Crise na Venezuela desencadeia 'batalha virtual' online

Por BBC Brasil |

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Polarização do país se reflete no Twitter. Clima é de tensão em rede social após morte de 3 manifestantes, na semana passada

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Em meio à onda de protestos pró e contra o governo da Venezuela, cresce nas redes sociais uma "batalha virtual" sobre os rumos da política do país. O Twitter, em particular, entrou em clima de alta tensão desde que três manifestantes foram mortos, na semana passada, ao fim de um protesto da oposição.

Leopoldo López: Líder da oposição se entrega à polícia durante protesto na Venezuela

AP
Envolto em bandeira venezuelana, líder opositor Leopoldo López (2º à D) é cercado por manifestantes antigoverno e pela mídia antes de se entregar em Caracas, Venezuela


Conspiração: Governo vê tentativa de golpe em protestos na Venezuela

O país já é, em geral, um importante polo de uso de Twitter. E, com poucas notícias sendo transmitidas a respeito do protesto nas principais emissoras de TV e rádio, muitos venezuelanos têm se voltado às redes sociais em busca de informações.

Na noite desta terça-feira, após a prisão do líder oposicionista Leopoldo López, diversas hashtags a favor e contra os protestos estavam entre os principais assuntos do momento no Twitter, como #ResistenciaVzla e #18FLeopoldoTeAcompano.

Jornal: Juíza da Venezuela ordena prender opositor após protestos com 3 mortos

Confira os protestos venezuelanos 

Polícia nacional da Venezuela dispara gás lacrimogêneo enquanto manifestante antigoverno se ajoelha segurando pedra durante confrontos em Caracas (6/4). Foto: ReutersManifestantes mostram cartazes com fotos de ativistas mortos durante protestos antigoverno na Plaza Altamira em Caracas, Venezuela (20/3). Foto: APPartidários do líder da oposição Leopoldo López se reúnem para protesto que pede a libertação do político após um mês de sua prisão, na Venezuela (18/03). Foto: APGuardas das forças bolivarianas patrulham a Plaza Altamira após tomarem o controle do local em Caracas, Venezuela (17/3). Foto: APEstudante da Universidade Central da Venezuela grita contra governo de Nicolás Maduro durante protesto em Caracas (12/3). Foto: APManifestante antigoverno corre em meio ao gás lacrimogêneo lançado pela polícia durante protesto em Caracas, Venezuela (12/3). Foto: ReutersManifestante joga lata de gás lacrimogêneo em direção à polícia durante protesto antigoverno em Caracas, Venezuela (11/3). Foto: APGuardas prendem manifestante durante conflitos entre ativistas e motociclistas em Los Ruices, Venezuela (10/3). Foto: APPolícia impede passagem de manifestantes que protestavam contra escassez de alimentos (8/3). Foto: APManifestantes se preparam para jogar coquetéis molotov durante confrontos em Caracas, Venezuela (6/3). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana se protegem de fogos de artifício lançados contra eles por manifestantes em Caracas, Venezuela (março/2014). Foto: APManifestantes seguram cartazes com imagens de venezuelanos que foram mortos nas duas últimas semanas durante marcha em Caracas (28/2). Foto: APManifestantes rolam cano de água na tentativa de bloquear uma rodovia importante em Caracas, Venezuela (27/02). Foto: APOficiais da Guarda Nacional Bolivariana avançam em direção a protestos antigoverno em Valencia, Venezuela (26/2). Foto: APManifestante segura placa em frente de cordão da Guarda Nacional Bolivariana durante protesto perto da Embaixada de Cuba em Caracas, Venezuela (25/2). Foto: APObjetos colocados por manifestantes da oposição bloqueiam estrada no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APOpositor caminha perto de acusação feita a presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em rua no bairro de Altamira, Caracas (21/2). Foto: ReutersManifestante envolto com a bandeira da Venezuela coloca mais objetos em barricada em chamas no bairro de Altamira, em Caracas, Venezuela (20/2). Foto: APPartidários do governo venezuelano marcham no centro de Caracas (20/2). Foto: APManifestante levanta os braços em direção à polícia que lança gás lacrimogêneo em bairro de Caracas, Venezuela (19/2). Foto: APMiss Génesis Carmona é levada de moto a hospital. Ela morreu após ter sido atingida por disparo na cabeça em 18/2. Foto: Reprodução/TwitterManifestante usa máscara caseira para se proteger de gás durante protestos em avenida de Caracas, Venezuela (18/02). Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente Nicolás Maduro durante marcha em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APLeopoldo López, líder da oposição da Venezuela, é preso vestido de branco e segurando flor em Caracas, Venezuela (18/2). Foto: APManifestante cobre a boca com pano durante protesto contra a censura do governo venezuelano em Caracas (17/2). Foto: APManifestante atira pedras na Força Nacional Bolivariana durante protesto na Venezuela (15/2). Foto: APManifestantes fecham a principal via da Venezuela (15/2). Foto: ReutersManifestantes na Venezuela são dipersados com canhões de água e gás lacrimogêneo (15/2). Foto: Carlos Garcia Rawlins/ReutersUniversitária segura cartaz em que se lê 'E quem tem as armas?' enquanto se manifesta contra o presidente Nicolás Maduro em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes choram durante vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APEstudantes comparecem à vigília em Caracas por dois jovens mortos em confrontos violentos na Venezuela (13/2). Foto: APJovem segura livro marcado em espanhol com a frase 'Esta é a minha arma' durante protesto contra repressão de estudantes em Caracas, Venezuela (13/2). Foto: APEstudante segura cartaz em que se lê 'Paz e liberdade' durante manifestação em Caracas, Venezuela (13/2)
. Foto: APEstudantes gritam slogans contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante protesto em Caracas (13/2)
. Foto: AP

