Franco-atiradores disparam em manifestantes na Ucrânia; Obama critica repressão

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Com dezenas de mortos, dia é o mais violento na crise de três meses. Autoridades dizem que oposição capturou 67 policiais

Temendo que uma declaração de trégua fosse uma armadilha, manifestantes lançaram bombas incendiárias e avançaram contra linhas policiais nesta quinta-feira na capital da Ucrânia, Kiev. Franco-atiradores do governo e policiais reagiram, causando uma onda de violência que deixou dezenas de mortos, em uma contagem que vai de um total de ao menos 21 a 70 manifestantes. Em resposta à violência, a União Europeia anunciou a imposição de sanções contra a Ucrânia.

Violência: Trégua fracassa e novo confronto deixa mais dezenas de mortos na Ucrânia

AP
Corpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2)

Vídeo: Kiev vira campo de batalha entre policiais e manifestantes

Testemunhas disseram à BBC que alguns morreram como resultado de um ferimento feito por uma única bala, típico de franco-atiradores. Autoridades disseram que um policial foi morto e que outros 67 foram capturados pelos manifestantes. Não ficou claro como eles foram capturados. Segundo um senador opositor, eles estão presos na prefeitura ocupada de Kiev.

Vídeos da televisão ucraniana mostraram cenas chocantes de manifestantes caindo ao ser atingidos, com companheiros correndo para prestar auxílio enquanto eles estavam deitados no pavimento. Tentando se proteger com escudos, grupos de manifestantes carregaram corpos em pedaços de plástico ou pedaços de madeira.

Acusação: Ativista diz que foi sequestrado, torturado e jogado em floresta

O presidente Viktor Yanukovych e os manifestantes da oposição que demandam sua renúncia estão presos em um impasse sobre a identidade dessa nação de 46 milhões de habitantes, cujas lealdades estão divididas entre Rússia e o Ocidente. Partes do país – principalmente na região ocidental – declararam revolta contra o governo de Yanukovych no final de novembro, depois que ele abriu mão de um acordo há muito tempo esperado com a União Europeia em troca de um pacote de resgate de US$ 15 bilhões da Rússia.

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

Nesta quinta, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que mandará um enviado à Ucrânia a pedido do presidente para tentar mediar as conversas com a oposição. "Putin decidiu enviar o ombudsman de direitos humanos (russo) Vladimir Lukin nesta missão", informou a agência RIA, citando o porta-voz Dmitry Peskov, cuja declaração foi feita após uma conversa telefônica entre Putin e Yanukovych.

Dia 4: Parlamentares da oposição propõem diminuir poderes do presidente

Um câmera da AP viu franco-atiradores disparando contra os manifestantes em Kiev e gravações mostraram ao menos um deles usando um uniforme da tropa de choque ucraniana.

Oleh Musiy, o principal coordenador médico dos manifestantes, disse que ao menos 70 foram mortos nesta quinta-feira, dia que também deixou 500 feridos. Não há como confirmar a informação de forma independente. Previamente, um repórter da Associated Press contou 21 corpos na margem de um campo de protesto na capital. Além do policial morto, outros 28 foram feridos por disparos, disse o porta-voz do Ministério do Interior Serhiy Burlakov.

Medida: União Europeia impõe sanções à Ucrânia por repressão violenta

Dizendo que os EUA estão ultrajados com a violência, o presidente Barack Obama emitiu uma declaração conclamando Yanukovych a retirar suas forças do centro de Kiev imediatamente. Os EUA consideram a possibilidade de se unir às sanções que a União Europeia adotou contra os que forem considerados responsáveis pela violência.

AP
Ativistas seguram bandeira 'Pela Ucrânia' diante dos corpos de manifestantes mortos em confronto com a polícia, na Praça da Independência, em Kiev (20/02)

O Ministério do Interior alertou os moradores de Kiev a permanecer em ambientes fechados nesta quinta-feira por causa das "pessoas armadas e de humor agressivo". Também nesta quinta, Yanukovych alegou que a polícia não está armada e "todas as medidas para parar o banho de sangue e o confronto estão sendo tomadas". Mas o Ministério do Interior mais tarde contradisse isso, afirmando que os policiais usariam armas como parte de uma operação "antiterrorista".

Quarta: Ucrânia lança operação antiterrorista

A mais recente violência começou na terça-feira, quando manifestantes atacaram linhas policiais e incendiaram pontos do lado de fora do Parlamento, acusando Yanukovych de ignorar suas demandas para realizar reformas constitucionais que mais uma vez limitariam os poderes presidenciais.

Terça: Polícia invade acampamento de manifestantes em Kiev e deixa mortos

Previamente às mortes desta quinta, o Ministério da Saúde ucraniano confirmou 28 mortes e 287 internações nesta semana. Manifestantes que improvisaram uma instalação de cuidados médicos no centro da catedral disseram, porém, que os números de feridos são significantemente maiores – possivelmente até o triplo do anunciado pelo governo.

*Com AP

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