Premiê da Itália renuncia e deve ser substituído por Matteo Renzi

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Enrico Letta foi derrubado por seu próprio partido. Prefeito de Florença será chamado para reunião com o presidente

O premiê Enrico Letta dirigiu-se ao palácio do presidente italiano e renunciou ao cargo nesta sexta-feira (14) depois que ele perdeu o apoio de seu próprio partido em motim designado para alavancar o jovem prefeito de Florença rumo ao governo italiano.

AP
Enrico Letta deixa o palácio presidencial em Roma, Itália, após renunciar. Matteo Renzi deve assumir o cargo




O presidente Giorgio Napolitano aceitou a renúncia e imediatamente agendou reuniões com líderes de partidos políticos entre esta sexta-feira e sábado (15). Depois disso, ele deve conversar com o chefe do partido democrático de Letta, o prefeito de Florença, Matteo Renzi, para encarregá-lo de formar um novo governo.

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Letta é o terceiro premiê a cair em vários anos em meio à turbulência política da Itália e da crise econômica. O país tem uma taxa de desemprego esmagadora, com cerca de 40% dos jovens italianos desempregados.

Renzi, entretanto, fez nesta sexta o que sabe fazer melhor, ser popular. O prefeito "pé no chão" tem usado seu status no cenário nacional para se autoprojetar como um respiro fresco de ar para os italianos fartos com o egoísmo da classe política.

Com 39 anos, ele presidiu uma cerimônia do Dia dos Namorados – comemorado em vários países no dia 14 de fevereiro – no City Hall de Florença, que festejou o aniversário de 50 anos de casamento de vários cidadãos dessa região italiana.

Um dia antes, ele projetou um maquiavélico voto não confidencial em seu partido contra Letta, acusando-o de não livrar a Itália de seu marasmo político e econômico. Sem o apoio do partido, Letta não teve outra escolha senão renunciar.

O momento da expulsão foi irônico, uma vez que as estatísticas nacionais divulgadas nesta sexta-feira mostram que o PIB do quarto trimestre subiu 0,1%. É a primeira variação positiva desde meados de 2011.

Em um tweet nesta sexta, assim que chegou ao escritório de Napolitano, Letta disse que estava se demitindo e agradeceu “a todos aqueles que têm me ajudado”.

Napolitano tinha deseignado Letta para formar um novo governo em abril do ano passado, esperando que ele pudesse levar tempo suficiente para decretar reformas eleitorais extremamente necessárias para tornar a Itália mais governável.

Essas reformas ainda estão sobre a mesa, mas Renzi recentemente encontrou com o rival de centro-direita dos democratas, o ex-premiê Silvio Berlusconi, para pedir seu apoio sobre uma nova lei eleitoral que pudesse acabar com a paralisação parlamentária italiana.

A manobra de Renzi contra Letta foi impressionante até para os padrões italianos, já que ele havia insistido que só chegaria ao cargo de primeiro-ministro por meio de uma votação. Mas analistas disseram que ele viu a oportunidade e a agarrou.

“Enrico Letta não era um mau primeiro-ministro, mas ele não era visto como uma pessoa que faz as coisas acontecerem”, disse James Walston, professor de políticas na Universidade Americana de Roma. “Renzi prometeu que ele faz as coisas acontecerem. Ele prometeu fazer o Partido Democrata vencer, e essa é a maior qualidade dele no momento.”

Não está claro como as mutáveis alianças políticas da Itália vão se alinhar em um voto de confiança exigido no Parlamento, uma vez que Renzi receber o aval de Napolitano para formar o governo e definir sua agenda para alavancar a economia, criar empregos e aprovar as reformas eleitorais.

O contestador do Movimento 5 Estrelas que virou político, Beppe Grillo – que quer todos os políticos italianos expulsos do país –, já decidiu boicotar as negociações de Napolitano.

*Com AP

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