Ministro nega que medida militarize a cidade de San Cristóbal, em Táchira: 'O objetivo é simplesmente restaurar a ordem'

Paraquedistas estão a caminho de uma área de fronteira da Venezuela afetada por duros confrontos entre a polícia e manifestantes antigoverno, enquanto forças de segurança são acusadas de transformar várias partes do país em perigosas zonas de uso de armas de fogo em seu esforço para silenciar um movimento que desafia o governo socialista.

'Propaganda de guerra':  Maduro ameaça expulsar CNN da Venezuela

Manifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2)
AP
Manifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2)


Capriles: Oposição da Venezuela denuncia 'brutal repressão' do governo de Maduro

O ministro do Interior Migues Rodríguez Torres anunciou o envio de um batalhão de paraquedistas para San Cristóbal, no Estado de Táchira, para acalmar a cidade localizada na fronteira oeste da Colômbia. Previamente, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, afirmou que considera impor a lei marcial em Táchira.

"Não é uma questão de militarização", disse Rodríguez Torres. "Essas unidades permitirão à cidade funcionar para que os alimentos possam chegar, para que as pessoas possam tocar suas vidas normalmente. O objetivo é simplesmente restaurar a ordem", afirmou.

Leopoldo López: Líder da oposição enfrenta acusações na Venezuela

O vice-prefeito de San Cristóbal, Sergio Vergara, do opositor Vontade Popular, contestou as declarações do governo. Segundo ele, o governo causou os problemas ao reprimir o que eram protestos pacíficos e, como parte de sua campanha, cortou serviços vitais na cidade, incluindo transporte público e internet.

Enviar 3 mil paraquedistas para uma cidade de 600 mil habitantes faz "efetivamente parte de um esforço de repressão sendo feito pelo governo em todo o país", disse Vergara.

Conspiração: Governo vê tentativa de golpe em protestos na Venezuela

Na quinta-feira, os líderes da oposição da Venezuela acusaram Maduro de lançar a polícia, os soldados da Guarda Nacional e membros de milícias privadas contra aqueles que acusam o governo por problemas em um país que é rico em petróleo, mas sofre com uma alta inflação e um dos piores índices de homicídio do mundo.

A violência escalou na Venezuela desde uma grande marcha da oposição no dia 12 , que abriu uma onda de protestos que deixaram seis mortos e mais de cem feridos. Entre as vítimas está a Miss Turismo Carabobo 2013 , Génesis Carmona, de 22 anos, que foi atingida na terça por um disparo na cabeça.

No México: Obama critica resposta do presidente da Venezuela aos protestos

Objetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2)
AP
Objetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2)

Na madrugada de quinta, um juiz determinou que há provas suficientes para manter na prisão o líder da oposição Leopoldo López, que se entregou à polícia na terça-feira perante milhares de partidários, sob acusações penais que incluem incêndio criminoso e incitação criminosa pela organização da manifestação de 12 de fevereiro.

Os promotores decidiram não pedir acusações mais sérias, incluindo homicídio e terrorismo, quando López fez uma aparição em uma corte em uma base militar perto de Caracas. O político de 42 anos pode ser sentenciado a pelo menos dez anos de prisão.

Aos 22 anos: Miss morre após ser baleada na cabeça durante protesto na Venezuela

Os manifestantes planejam um grande protesto no sábado contra a detenção de López assim como contra a criminalidade crescente, a escassez de produtos e a inflação de mais de 50% que dificulta a vida de muitos no país de quase 30 milhões de habitantes.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.