Oposição da Venezuela denuncia 'brutal repressão' do governo de Maduro

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Segundo Capriles, polícia invade prédios para prender rivais acusados de golpe: 'O que o governo quer, uma guerra civil?'

Os líderes da oposição da Venezuela criticaram o governo nesta quinta-feira por sua tentativa de reprimir um movimento de protesto com ações de inspeção noturnas que transformaram muitas partes do país em perigosas zonas de uso de armas de fogo.

Leopoldo López: Líder da oposição enfrenta acusações na Venezuela

AP
Líder da oposição Henrique Capriles dá coletiva em Caracas, Venezuela

Terça: Líder da oposição se entrega à polícia durante protesto na Venezuela

A polícia, os soldados da Guarda Nacional e membros de milícias privadas encheram as ruas da capital e de outras cidades disparando rajadas, algumas vezes indiscriminadamente, em espasmos repetidos de violência noturna em dias recentes.

Henrique Capriles, o por duas vezes candidato da oposição à presidêndia, disse que o governo se engajou em uma "repressão brutal" enquanto busca estudantes e outros manifestantes, em algumas vezes invadindo prédios de apartamento para prender aqueles acusados de participar em uma tentativa de golpe. "O que o governo quer, uma guerra civil?", indagou Capriles em uma coletiva.

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David Smolansky, um prefeito de um distrito em Caracas e membro do partido Vontade Popular, disse que a prisão de seu líder, Leopoldo López, e a agressiva caçada por outros dois membros da legenda fazem parte da onda mais dura de perseguição política em décadas. "Se este não é um sistema totalitário, então não sei o que pode explicar o que acontece neste país", disse Smolansky.

Uma semana de protestos, começando com uma grande marcha da oposição no dia 12, resultou em ao menos seis mortos e mais de cem feridos. Entre as vítimas está a Miss Turismo Carabobo 2013, Génesis Carmona, de 22 anos, que foi atingida na terça por um disparo na cabeça.

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Enquanto várias grandes manifestações têm sido pacíficas, grupos menores de manifestantes arremessaram bombas de gás e pedras e bloquearam ruas com barricadas de lixo em chamas. Soldados e policiais responderam com gás lacrimogêneo, balas de borracha e canhões de água. Também houve a ação de homens disparando de motocicletas em movimento.

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Os embates com as autoridades, assim como a busca por ativistas antigoverno, acontece no escuro. Durante o dia, a capital vem amplamente funcionando de forma normal, com comércios e escolas abertos e com as pessoas cuidando das próprias vidas enquanto estocam suprimentos em caso de escalada dos tumultos.

O presidente Nicolás Maduro e seus partidários dizem que os protestos contra o governo socialista no país rico em petróleo, mas que enfrenta um crise econômica, fazem parte de uma tentativa de golpe patrocinada por oponentes de direita e por "fascistas" na Venezuela e no exterior, particularmente os EUA.

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Maduro prometeu reprimir os protestos, particularmente em Táchira, na fronteira oeste com a Colômbia, onde os tumultos têm sido particularmente fortes. O ministro do Interior disse nesta quinta-feira que enviaria um batalhão de paraquedistas para lá para restaurar a ordem.

O ministro do Interior Migues Rodríguez Torres disse que o envio de soldados para a cidade de fronteira de San Cristóbal, um reduto da oposição onde Maduro afirmou considerar impor a lei marcial, é necessário porque a instabilidade tem impedido a população de voltar para suas vidas. "Não é uma questão de militarização, mas simplesmente para restaurar a ordem", disse.

AP
Partidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2)

O vice-prefeito de San Cristóbal, Sergio Vergara, do Vontade Popular, disse que partes da cidade estão sem transporte público e sem serviço de internet em dias recentes e que a presença de cerca de 3 mil soldados em uma cidade de 600 mil habitantes faz "efetivamente parte de um esforço de repressão sendo feito pelo governo em todo o país".

Na madrugada desta quinta, um juiz determinou que há provas suficientes para prender López, que se entregou à polícia na terça-feira perante milhares de partidários, sob acusações penais que incluem incêndio criminoso e incitação criminosa pela organização da manifestação de 12 de fevereiro.

Os promotores decidiram não pedir acusações mais sérias, incluindo homicídio e terrorismo, quando López fez uma aparição em uma corte em uma base militar perto de Caracas depois de uma noite em que a violência atingiu o país. O político de 42 anos pode ser sentenciado a pelo menos dez anos de prisão.

Os manifestantes planejam um grande protesto no sábado contra a detenção de López assim como contra a criminalidade crescente, a escassez de produtos e a inflação de mais de 50% que dificulta a vida de muitos no país de quase 30 milhões de habitantes.

*Com AP

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