Venezuela libera alguns estudantes, mas protestos continuam

Por iG São Paulo |

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25 estudantes foram liberados, mas 74 permanecem presos. O presidente Nicolas Maduro afirmou que não admitirá o fechamento de rodovias pelos manifestantes

As autoridades venezuelanas liberaram ontem 25 manifestantes estudantis e informaram que outros 74 presos nas violentas manifestações populares serão processados nas próximas horas.

Os manifestantes se reuniram em várias cidades, como tem sido realizado desde quarta-feira. Em uma região mais rica ao leste da capital Caracas, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água para liberar uma área com mil pessoas, algumas das quais acendiam fogueiras e atiravam pedras contra as forças de segurança.

Reuters
Manifestantes fecham a principal artéria da Venezuela

Também houve o bloqueio parcial de uma grande rodovia, acusou o presidente Nicolas Maduro durante uma ladainha de queixas, incluindo a repressão a manifestações desde que três pessoas foram mortas a tiros esta semana após uma marcha da oposição.

Discursando em um evento televisionado no centro ao lado de altos funcionários do Partido Socialista, artistas e esportistas pró-governo, Maduro disse que não deixará que os manifestantes provoquem o caos com o fechamento de importantes artérias viárias.

“Eu não permitirei. Basta! Nós iremos desbloquear legalmente e não deixaremos que as bloqueiem novamente”, declarou. “As pessoas têm o direito de tocar suas vidas. Como podem quatro malucos chegar e tentar fechar rodovias?”

Os manifestantes tomaram a praça Altamira, em Caracas, um reduto dos ativistas de oposição no passado, e prometem que irão desafiar a proibição presidencial de manifestações até que ele renuncie.

Eles culpam Maduro por problemas desde a alta da inflação e a falta de produtos básicos até o aumento da corrupção e por uma das mais altas taxas de homicídio no mundo.

Maduro, um ex-sindicalista e motorista de ônibus de 51 anos, acusa seus adversários de preparar um golpe contra ele similar ao que brevemente depôs seu antecessor, Hugo Chavez, em 2012.

Entretanto, não há sinal de que as manifestantes ameacem derrubá-lo, nem de que os militares, cujo papel foi crucial nas 36 horas de destituição de Chávez, se voltem contra o presidente.

Os protestos podem oferecer a Maduro a chance de reunificar grupos divergentes no Partido Socialista, dividir a oposição onde muitos moderados se opõem às táticas das ruas, e distrair a opinião pública dos problemas econômicos. Ele tem convocado seus apoiadores para uma marcha “pela paz” na capital hoje.

O Procurador da República da Venezuela disse na última sexta que 25 pessoas que foram libertadas 25 pessoas que aguardavam julgamento, de um total de 99 presas em todo país em relação com a onda de violência dos últimos dois dias. As demais 74 serão processadas nas próximas horas, declarou.


Com informações da agência Reuters

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