Algumas das hashtags mais populares entre a oposição estão em inglês (#prayforVenezuela e #sosVenezuela) e, até terça-feira desta semana, haviam sido tuitadas mais de 1,2 milhão de vezes; elas ganharam popularidade não apenas no país, mas também nos Estados Unidos, que abriga uma considerável colônia de expatriados venezuelanos.

Seguidores

A conta de Twitter de López (que se entregou à Guarda Nacional, em uma rendição acordada com o presidente Nicolás Maduro) é a que mais ganha seguidores no momento no país, segundo o site de análise de mídias sociais Socialbakers.

López tem popularizado a hashtag #lasalida (a saída), movimento que pede a renúncia de Maduro - o que levou muitos venezuelanos a acusarem-no de tentar promover um golpe de Estado.

O governo, bem como seus simpatizantes, também estão usando as redes sociais com grande intensidade, explica Billy Vaisberg, que coordena um site de monitoramento do uso do Twitter na Venezuela.

"É como uma batalha virtual", diz ele, entre simpatizantes de governo e oposição tentando fazer com que suas hashtags sejam as mais comentadas.

O ex-presidente Hugo Chávez, que inicialmente foi um crítico do Twitter, depois sucumbiu e se tornou um grande usuário da rede social, estimulando muitos venezuelanos a abrirem uma conta na rede. Hoje, muitas autoridades venezuelanas passaram a adotar o Twitter - em vez de comunicados à imprensa - para anunciar notícias importantes.

Uma das mais populares hashtags pró-governo é #tropa, usada para convocar aliados para uma variedade de causas simpáticas ao governo. Na quarta-feira da semana passada, nas horas que se seguiram aos protestos estudantis em Caracas, havia relatos - confirmados pelo Twitter - de que algumas imagens específicas haviam sido bloqueadas na rede social, supostamente a pedido do governo.

Já o governo criticou usuários da rede por circularem imagens "falsas", depois de usuários terem postado fotos que alegavam terem tirados nas ruas da Venezuela, mas cuja origem foi rastreada a lugares como Egito, Grécia e Espanha.

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