Coreias promovem primeiro encontro entre famílias em quatro anos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Reunião ocorreu em resort da Coreia do Norte. Encontro anterior das famílias separadas pela guerra havia sido em 2010

Dezenas de idosos da Coreias do Norte e do Sul, separadas por seis décadas, se reuniram nesta quinta-feira (20) com choros e abraços, em uma onda de palavras e emoção.

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AP
O sul-coreano Park Yang-gon, à esquerda, e seu irmão da Coreia do Norte, Park Yang Soo, se emocionam em encontro realizado no lado norte da Coreia (20/02)


Em fevereiro: Coreias concordam em realizar encontros entre famílias separadas 

As reuniões ocorreram durante raro período sem tensão entre as duas Coreias e tudo fica ainda mais pungente porque os participantes do encontro se separarão novamente em alguns dias, provavelmente para sempre.

Cerca de 80 sul-coreanos viajaram sob a neve com seus familiares para o resort Montanha Diamante, na Coreia do Norte, onde encontraram filhos, irmãos, irmãs, cônjuges e outros parentes. Seul havia dito que 180 coreanos do lado Norte eram esperados para a reunião.

A TV sul-corerana mostrou uma velhinha em um vestido brilhante e colorido conversando e abraçando familiares e vendo fotos dos que não puderam comparecer ou já morreram. Enxugando suas lágrimas, dois homens de terno e gravata agarraram um ao outro pelo pescoço e pressionaram suas testas uma contra a outra, enquanto os flashs de várias câmeras eram disparados. Um velhinho foi transportado ao local do encontro em uma maca com rodas, com a cabeça apoiada em um travesseiro e um cobertur azul enrolado em seu corpo.

Esses encontros - o primeiro em mais de três anos por causa das tensões entre os dois lados do país - são uma lembrança viva de que, apesar de 60 anos de animosidade, desentendimentos, brigas e ocasionais troca de artilharia, as fronteiras mais fortemente armadas do mundo dividem um único povo.

A reunião veio tarde demais para Seo Jeong-suk, de 90 anos, que morreu na Coreia do Sul apenas 15 dias antes do encontro. Sua filha Kim Yong-ja, 68, soluçou de emoção quando entregou à sua irmã, que não via há muito tempo, uma foto emoldurada de Seo. Kim Yong Sil apertou a foto contra seu peito e disse: “Essa é uma foto da mamãe.”

Para várias outras famílias, o envelhecimento e doenças não frustraram os encontros. Pelo contrário. A reunião foi doce. “Irmã, por que você não pode me ouvir?”, perguntou a norte-coreana Ri Jong Sil, de 84 anos, a Lee Young-sil, de 87, que estava com dificuldade de reconhecer as pessoas por causa do Alzheimer, de acordo com a mídia sul-coreana.

As lágrimas de Ri rolaram em seu rosto assim que a filha de Lee começou a soluçar, dizendo: “Mãe, essa é a minha tia. É a minha tia. Ela é sua irmã.”

A diferença no sobrenome das irmãs é um produto da divisão na Península Coreana: eles dividem o mesmo nome na língua coreana, mas cada país usa diferentes regras para a ortografia ao traduzi-los.

A norte-coreana Ri Chol Ho, de 77 anos, usou o pedaço de um papel para se comunicar com seu irmão de 81 anos, Lee Myeong-ho, da Coreia do Sul, que tem problema auditivo.

“Mamãe costumava dizer que você voltaria para a casa e compraria um par de sapatos de borracha”, escreveu ela e passou para o irmão, segundo a mídia sul-coreana.

Esses coreanos alguns dos pouco sortudos. Milhões foram separados de seus entes queridos pelo conflito e pelo derramamento de sangue da guerra de três anos que terminou em 1953. Durante período anterior de aproximação entre as duas Coreias, cerca de 22 mil coreanos tiveram apenas breves reuniões – 18 mil pessoalmente e o restante, por vídeo. Nenhum deles terá uma segunda chance de rever seus parentes, afirma Seul.

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