EUA devem retirar todas as tropas até o fim do ano se Cabul não assinar acordo de segurança que preveja presença limitada

O presidente dos EUA, Barack Obama, ordenou ao Pentágono planejar uma retirada completa do Afeganistão até o fim deste ano se o governo afegão se recusar a assinar um acordo de segurança com os EUA, disse a Casa Branca nesta terça-feira.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, ouve presidente afegão, Hamid Karzai, durante coletiva conjunta na Casa Branca, Washington (11/1/2013)
AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, ouve presidente afegão, Hamid Karzai, durante coletiva conjunta na Casa Branca, Washington (11/1/2013)

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Entretanto, em uma ligação ao presidente afegão, Hamid Karzai, Obama também disse que os EUA ainda poderiam manter uma presença militar no Afeganistão depois de 2014 se o acordo chegar a ser assinado. Ele reconheceu ser improvável que o próprio Karzai assine o pacto de segurança bilateral, deixando a questão da continuidade da presença militar americana no país ao vencedor das eleições de abril.

"Deixaremos aberta a possibilidade de concluir um acordo com o Afeganistão no fim deste ano", disse a Casa Branca em um resumo da ligação telefônica entre os dois líderes. Mas, acrescentou, "quanto mais tempo ficarmos sem um pacto, mais provável que qualquer missão dos EUA pós-2014 será menor em escala e em ambição".

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A ligação desta terça-feira foi o primeiro contato direto entre Obama e karzai desde junho, destacando a frustração de Washington com a recusa do líder afegão em assinar o acordo de segurança. O pacto daria aos EUA a base legal para ter forças no Afeganistão depois de 2014 e também lhe permitiria usar bases em todo o país.

A Casa Branca disse repetidamente que não deixaria nenhum soldado americano no Afeganistão sem o acordo.

O secretário de Defesa Chuck Hagel caracterizou a ordem de Obama ao Pentágono de "um passo prudente", considerando-se a probabilidade de que Karzai não assinará o acordo. Entretanto, ele disse que o Pentágono também continuaria a fazer planos para uma possível missão americana no Afeganistão depois deste ano, que enfatizaria o contraterrorismo e o treinamento das forças de segurança afegãs.

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O Pentágono há muito tempo tem planos de contingência para múltiplas opções no Afeganistão. Apesar disso, o almirante John Kirby afirmou nesta terça-feira que, até agora, o Exército "não planejava ativamente uma retirada completa". "Agora iremos", disse o porta-voz do Pentágono.

O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, Martin Dempsey, viaja para o Afeganistão na quinta-feira para visitar os líderes militares americanos no país e avaliar a situação de segurança. Dempsey disse que ainda prefere manter uma presença militar americana no país por causa da contínua ameaça da Al-Qaeda, mas disse que as opções para fazer isso "estão agora mais difíceis do que o recomendado".

Obama vinha considerando que o Pentágono deixaria até 10 mil soldados no país depois deste ano, contigente sob o acordo de segurança. Mas acredita-se que alguns funcionários da Casa Branca apoiavam manter um número menor. Atualmente os EUA têm cerca de 33,6 mil soldados no Afeganistão, bem menos dos que os 100 mil que chegou a ter em 2010.

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Quanto mais a decisão demorar, mais cara e arriscada se tornará a retirada militar. Com menos tempo para mover os soldados e equipamentos, o Exército terá de retirar seus bens por avião em vez de usar transporte terrestre mais barato.

Se o pacto de segurança nunca for assinado, o maior desafio do Pentágono será fechar grandes instalações militares, incluindo as bases de Bagram e Kandahar. Fechar uma grande base normalmente leva dez meses, mas oficiais dizem estar preparados em fazer isso em um período bem menor - embora com mais gastos - se necessário. Oficiais militares dizem que os comandantes ainda gostariam de ter cerca de seis meses para fechar as instalações. Se não houver nenhum acordo de segurança até o fim do verão no hemisfério norte, os oficiais dizem que fechar as baes até o fim do ano se torna bem mais difícil.

*Com AP

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