Medida é tomada um dia depois de presidente venezuelano ter ameaçado expulsar TV americana por cobertura de protestos

O governo da Venezuela revogou as credenciais de imprensa de jornalistas da rede americana CNN depois que o presidente Nicolás Maduro criticou sua cobertura dos protestos políticos que atingem o país.

'Propaganda de guerra':  Maduro ameaça expulsar CNN da Venezuela

Opositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas
Reuters
Opositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas

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Segundo a CNN, quatro de seus jornalistas foram notificados pelo Ministério da Informação que não têm mais permissão de trabalhar no país. Entre eles está a âncora da CNN em Espanhol Patricia Janiot

Na quinta, Maduro ameaçou expulsar a CNN da Venezuela se ela não "retificar" sua cobertura dos tumultos que, dizem, fazem parte de uma campanha para derrubar seu governo socialista. O canal de notícias colombiano NTN24 foi suspenso da TV a cabo da Venezuela há uma semana.

O controle quase completo do governo sobre as emissoras domésticas tornou a CNN em Espanhol uma fonte de informação para muitos dos venezuelanos que tentam acompanhar a situação em seu país.

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Da prisão, o líder oposicionista Leopoldo Lópes, que se entregou à polícia na terça-feira perante milhares de partidários , pediu aos seus partidários nesta sexta que continuem a realizar protestos pacíficos contra Maduro, apesar da violência em Caracas e outras cidades que deixou seis mortos, cinco por disparos e outro por atropelamento, desde o dia 12 e agitou o país sul-americano membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Entre as vítimas está a Miss Turismo Carabobo 2013 , Génesis Carmona, de 22 anos, que foi atingida na terça por um disparo na cabeça. Génesis foi enterrada nesta sexta-feira.

"Estou bem, eu peço a vocês que não desistam, eu não desistirei", disse López a seus simpatizantes em uma carta escrita à mão e entregue à sua esposa na prisão de Ramo Verde, em Caracas. A mensagem foi publicada na internet.

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López, de 42 anos, um economista formado em Harvard e um dos últimos parentes ainda existentes do herói da independência Simón Bolívar, encabeçou os protestos que começaram em fevereiro contra o governo socialista.

Na madrugada de quinta, um juiz determinou que há provas suficientes para mantê-lo na prisão sob acusações penais que incluem incêndio criminoso e incitação criminosa pela organização de uma grande manifestação em 12 de fevereiro .

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Os promotores decidiram não pedir acusações mais sérias, incluindo homicídio e terrorismo, quando López fez uma aparição em uma corte em uma base militar perto de Caracas. O político pode ser sentenciado a pelo menos dez anos de prisão.

Ambos os lados culpam um ao outro pela violência. O governo diz que atiradores especiais começam a aparecer entre os opositores e que radicais tentam criar o caos ao atacar a propriedade privada, a polícia e bloquear estradas.

Os manifestantes, sobretudo estudantes, acusam Maduro de intensificar a repressão. Eles afirmam que a polícia é a responsável pelos disparos por permitir que gangues pró-governo ataquem os manifestantes. Eles também dizem que os detidos sobrem maus-tratos.

Manifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2)
AP
Manifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2)

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"Para a polícia, soldados, procuradores e juízes: não obedeçam a ordens injustas, não se transformem na face da repressão", disse López na mensagem a partir da prisão. "Aos jovens, aos manifestantes, peço que continuem firmes contra a violência e fiquem organizados e disciplinados. Essa é uma luta de todos."

Operação militar no oeste

O cenário mais tenso no país é a cidade de San Cristóbal, na fronteira oeste com a Colômbia, onde moradores têm usado o termo "zona de guerra" para descrever os confrontos frequentes entre estudantes e forças de segurança entre barricadas há dias montadas nas ruas.

Os militares forçaram sua entrada na cidade, disseram moradores, com helicópteros e aviões dando cobertura aérea . O ministro do Interior Miguel Rodríguez Torres lidera pessoalmente a operação.

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Há confrontos também em Mérida, outra cidade andina, e os manifestantes bloquearam novamente algumas estradas em Caracas nesta sexta.

No maior desafio ao governo de dez meses de Maduro, os manifestantes demandam sua renúncia ante o aumento da criminalidade e da inflação, a escassez de artigos básicos e a suposta repressão à oposição na Venezuela.

Líder da oposição Henrique Capriles dá coletiva em Caracas, Venezuela (20/2)
AP
Líder da oposição Henrique Capriles dá coletiva em Caracas, Venezuela (20/2)

Manifestantes batem em panelas nas janelas durante toda a noite. "Eu recomendo que comprem algumas panelas de aço inox que durem uns bons 10, 20, 30 ou 40 anos", ironizou Maduro na noite de quinta. "Porque a revolução está por muito tempo!"

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Maduro disse que os protestos são um pretexto para um plano de golpe, similar ao que derrubou seu predecessor, Hugo Chávez , por um breve período, em 2002. Não há evidência de que os militares, agentes decisivos em 2002, possam se voltar contra Maduro.

Henrique Capriles, outro líder da oposição, rechaçou a alegação de que os manifestantes planejam derrubar o governo pelo uso da força. "Civis não conduzem golpes, são os militares que dão golpes."

A nação de 30 milhões está divida entre os "chavistas", como ainda são conhecidos os apoiadores de Maduro, e seus opositores.

Emissoras de TV locais não estão fazendo praticamente nenhuma cobertura ao vivo dos protestos, razão pela qual os venezuelanos recorrem às redes socais para trocar informações e imagens. Fotos falsas também começaram a circular.

Os protestos em Caracas começaram e têm mais força em bairros de classe média de Caracas, mas manifestações esporádicas também se espalharam por áreas mais pobres.

*Com AP e Reuters

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