Trégua fracassa e novo confronto deixa dezenas de mortos na Ucrânia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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No dia mais violento na crise de 3 meses, contagens vão de ao menos 21 a 70 manifestantes mortos, com centenas de feridos

Confrontos violentos entre a polícia e manifestantes – inclusive com uso de franco-atiradores –quebraram uma breve trégua acertada no dia anterior em Kiev, capital da Ucrânia, nesta quinta-feira (20), desatando uma onda de violência que deixou dezenas de mortos, em uma contagem que vai de um total de ao menos 21 a 70 manifestantes.  Em resposta à violência, a União Europeia anunciou a imposição de sanções contra a Ucrânia.

Quarta: Presidente da Ucrânia e oposição anunciam trégua

AP
Ativistas seguram bandeira 'Pela Ucrânia' diante dos corpos de manifestantes mortos em confronto com a polícia, na Praça da Independência, em Kiev (20/02)


Terça: Polícia invade acampamento de manifestantes em Kiev e deixa mortos

Testemunhas disseram à BBC que alguns morreram como resultado de um ferimento feito por uma única bala, típico de franco-atiradores. Autoridades disseram que um policial foi morto e que outros 67 foram capturados pelos manifestantes. Não ficou claro como eles foram capturados. Segundo um senador opositor, eles estão presos na prefeitura ocupada de Kiev.

As novas mortes aconteceram horas após o presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, e os líderes da oposição, que exigem sua demissão, anunciarem uma trégua para tentar resolver a crise política do país.

Obama critica repressão: Franco-atiradores disparam em manifestantes na Ucrânia

O presidente e os manifestantes da oposição estão presos em um impasse sobre a identidade dessa nação de 46 milhões de habitantes, cujas lealdades estão divididas entre Rússia e o Ocidente. Partes do país – principalmente na região ocidental – declararam revolta contra o governo de Yanukovych no final de novembro, depois que ele abriu mão de um acordo há muito tempo esperado com a União Europeia em troca de um pacote de resgate de US$ 15 bilhões da Rússia.

Veja a galeria de fotos dos protestos na Ucrânia:

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

Obama adverte contra violência: Presidente da Ucrânia nomeia novo chefe militar

Um repórter da Associated Press contou 21 corpos expostos na beira do acampamento em que os manifestantes estão concentrados no centro de Kiev. Por sua vez, Oleh Musiy, o principal coordenador médico dos manifestantes, disse que ao menos 70 foram mortos nesta quinta-feira, dia que também deixou 500 feridos. Não há como confirmar a informação de forma independente. Além do policial morto, 28 sofreram ferimentos por causa de tiros, segundo o porta-voz do Ministério do Interior Serhiy Burlakov.

Vídeo: Kiev vira campo de batalha entre policiais e manifestantes

À medida que a violência explodia e a densa fumaça da queima de barricadas subia no acampamento dos manifestantes, chanceleres de três países europeus reuniram-se com Yanukovych.

Kremlin: Rússia descreve protestos na Ucrânia como 'tentativa de golpe'

AP
Corpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2)

Dizendo que os EUA estão ultrajados com a violência, o presidente Barack Obama emitiu uma declaração conclamando Yanukovych a retirar suas forças do centro de Kiev imediatamente. Os EUA consideram a possibilidade de se unir às sanções que a União Europeia adotou contra os que forem considerados responsáveis pela violência.

Previamente às mortes desta quinta, o Ministério da Saúde ucraniano confirmou 28 mortes e 287 internações nesta semana. Manifestantes que improvisaram uma instalação de cuidados médicos no centro da catedral disseram, porém, que os números de feridos são significantemente maiores – possivelmente até o triplo do anunciado pelo governo.

Galeria de fotos: Protestos da Ucrânia parecem uma batalha medieval

O surto de violência de rua no país começou na terça-feira (18), quando manifestantes atacaram as linhas policiais e colocaram fogo do lado de fora do Parlamento, acusando Yanukovych de ignorar suas demandas - eles pedem reformas constitucionais que limitam o poder do presidente. No entanto, o Parlamento, dominado por seus partidários, vinha adiando assumir uma reforma constitucional que limitaria os poderes presidenciais.

*Com AP

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