Político de 39 anos elaborou motim para depor Letta, alienando membros de seu Partido Democrático e legendas da oposição

O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, incumbiu nesta segunda-feira o jovem líder do Partido Democrático (PD), Matteo Renzi , da tentativa de formar um novo governo depois de ele elaborar a queda do ex-premê Enrico Letta durante uma disputa de poder dentro do partido.

Renzi: Político de 39 anos deve se tornar o mais jovem premiê da Itália

Líder do Partido Democrático da Itália, Matteo Renzi, fala com jornalistas depois de ser incumbido por presidente de formar novo governo
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Líder do Partido Democrático da Itália, Matteo Renzi, fala com jornalistas depois de ser incumbido por presidente de formar novo governo

Sexta: Premiê da Itália renuncia e deve ser substituído por Matteo Renzi

Renzi, o prefeito de 39 anos de Florença, reuniu-se por mais de uma hora com Napolitano e disse que aceitava o desafio com a tradicional reserva de tempo usada por novos premiês recém-eleitos de se consultar com aliados potenciais. Ele disse que precisaria de "alguns dias" antes de aceitar o trabalho formalmente.

Mas Renzi já tem seus planos elaborados, dizendo aos repórteres que, até o fim do mês, proporá uma nova legislação para reformar a lei eleitoral da Itália para tornar o país mais governável. Até março ele prometeu novas medidas para criar empregos em um país onde 40% dos jovens estão sem trabalho. Abril e maio trariam outras reformas, prometeu.

"Eu garanti ao presidente, às forças políticas e diria a todos os italianos que testemunham essa crise do governo que porei toda a coragem, energia e entusiasmo possíveis para lidar com a emergência mais importante: aquela do mercado de trabalho", disse depois de se reunir com Napolitano.

Na semana passada, Renzi orquestrou o motim dentro do PD para depor Letta como premiê, acusando-o de fracassar em dar impulso à economia italiana. Nos dias posteriores à deposição de Letta, a Itália informou seu primeiro PIB positivo em quase três anos.

O primeiro desafio de Renzi é formar uma coalizão e apresentar um plano de governo que possa conseguir votos de confiança na Câmara e no Senado. Essa não é uma tarefa fácil considerando que a forma agressiva como tomou o poder alienou mesmo alguns dentro de seu próprio partido, sem mencionar os partidos de oposição.

Do lado de fora do Palácio Quirinale nesta segunda-feira, o pequeno movimento de centro-direita Irmãos da Itália realizaram um protesto gritando "Eleições! Eleições!" Os líderes partidários estão indignados que Renzi, que nunca serviu no Parlamento, provavelmente se tornará o próximo primeiro-ministro sem mesmo ter concorrido em eleições nacionais.

Na verdade, ele seria o terceiro premiê a ser indicado sem uma votação desde 2011. Mais importante, o movimento Nova Centro-Direita, de Angelino Alfano, que era o vice-premiê de Letta no governo de coalizão, recusou-se a dar a Renzi seu apoio, dizendo que quer ver seu plano de ação antes de decidir se apoia o governo.

O muito maior Forza Italia, de Silvio Berlusconi, disse que continuará na oposição, enquanto o movimento antiestablishment Cinco Estrelas, do comediante transformado em político Beppe Grillo, já boicotou todo o processo de transição.

*Com AP

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