López, da ala mais radical da oposição a Maduro, teria sido acusado por violência de protestos que mataram 3 na quarta

Um líder da oposição radical da Venezuela saiu de circulação em meio a informações de que um mandado de prisão foi emitido por seu papel em protestos que deixaram três mortos no país na quarta-feira.

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Opositor Leopoldo López concedeu coletiva em Caracas, na Venezuela, em 2011
EFE
Opositor Leopoldo López concedeu coletiva em Caracas, na Venezuela, em 2011

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Uma coletiva na noite de quarta foi o último momento em que Leopoldo López, fundador do opositor Voluntad Popular, foi visto. Na ocasião, ele prometeu que os protestos contra o presidente Nicolás Maduro continuarão.

Nesta quinta-feira, seus aliados disseram que López está com seus advogados em sua casa no distrito de Chachao, região de alto poder aquisitivo e da qual ele foi prefeito, tentando verificar se as autoridades realmente buscam sua detenção. Previamente, o jornal El Universal publicou o que disse ser uma cópia vazada do mandado de prisão contra López.

A procuradora-chefe Luisa Ortega não fez nenhuma menção à suposta ordem de prisão em declarações à mídia nesta quinta. Seu gabinete não confirmou nem negou a informação quando contatado pela Associated Press.

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Segundo o jornal El Universal, as acusações contra o economista formado em Harvard de 42 anos incluem assassinato e terrorismo. López, que era rival do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez ( morto em 5 de março de 2013 ), ajudou durante duas semanas a organizar manifestações esporádicas pelo país para protestar contra Maduro pela criminalidade, escassez de produtos e o fracasso em controlar a inflação, prometendo retirá-lo do cargo.

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Maduro o acusa de buscar a violência para tentar dar um golpe similar ao que 12 anos atrás tirou do poder por breve período Chávez, embora haja poucos indícios de que os protestos possam derrubá-lo.

"Sem dúvida, a violência foi criada por grupos pequenos coordenados, exaltados e financiados por Leopoldo López", disse Jorge Rodríguez, líder do governista Partido Socialista e prefeito da área de Caracas onde houve as maiores passeatas na quarta-feira.

Pouco antes da informação sobre o pedido de prisão de López, o líder oposicionista acusou partidários armados do governo de disparar contra manifestantes pacíficos. "O governo está jogando a cartada da violência, e não é a primeira vez. Eles estão me acusando sem nenhuma prova... Eu tenho a consciência limpa porque nós defendemos a paz", disse à Reuters.

"Nós não vamos recuar e não podemos recuar porque se trata de nosso futuro, de nossos filhos, de milhões de pessoas."

A capital da Venezuela estava amplamente calma nesta quinta-feira, já que boa parte da população permaneceu em casa. Houve, contudo, pequenas manifestações, incluindo uma de cerca de 200 estudantes que bloquearam uma via em frente a uma universidade no leste da cidade.

Manifestante recebe ajuda após ser atingido por uma pedra na cabeça (12/2)
AP Photo/Alejandro Cegarra
Manifestante recebe ajuda após ser atingido por uma pedra na cabeça (12/2)

"Queremos soluções para os problemas, não confrontos sem fim e violência", disse o estudante Manuel Armas, de 19 anos, diante da Universidade Alejandro Humboldt, onde manifestantes portavam faixas com a inscrição "Chega de Sangue". Havia também estudantes nas ruas no Estado de Táchira, no oeste do país, queimando pneus e bloqueando ruas.

Passado quase um ano da morte de Chávez, o derramamento de sangue em Caracas foi a última demonstração da polarização na Venezuela e de mútua desconfiança entre ambos os campos políticos.

Os mortos incluem dois estudantes que participavam do protesto e um ativista comunitário de um bairro alinhado com o governo no extremo oeste de Caracas, uma região pobre. Os confrontos na quarta-feira deixaram 66 feridos, 70 presos, alguns veículos policiais incendiados e escritórios do governo vandalizados, disseram autoridades.

Bolívia, Cuba e Argentina, três aliados políticos de esquerda da Venezuela na América Latina, enviaram mensagens de solidariedade ao governo de Maduro.

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