Após diálogo com UE e oposição, líder também promete criar governo de unidade e mudar Carta para reduzir seus poderes

O presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, anunciou um acordo nesta sexta-feira para a realização de eleições presidenciais antecipadas e prometeu formar um governo de unidade nacional em uma tentativa de pôr fim a uma crise que deixou dezenas de mortos e centenas de feridos nesta semana.

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Manifestantes antigoverno gritam 'Glória à Ucrânia' enquanto constroem barricada na Praça da Independência em Kiev (21/2)
AP
Manifestantes antigoverno gritam 'Glória à Ucrânia' enquanto constroem barricada na Praça da Independência em Kiev (21/2)

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Os líderes da oposição assinaram o acordo com o presidente e com mediadores europeus, no que pode ser um grande avanço em uma crise de três meses. A questão-chave, porém, é se os manifestantes acampados em Kiev aceitarão o pacto.

Autoridades europeias fizeram a ressalva de que ainda é muito cedo para declarar um avanço em um impasse que mergulhou o país em sua violência mais mortal desde que conseguiu a independência da União Soviética, há 25 anos.

Em uma declaração em seu site, Yanukovych disse que começaria o processo para as eleições antecipadas, mas não deu nenhuma data. Ele também prometeu fazer mudanças constitucionais que reduzam seus poderes, uma demanda-chave da oposição. O anúncio foi feito depois de negociações que duraram toda a noite com a oposição e três ministros da União Europeia (UE) para resolver a crise.

Vídeo: Kiev vira campo de batalha entre policiais e manifestantes

Yanukovych e os manifestantes da oposição que reivindicam sua renúncia estão presos em um impasse sobre a identidade da nação de 46 milhões de habitantes, cujas lealdades estão divididas entre Rússia e o Ocidente. Partes do país – principalmente na região ocidental – declararam revolta contra o governo ucraniano no final de novembro, depois que ele abriu mão de um acordo há muito tempo esperado com a UE em troca de um pacote de resgate de US$ 15 bilhões da Rússia .

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Os manifestantes avançaram contra as linhas policiais no centro da capital da Ucrânia na quinta-feira, fazendo franco-atiradores do governo disparar e matar dezenas . Oleh Musiy, o principal coordenador médico dos manifestantes, disse que ao menos 70 foram mortos na quinta, dia que também deixou 500 feridos. O Ministério do Interior afirmou que três policiais foram mortos e outros 28 foram feridos por disparos.

O Ministério da Saúde, porém, afirmou em seu site que 77 morreram entre terça-feira, quando a violência começou, e a manhã desta sexta. A nota também afirmou que os confrontos deixaram 577 feridos, com 369 deles tendo sido internados. Não há como verificar nenhum dos totais de mortos de forma independente.

*Com AP e Reuters

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