Confronto entre manifestantes e polícia deixa quatro mortos na Tailândia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Grupos exigem que a primeira-ministra Yingluck Shinawatra renuncie ao cargo. Ela está sendo investigada por corrupção

Centenas de homens da polícia de choque tentaram dispersar os manifestantes antigoverno de toda a capital da Tailândia nesta terça-feira (18), desencadeando confrontos que deixaram ao menos quatro mortos e 64 feridos. Vários tiros foram ouvidos próximo ao palácio do primeiro-ministro, onde a polícia de choque havia começado a remover os manifestantes e desmontar um palco improvisado, mas não ficou claro quem estava atirando.

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AP
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De acordo com os serviços médicos de emergência Erawan, entre os mortos estão três manifestantes e um policial. O chefe do departamento de investigação especial, Tharit Pengdit, explicou durante coletiva que os protestantes haviam lançado granadas na polícia. Mais tarde, os policiais se retiraram.

Em outro golpe para o governo, a agência de estado anticorrupção acusou a primeira-ministra Yingluck Shinawatra na terça-feira por causa de um esquema de manipulação inadequada do subsídio do arroz, deixando-o mais caro. O caso a deixa sob risco de perder o cargo. O governo atrasou, há alguns meses, o pagamento dos agricultores de arroz, que se comprometeram a vender a safra por preços acima do mercado.

A comissão disse que Yingluck foi chamada para ouvir as acusações formalmente em 27 de fevereiro. Se o caso for levado para o Senado com possibilidade de um impeachment, ela será imediatamente suspensa de sua função até seu julgamento pelo Senado.

O governo de Yingluck tem tentado impedir a violência e manter os militares afastados. A Tailândia tem sido assolada pela instabilidade política desde 2006, quando o irmão de Yingluck, o ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra foi afastado por uma cúpula militar após ter sido acusado de corrupção e abuso de poder. Desde então, seus partidários e oponentes vêm tentando assumir o poder, muitas vezes violentamente.

A violência desta terça-feira explodiu após policiais se posicionarem em vários locais ao redor da cidade para deter protestantes que estavam acampados há semanas para pressionar a renúncia de Yingluck.

Os manifestantes reivindicam a formação de um conselho de pessoas não eleitas para implantar reformas, acabar com a corrupção e manter a família Shinawatra fora da política permanentemente.

Eles têm bloqueado o acesso aos escritórios do governo desde o ano passado e ocuparam intersecções importantes nos arredores de Bangcoc por cerca de um mês. Até agora, a polícia absteve-se de dispersá-los para evitar o desencadeamento da violência generalizada. 

Mas na segunda-feira, o centro de comando de segurança especial do governo anunciou que recuperaria cinco locais de protesto ao redor da cidade para uso público, um movimento possível sob o estado de emergência declarado no país em janeiro. Milhares de policiais, incluindo esquadrões antimotim armados, foram implantados em toda a cidade nesta terça-feira, em uma operação do governo chamado "Paz para Bangkok".

Há uma semana, 144 manifestantes posicionados perto do Ministério de Energia na parte norte da cidade protestavam quando foram pacificamente detidos e conduzidos para interrogatório, disse Tharit. O ministro dos transportes, Chadchart Sittipunt, contou à Associated Press que os manifestantes sequestraram dois ônibus públicos da cidade e os usaram para bloquear um comício local no Ministério do Interior, próximo ao Grande Palácio.

As operações aconteceram um dia antes de Tribunal Civil se pronunciar sobre a instituição do decreto de emergência sugerida pelo governo, que permite às autoridades exercer amplos poderes em deter manifestantes e mantê-los sob custódia por 30 dias sem acusações.

Se o decreto for derrubado pelo tribunal, o governo será forçado a desmantelar o centro de comando de segurança especial que havia sido configurado para executar essas medidas de emergência. Desde seu início, em novembro, os protestos deixaram ao menos 14 mortos e centenas de feridos.

*Com informações da AP

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