Expulsão é ordenada depois de Washington se posicionar em defesa de opositor buscado por atos de violência em protesto

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou no domingo a expulsão de três funcionários da embaixada dos EUA depois que Washington se pronunciou em defesa de um opositor acusado pelo líder venezuelano de responsabilidade em atos de violência em protestos antigoverno.

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Maduro não identificou os funcionários consulares, mas disse que autoridades de inteligência que os seguem há dois meses encontraram provas de que eles tentavam se infiltrar nas universidades venezuelanas, local de organização da recente mobilização, sob a desculpa de fazer triagem para vistos. O chanceler Elías Jaua deve fornecer mais detalhes nesta segunda.

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O detonador para a expulsão está o fato de o governo de Barack Obama ter-se posicionado a favor do líder opositor Leopoldo López, que está sendo buscado pela polícia enquanto a polícia o acusa de liderar uma conspiração "fascista" para derrubar o governo socialista dois meses depois de os governistas terem  vencido eleições municipais de lavada .

Maduro disse que o funcionário do Departamento de Estado Alex Lee, em uma conversa por telefone com o embaixador da Venezuela na Organização de Estados Americanos, alertou que a prisão do ex-prefeito de 42 anos de Chacao traria consequências muito negativas com ramificações internacionais.

"Essas são demandas inaceitáveis, insolentes", disse Maduro em um discurso na noite de domingo. "Não recebo ordens de ninguém no mundo."

Não houve reação imediata do governo americano, que negou as acusações de que conspira com a oposição contra Maduro. Os EUA não têm um embaixador em Caracas desde 2010.

López, economista educado em Harvard, está no centro de tensões crescentes na Venezuela desde a realização da maior manifestação contra Maduro em seus dez meses de governo, mobilizando mais de 10 mil pessoas na quarta-feira em protestos pacíficos que criticavam desde a alta criminalidade à inflação de 56%.

O governo culpou pela confusão que começou depois do fim da marcha, com um grupo de estudantes tendo entrado em choque com forças de segurança e milícias pró-governo armadas, deixando três mortos. A maioria dos manifestantes havia ido para casa antes do início da violência.

Em Caracas, Leopoldo López participa de debate (foto de arquivo)
AP
Em Caracas, Leopoldo López participa de debate (foto de arquivo)

Em seu discurso na TV, Maduro convocou uma marcha de trabalhadores do petróleo na terça-feira, começando na mesma praça central em Caracas onde López disse que marchará com partidários vestidos de branco no mesmo dia , criando o cenário para confrontos entre as duas forças de oposição.

López anunciou seus planos um pouco antes do discurso de Maduro, aparecendo em um vídeo de um local não identificado. Eles disse não temer ser preso, mas acusou as autoridades de tentar violar seu direito constitucional de protestar contra Maduro.

"Se houver alguma decisão de ilegalmente me prender, estarei aí para assumir essa decisão e essa perseguição infame por parte do Estado", disse no vídeo de três minutos.

Na madrugada de domingo, de posse do mandado de prisão, militares armados realizaram buscas na casa de López e de seus pais. Também no domingo, quinto dia de protestos em Caracas e em outras cidades importantes , a polícia voltou a usar gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Não houve confrontos tão graves quanto nas vezes anteriores.

Os manifestantes, a maioria estudantes, permanecem firmes nas ruas e dizem que não vão sair enquanto não receberem a notícia da renúncia de Maduro, herdeiro político do líder socialista Hugo Chávez . Nada indica, entretanto, que essa renúncia aconteça.

Maduro, que se diz alvo de uma tentativa de golpe em gestação, diz que não tolerará manifestações que bloqueiem vias importantes ou destruam o patrimônio público.

*Com AP e Reuters

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