiu importantes ativistas gays como Pepe Julian Onziema, que repetidamente alertou que a nova lei antigay de Uganda poderia desatar violência contra os homossexuais. Uma popular estrela do hip-hop e um padre católico também estão na lista.

Ben Byarabaha, editor de notícias do Pimenta Vermelha, disse que eles publicaram os nomes completos de somente os ativistas bem conhecidos e tentaram usar apelidos para aqueles que não são publicamente gays. Outros, como um clérigo anglicano que apoia os direitos gays, são listados como simpatizantes. Byarabaha não ofereceu detalhes de como a lista foi compilada.

Poucos ugandenses se identificam publicamente como gays, e a publicação do tabloide dos supostos homossexuais relembra uma lista similar publicada em 2011 por um agora extinto tabloide que pedia a execução dos gays.

Kato: Destacado ativista gay é assassinado em Uganda após ter foto publicada

Posteriormente um juiz do país condenou a revelação de gays em um país em que há uma severa discriminação, dizendo que isso significava invasão de privacidade. David Kato, um importante ativista gay de Uganda, foi morto depois de a lista ser publicada, e ativistas disseram na época que acreditam que ele foi um alvo por causa de seu trabalho promovendo os direitos gays em Uganda.

2011: Justiça de Uganda proíbe identificação de gays

"A caça às bruxas da mídia está de volta", tuitou Jacqueline Kasha, uma conhecida ativista lésbica de Ugandan que está entre os listados pelo Pimenta Vermelha.

A nova lei antigay de Uganda pune o sexo homossexual com prisão perpétua. O projeto de lei originalmente propunha a pena de morte para a "homossexualidade agravada", definida como sexo repetido e consentido entre adultos e atos envolvendo menores, uma pessoa deficiente ou quando um dos parceiros tem HIV. Réus primários também enfrentam prisão perpétua, de forma contrária a uma versão prévia do projeto que mencionava uma sentença de 14 anos.

A nova lei também cria o crime de "conspiração para cometer homossexualismo", assim como "auxiliar e incitar a homossexualidade", que são puníveis com uma sentença de sete anos. Os condenados por "promover o homossexualismo" enfrentam pena similar.

*Com AP

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