Paradeiro de presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, é desconhecido

Por BBC | - Atualizada às

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Há relatos não confirmados de que presidente deixou Kiev e viajou para Kharkiv, no leste, perto da fronteira com a Rússia

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Reuters
Prédio do parlamento estava sendo vigiado por manifestantes na manhã deste sábado

O complexo presidencial da Ucrânia, na capital Kiev, está sem guarda, com manifestantes aparentemente em total controle da área governamental, dizem correspondentes da BBC.

Líderes da oposição pedem que o presidente Viktor Yanukovych, cujo paradeiro é desconhecido, renuncie imediatamente.

Eles exigem ainda que as eleições sejam convocadas para 25 de maio - e não até o final de dezembro, como previsto no acordo de paz firmado na sexta-feira.

Apesar do acordo mediado pela União Européia ter sido assinado ontem, milhares de pessoas permaneceram nas ruas de Kiev.

O porta-voz do parlamento, Volodymyr Rybak, renunciou, citando problemas de saúde.

Vitaly Klitschko, líder do partido oposicionista Udar, disse ao parlamento reunido neste sábado: "É preciso, como as pessoas exigem, adotar uma resolução que exorte Yanukovych a demitir-se imediatamente".

O presidente Yanukovych não está no parlamento - há relatos não confirmados de que ele deixou Kiev e viajou para Kharkiv, no leste, perto da fronteira com a Rússia.

O correspondente da BBC Kevin Bishop diz que não há sinal de forças de segurança dentro do complexo presidencial, antes fortemente vigiado, embora alguns funcionários do governo tenham chegado para o trabalho. Ele foi capaz de entrar diretamente no local.

Os manifestantes estão em pé nos jardins do edifício incrédulos, acrescenta. Um grupo de manifestantes de extrema direita ameaçou agir se o presidente não renunciar na manhã deste sábado.

Na quinta-feira, a polícia abriu fogo contra manifestantes que vêm ocupando Praça da Independência, no centro de Kiev. O Ministério da Saúde disse que 77 pessoas - entre manifestantes e policiais - foram mortas desde terça-feira, na pior onda de violência desde que os protestos começaram, em novembro.

Acordo: Presidente e oposição assinam acordo na Ucrânia, mas acampados mantêm ceticismo

O pacto político foi assinado na sexta-feira por Yanukovych e líderes da oposição após mediação de ministros das relações exteriores de países da União Européia.

O acordo estabelece que um governo de coalizão será formado e eleições, realizadas até o final do ano, mas líderes da oposição querem que o pleito ocorra antes.

O pacto foi recebido com ceticismo por alguns dos milhares de manifestantes que permanecem na praça. Os líderes da oposição que assinaram foram vaiados e chamados de traidores.

Divulgado pelo ministro alemão, o acordo prevê que:

A Constituição de 2004 seja reestabelecida dentro de 48 horas, e que um governo de unidade nacional seja formado dentro de dez dias; uma reforma constitucional para balancear os poderes do presidente, do governo e do parlamento seja iniciada imediatamente e finalizada até setembro; uma eleição presidencial seja realizada após a nova Constituição ser adotada, com o limite até dezembro de 2014, e novas leis eleitorais serão aprovadas; uma investigação sobre os recentes atos de violência seja conduzida em conjunto por autoridades, a oposição e o Conselho Europeu; as autoridades não possam impôr um estado de emergência no país, e ambos os lados evitem o uso de violência; ambas as partes farão esforços sérios para a normalização da vida nas cidades e aldeias, retirando-se de edifícios administrativos e públicos e desbloqueando ruas, parques e praças; e armas ilegais sejam entregues aos órgãos do Ministério do Interior.

Repercussão

O ministro das Relações Exteriores polonês, Radoslaw Sikorski, twittou que o acordo era um "bom compromisso para a Ucrânia", que abriria o caminho "para a reforma e para a Europa".

Os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia concordaram que o acordo precisa ser rapidamente implementado, disseram autoridades.

A Casa Branca elogiou "os corajosos líderes da oposição que reconheceram a necessidade de compromisso". Os EUA permanecem preparados para impor sanções ao governo ucraniano se a violência continuar, disse em um comunicado.

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

Em uma ligação na sexta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, disse ao presidente americano, Barack Obama, que a Rússia quer ser parte do processo de implementação do acordo, relatou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

Pouco depois de o pacto ser assinado, o parlamento da Ucrânia aprovou a restauração da Constituição de 2004, com apenas um voto contrário entre os 387 deputados presentes. O Parlamento também aprovou uma anistia para os manifestantes acusados de envolvimento na violência.

Retaliação: União Europeia impõe sanções à Ucrânia por repressão violenta

Deputados votaram por uma mudança na lei que poderia levar à libertação de Yulia Tymoshenko, uma importante rival de Yanukovych.

Ela foi sentenciada a sete anos de prisão em 2011 por abuso de poder. Seus defensores dizem que foi simplesmente uma medida de Yanukovych para afastar sua adversária mais proeminente.

Dezenas de deputados do própria partido de Yanukovych votaram a favor das propostas, numa humilhação para o presidente.

Os protestos começaram no final de novembro, quando Yanukovych decidiu recusar um acordo que aprofundaria os laços do país com a União Europeia (UE) e era negociado havia três anos. Em troca, o presidente preferiu se aproximar da Rússia.

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