Bush 'latino' é promessa do Partido Republicano nos EUA

Por BBC Brasil |

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Neto e sobrinho de ex-presidentes, ele pretende alcançar cargo público no Texas de olho na carreira política norte-americana

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Na história das grandes dinastias políticas dos Estados Unidos, não há dúvidas de que a família Bush ocupa um lugar de destaque. O pioneiro foi Prescott Bush, eleito senador em 1952. Depois veio seu filho, o ex-presidente George H.W. Bush, seguido por seus netos, o ex-governador do Texas e ex-presidente George W. Bush e o ex-governador da Flórida, Jeb Bush.

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Reprodução/AP
Aos 37 anos, George P. Bush tem uma carreira política promissora à sua frente segundo analistas políticos



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Agora um novo membro do clã Bush se lança na arena política - e muitos analistas preveem uma carreira promissora para ele. É George P. Bush, filho de Jeb Bush e da americana-mexicana Columba Garnica, que pretende se tornar, em novembro próximo, o novo comissário de terras do Texas.

Trata-se de um cargo público de relativa importância; mas muitos dos que conhecem esse ambicioso jovem de 37 anos não têm dúvidas de que seu objetivo a longo prazo é seguir os passos de seus parentes ilustres.

Além disso, muitos consideram que sua herança hispânica e suas opiniões moderadas na questão da imigração podem ajudar o Partido Republicano a recuperar apoio entre eleitores latinos, um grupo cada vez mais decisivo nas eleições.

O que não está tão claro - no caso de algum dia ele decidir entrar na cena política nacional - é que tipo de efeito podem ter sobre suas ambições o sobrenome Bush (já que a lembrança da Presidência de seu tio George ainda está viva na memória) e suas posturas conservadoras, próximas do que postula o Tea Party em assuntos como o aborto e a função do governo federal.

Vínculo com a política

Nascido em Houston, no Texas, em 1976, George P. Bush cresceu no Estado da Flórida, que foi governado por seu pai entre 1999 e 2007. Ele voltou a seu Estado natal para estudar na Universidade Rice. Depois de lecionar por algum tempo em uma escola pública em Miami, cursou e se formou em Direito pela Universidade do Texas.

Nos últimos anos, trabalhou em escritórios de investimento e, por alguns meses de 2010, exerceu a função de oficial de inteligência no Afeganistão pela reserva da Marinha americana. Casado e pai de um menino, Bush se envolveu com o mundo da política desde cedo.

Ainda era apenas um adolescente quando discursou nas convenções republicanas de 1988 e 1992, nas quais seu avô foi eleito candidato à presidência dos Estados Unidos. Também participou das campanhas presidenciais de 2000 e 2004 de seu tio George W. Bush e fez parte de várias delegações de congressistas americanos em viagens aos exterior em anos recentes.

A tudo isso se soma seu trabalho como copresidente do Maverick Park, grupo que tenta atrair uma nova geração de eleitores conservadores, e como cofundador da organização Republicanos Hispânicos do Texas, que busca identificar e promover potenciais candidatos conservadores de origem latina.

No fim de 2013, anunciou que iria candidatar-se a comissário de terras do Texas, um cargo que o tornaria responsável pela administração dos terrenos e depósitos estatais de minerais e petróleo. Segundo analistas, o cargo está praticamente garantido por Bush.

Até o mês de janeiro, sua campanha já havia arrecadado cerca de US$ 3 milhões (o equivalente a R$ 7,14 milhões) enquanto seus rivais, o republicano David Watts e o democrata John Cook, não haviam conseguido obter mais do que alguns poucos milhares de dólares.

O poder econômico da campanha do jovem candidato se deve em grande parte às conexões políticas que sua família tem no Texas e pelo grande apoio que tradicionalmente os Bush recebem neste Estado.

Consciente de que para alguns eleitores de direita os Bush não são suficientemente conservadores em certas questões, George P. Bush não hesitou nos últimos meses em se alinhar com as posturas do Tea Party.

'Imagem positiva'

"Muitos acreditam que Bush tem um grande futuro no mundo da política. As pessoas com as quais ele se rodeou têm muita experiência, e ele está se assegurando de que está dando todos os passos certos", garante o jornalista texano Christopher Hooks, colaborador da revista Politico.

"Mesmo que seu sobrenome e sua origem tenham contribuído para impulsionar sua carreira, ele é um sujeito inteligente. Está há pouco tempo na política e ainda não teve tempo de exibir suas qualidades", destaca Hooks à BBC Mundo.

"Apesar de muitos republicanos não enxergarem os Bush de forma muito favorável, no Texas é diferente. Aqui seguem tendo uma imagem muito positiva deles", afirma o jornalista.

Na opinião de Hooks, George P. Bush pode, no futuro, ajudar a melhorar a imagem do Partido Republicano entre os eleitores hispânicos no Texas, um grupo cada vez mais importante, mesmo que "o objetivo não seja ganhar a maioria desses votos, mas aumentar a porcentagem de simpatizantes nesta comunidade". Geroge P. Bush foi criado na Flórida, estado governado por seu pai entre 1999 e 2007

Bush tem defendido que o governo americano crie um novo programa de vistos para trabalhadores. Apesar disso, seus críticos no Partido Democrata dizem que ele é contrário à legalização de jovens imigrantes que foram trazidos ao país ainda crianças. Também quer que o inglês seja o idioma oficial do Texas e dos Estados Unidos e não concorda que sejam dadas carteiras de motorista para quem não esteja com os documentos em dia.

Por isso, muitos acreditam que a ascendência hispânica e o espanhol fluente não sejam suficientes para atrair eleitores latinos para o Partido Republicano.

"Na questão da reforma da imigração, ele tentou se distanciar de outros republicanos mais extremistas, mas é um típico membro do Tea Party na maioria dos assuntos", diz Christopher Hooks.

"Apesar de não ter que falar sobre temas como o aborto, já que sua eleição está praticamente garantida, ele tem feito isso durante a campanha, o que tradicionalmente atrai os conservadores. Inclusive, ele está se posicionando mais à direita do que seu tio George W. Bush e outros membros de sua família", afirma Hooks.

Futuro presidente?

Wayne Slater, jornalista do diário Dallas Morning News, acredita que, com sua estratégia de campanha, George P. Bush quer mudar a imagem negativa que muitos do Tea Party têm de seus parentes.

"Ao expor ideias mais conservadoras, ele está atraindo eleitores mais à direita", diz Slater à BBC Mundo. Ao mesmo tempo, o jornalista considera que suas posições moderadas nas questões de imigração "contribuem para suavizar sua imagem", o que pode ajudá-lo a ganhar o voto latino.

"Estamos vendo o início da carreira política de uma nova geração dos Bush. George P. é muito eloquente e inteligente, e acredito que no médio ao longo prazo ele se lançará na arena da política nacional, onde poderá sair-se muito bem", afirma Slater.

"Não estranharia se chegasse a governador do Texas e que aspire no futuro a ser vice-presidente e presidente dos Estados Unidos".

Antes disso, George P. Bush deverá construir uma carreira política no Texas. Haverá um terceiro presidente da dinastia Bush? O tempo dirá.

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