Para Dmitry Medvedev, primeiro-ministro russo, ainda há dúvidas sobre a legitimidade do Estado ucraniano interino

A Rússia disse nesta segunda-feira (24) que não tratará com aqueles que tomaram o poder por meio de um "motim armado" na Ucrânia, enviando o sinal mais forte até agora de que Moscou não quer ser arrastado a uma guerra de apostas com o Ocidente sobre seu vizinho do sul.

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Questionando a legitimidade das novas autoridades pró-europeias que assumiram depois que o Parlamento da Ucrânia removeu o então presidente Viktor Yanukovych, que era apoiado pelo Kremlim, o primeiro-ministro russo, Dmitry Medvedev, disse que não via ninguém com quem pudesse tratar em Kiev.

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Ele não declarou morto um pacote de resgate de 15 bilhões de dólares da Rússia para a Ucrânia, embora o futuro do pacote seja duvidoso, mas sinalizou que um acordo pelo qual a Ucrânia paga um preço reduzido pelo gás russo tem data para vencer e que uma prorrogação teria de ser negociada.

Com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ainda comemorando o sucesso russo na Olimpíada de Inverno de Sochi, sobrou para seus assessores lidar com uma crise que não saiu como o esperado e reduziu a influência russa na Ucrânia.

"Falando estritamente, não há ninguém com quem conversar lá. Existem grandes dúvidas sobre a legitimidade de uma série de órgãos de poder que estão funcionando agora lá", disse Medvedev a agências de notícias russas.

"Alguns de nossos parceiros estrangeiros pensam diferentemente, acreditam que eles são legítimos...não sei qual Constituição eles leram...mas parece para mim que é uma aberração chamar de legítimo algo que é essencialmente resultado de um motim armado."

Autoridades ucranianas emitiram nesta segunda-feira um mandado de prisão por assassinatos em massa contra Yanukovych, que agora está foragido depois de ser deposto por sangrentos conflitos nas ruas do país, nos quais atiradores de elite da polícia mataram manifestantes da oposição.

A ex-república soviética fez um apelo nesta segunda-feira por ajuda financeira para evitar a falência. As dívidas da Ucrânia incluem mais de 1 bilhão de dólares de contas de gás não pagos à Rússia em 2013. Os preços são negociados a cada trimestre.

"A decisão que foi adotada na esfera do gás tem períodos de tempo concretos para implementação", disse Medvedev. "O que vai acontecer depois que isso expirar é uma questão a ser discutida com a liderança das empresas ucranianas e com o governo ucraniano, se algum surgir lá."

*Com Reuters

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