Venezuela revoga credenciais de imprensa de quatro jornalistas da CNN

Por iG São Paulo |

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Medida é tomada um dia depois de presidente venezuelano ter ameaçado expulsar TV americana por cobertura de protestos

O governo da Venezuela revogou as credenciais de imprensa de jornalistas da rede americana CNN depois que o presidente Nicolás Maduro criticou sua cobertura dos protestos políticos que atingem o país.

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Reuters
Opositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas

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Segundo a CNN, quatro de seus jornalistas foram notificados pelo Ministério da Informação que não têm mais permissão de trabalhar no país. Entre eles está a âncora da CNN em Espanhol Patricia Janiot

Na quinta, Maduro ameaçou expulsar a CNN da Venezuela se ela não "retificar" sua cobertura dos tumultos que, dizem, fazem parte de uma campanha para derrubar seu governo socialista. O canal de notícias colombiano NTN24 foi suspenso da TV a cabo da Venezuela há uma semana.

O controle quase completo do governo sobre as emissoras domésticas tornou a CNN em Espanhol uma fonte de informação para muitos dos venezuelanos que tentam acompanhar a situação em seu país.

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Da prisão, o líder oposicionista Leopoldo Lópes, que se entregou à polícia na terça-feira perante milhares de partidários, pediu aos seus partidários nesta sexta que continuem a realizar protestos pacíficos contra Maduro, apesar da violência em Caracas e outras cidades que deixou seis mortos, cinco por disparos e outro por atropelamento, desde o dia 12 e agitou o país sul-americano membro da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Entre as vítimas está a Miss Turismo Carabobo 2013, Génesis Carmona, de 22 anos, que foi atingida na terça por um disparo na cabeça. Génesis foi enterrada nesta sexta-feira.

"Estou bem, eu peço a vocês que não desistam, eu não desistirei", disse López a seus simpatizantes em uma carta escrita à mão e entregue à sua esposa na prisão de Ramo Verde, em Caracas. A mensagem foi publicada na internet.

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López, de 42 anos, um economista formado em Harvard e um dos últimos parentes ainda existentes do herói da independência Simón Bolívar, encabeçou os protestos que começaram em fevereiro contra o governo socialista.

Na madrugada de quinta, um juiz determinou que há provas suficientes para mantê-lo na prisão sob acusações penais que incluem incêndio criminoso e incitação criminosa pela organização de uma grande manifestação em 12 de fevereiro.

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Os promotores decidiram não pedir acusações mais sérias, incluindo homicídio e terrorismo, quando López fez uma aparição em uma corte em uma base militar perto de Caracas. O político pode ser sentenciado a pelo menos dez anos de prisão.

Ambos os lados culpam um ao outro pela violência. O governo diz que atiradores especiais começam a aparecer entre os opositores e que radicais tentam criar o caos ao atacar a propriedade privada, a polícia e bloquear estradas.

Os manifestantes, sobretudo estudantes, acusam Maduro de intensificar a repressão. Eles afirmam que a polícia é a responsável pelos disparos por permitir que gangues pró-governo ataquem os manifestantes. Eles também dizem que os detidos sobrem maus-tratos.

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Manifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2)

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"Para a polícia, soldados, procuradores e juízes: não obedeçam a ordens injustas, não se transformem na face da repressão", disse López na mensagem a partir da prisão. "Aos jovens, aos manifestantes, peço que continuem firmes contra a violência e fiquem organizados e disciplinados. Essa é uma luta de todos."

Operação militar no oeste

O cenário mais tenso no país é a cidade de San Cristóbal, na fronteira oeste com a Colômbia, onde moradores têm usado o termo "zona de guerra" para descrever os confrontos frequentes entre estudantes e forças de segurança entre barricadas há dias montadas nas ruas.

Os militares forçaram sua entrada na cidade, disseram moradores, com helicópteros e aviões dando cobertura aérea. O ministro do Interior Miguel Rodríguez Torres lidera pessoalmente a operação.

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Há confrontos também em Mérida, outra cidade andina, e os manifestantes bloquearam novamente algumas estradas em Caracas nesta sexta.

No maior desafio ao governo de dez meses de Maduro, os manifestantes demandam sua renúncia ante o aumento da criminalidade e da inflação, a escassez de artigos básicos e a suposta repressão à oposição na Venezuela.

AP
Líder da oposição Henrique Capriles dá coletiva em Caracas, Venezuela (20/2)

Manifestantes batem em panelas nas janelas durante toda a noite. "Eu recomendo que comprem algumas panelas de aço inox que durem uns bons 10, 20, 30 ou 40 anos", ironizou Maduro na noite de quinta. "Porque a revolução está por muito tempo!"

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Maduro disse que os protestos são um pretexto para um plano de golpe, similar ao que derrubou seu predecessor, Hugo Chávez, por um breve período, em 2002. Não há evidência de que os militares, agentes decisivos em 2002, possam se voltar contra Maduro.

Henrique Capriles, outro líder da oposição, rechaçou a alegação de que os manifestantes planejam derrubar o governo pelo uso da força. "Civis não conduzem golpes, são os militares que dão golpes."

A nação de 30 milhões está divida entre os "chavistas", como ainda são conhecidos os apoiadores de Maduro, e seus opositores.

Emissoras de TV locais não estão fazendo praticamente nenhuma cobertura ao vivo dos protestos, razão pela qual os venezuelanos recorrem às redes socais para trocar informações e imagens. Fotos falsas também começaram a circular.

Os protestos em Caracas começaram e têm mais força em bairros de classe média de Caracas, mas manifestações esporádicas também se espalharam por áreas mais pobres.

*Com AP e Reuters

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