Chefe militar colombiano perde cargo em meio a caso de mortes extrajudiciais

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Em gravação, general Leonardo Barrero difama promotoria ao dizer que ações judiciais de escândalo são 'monte de porcaria'

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, demitiu nesta terça-feira seu chefe das Forças Armadas, o general Leonardo Barrero, por verbalmente difamar promotores que investigam militares acusados de ordenar acusações extrajudiciais.

Revista: Oficiais do Exército e hackers espionaram negociação de paz na Colômbia

AP
Presidente Juan Manuel Santos (D)caminha ao lado do então chefe das Forças Armadas Leonardo Barrero (C) e o comandante do Exército Juan Pablo Rodríguez em Bogotá (13/2)

Santos disse a repórteres que Barrero estava sendo liberado de suas funções por "declarações desrespeitosas" que insultavam o Judiciário e a nação em uma conversa telefônica publicada durante o fim de semana.

Seu ministro da Defesa anunciou uma mudança no alto comando em que o atual chefe do Exército, o general Juan Pablo Rodríguez, foi promovido para substituir Barrero.

A conversa que custou o cargo de Barrero foi gravada por promotores que investigavam suborno cometido por oficiais graduados em supostos contratos militares inflacionados e foi revelada pela revista Semana. Santos deixou claro que Barrero não era demitido por corrupção.

Em uma gravação, é possível ouvir Barrero dizendo a um coronel preso em um caso de mortes extrajudiciais que tais ações judiciais são "um monte de porcaria" e sugerindo que um contra-ataque fosse lançado para desacreditar os oficiais envolvidos.

Soldados colombianos foram condenados por quase 900 assassinatos extrajudiciais, vestindo as vítimas em roupas de camuflagem e as apresentando como guerrilheiros mortos em combate.

Os assassintatos aconteceram principalmente durante a década que terminou em 2008, quando o escândalo foi revelado e 27 oficiais foram demitidos. Na época, Santos era ministro da Defesa.

A investigação de suborno revelada pela Semana saiu de um inquérito sobre assassinatos extrajudiciais, disse nesta segunda-feira Jorge Perdomo, número 2 no gabinete do procurador-chefe, horas depois da renúncia do ex-chefe da Aviação do Exército, cujo nome foi mencionado em centenas de horas de gravações que a Semana disse ter obtido. O escândalo é o segundo a estremecer o Exército colombiano neste mês.

Relatório: Conflito armado matou 220 mil em 54 anos na Colômbia

O primeiro, também revelado pela Semana, envolveu a espionagem feitas por uma unidade cibernética de elite do Exército dos emails e mensagens de texto dos negociadores do governo no diálogo com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o principal movimento de esquerda do país, para pôr fim a um conflito de 50 anos, o último desse tipo no Hemisfério Ocidental.

Legisladores da oposição reclamaram que os escândalos poderiam prejudicar as negociações que começaram em novembro de 2012 e que Santos espera terminar depois de conquistar a reeleição em uma votação de maio.

2012: Colômbia e Farc assinam acordo para dar início a diálogos de paz

Mas um ex-oficial militar graduado, o chefe reformado da Força Aérea Hector Fabio Velasco, disse nesta terça-feira que não tem dúvidas que os escândalos deste mês vieram à tona com a autorização de Santos.

A resistência para um eventual pacto de paz com das Farc aumentou entre pecuaristas que temem perder terra para a reforma agrária e entre membros do establishment militar que são aliados a eles.

*Com AP

Leia tudo sobre: colômbiajuan manuel santosfarcexército

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas