Promotores não pedem acusações de terrorismo e homicídio contra opositor, mas juiz decide mantê-lo preso por outras

Um juiz determinou na madrugada desta quinta-feira que o líder da oposição Leopoldo López, que se entregou à polícia na terça-feira perante milhares de partidários, continue preso sob acusações penais que incluem incêndio criminoso e incitação criminosa pela organização de uma grande manifestação em 12 de fevereiro que abriu caminho para uma semana de violência que já deixou seis mortos na Venezuela. Entre as vítimas está a Miss Turismo Carabobo 2013, Génesis Carmona , de 22 anos, que foi atingida na terça por um disparo na cabeça.

Terça: Líder da oposição se entrega à polícia durante protesto na Venezuela

Envolto em bandeira venezuelana, líder opositor Leopoldo López (2º à D) é cercado por manifestantes antigoverno e pela mídia antes de se entregar em Caracas, Venezuela (18/2)
AP
Envolto em bandeira venezuelana, líder opositor Leopoldo López (2º à D) é cercado por manifestantes antigoverno e pela mídia antes de se entregar em Caracas, Venezuela (18/2)

Dia 13: Juíza da Venezuela ordena prender opositor após protestos

Os promotores decidiram não pedir acusações mais sérias, incluindo homicídio e terrorismo, quando López fez uma aparição em uma corte em uma base militar perto de Caracas depois de uma noite em que a violência atingiu o país. O político de 42 anos pode ser sentenciado a pelo menos dez anos de prisão.

No México: Obama critica resposta do presidente da Venezuela aos protestos

Em uma mensagem no Twitter, a mulher do líder da oposição, Lilian Tintori, conclamou os partidários do marido a continuar na luta enquanto ela confirmava que ele permaneceria preso. "A mudança está dentro de todos nós", escreveu. "Não desistam. Eu não irei."

Nas horas anteriores à decisão, o presidente Nicolás Maduro sugeriu um um discurso nacionalmente televisionado que López continuaria preso e enfrentaria as acusações criminais.

Quarta: Miss morre após ser baleada na cabeça durante protesto na Venezuela

"Eu digo, 'Envio-o à prisão', e é isso foi o que aconteceu e isso é o que acontecerá com todos os fascistas", disse Maduro em um discurso que durou mais de duas horas. "Não permitirei que ele desafie a população da Venezuela, a Constituição."

O governo acusou López, um ex-prefeito e líder do partido Vontade Popular, de tentar fomentar um golpe na nação sul-americana.

Enquanto sua aparição à Justiça era esperada durante a noite, manifestantes antigoverno em Caracas e em outras cidades atearam fogo em lixos nas ruas e lançaram pedras contra os soldados da Guarda Nacional, que responderam com gás lacrimogêneo, canhões de água e balas de borracha. Disparos foram ouvidos no centro de Caracas enquanto Maduro falava na televisão. Não houve informações imediatas sobre vítimas.

Conspiração: Governo vê tentativa de golpe em protestos na Venezuela

Os manifestantes protestam contra a detenção de López assim como contra a criminalidade crescente, a escassez de produtos e a inflação de mais de 50% que dificulta a vida de muitos no país de quase 30 milhões de habitantes.

O presidente disse que tomaria duras medidas em Táchira, um reduto da oposição na fronteira oeste com a Colômbia, onde houve duros confrontos entre as forças de segurança e os manifestantes da oposição. Maduro disse estar preparado para declarar um "estado de exceção", uma espécie de lei marcial. "Se tiver de decretar estado de exceção em Táchira, enviarei tanques, estou pronto para fazer isso", alertou.

*Com AP

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.