Jornal: Juíza da Venezuela ordena prender opositor após protestos com 3 mortos

Por iG São Paulo |

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Leopoldo López, um dos líderes da ala mais radical da oposição a Maduro, teria sido responsabilizado por violência de quarta

A juíza Ralenys Tovar Guillén ordenou na noite de quarta-feira que o líder fundador do opositor Voluntad Popular, o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López, seja preso por sua suposta responsabilidade em incidentes violentos registrados na capital da Venezuela, Caracas.

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AP
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A juíza também ordenou ao Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) que inspecionasse sua casa, segundo informou o jornal venezuelano El Universal, que publicou o que disse ser uma cópia vazada do mandado de prisão contra López.

Nesta quinta-feira, seus aliados disseram que López está com seus advogados em sua casa no distrito de Chacao, região de alto poder aquisitivo, tentando verificar se as autoridades realmente buscam sua detenção. A procuradora-chefe Luisa Ortega não fez nenhuma menção à suposta ordem de prisão em declarações à mídia nesta quinta. Seu gabinete não confirmou nem negou a informação quando contatado pela Associated Press.

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As informações relativas ao economista formado em Harvard de 42 anos, que é um dos líderes da ala mais radical da oposição, surgiram horas depois de o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, responsabilizá-lo pelos atos de violência no final de uma marcha opositora que deixou três mortos e 66 feridos na quarta-feira.

Segundo o El Universal, a magistrada quer que López, que era rival do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez (morto em 5 de março de 2013), seja preso para ser processado por delitos que vão desde associação para delinquir, instigação para delinquir, intimidação pública, incêndio de edificio público, danos à propriedade pública, lesões graves, homicídio e terrorismo.

Na quarta, vigilantes armados em motocicletas atacaram manifestantes antigoverno, causando uma debandada ao disparar contra multidões durante o maior protesto contra o presidente Nicolás Maduro.

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O líder venezuelano, que em abril completa um ano no poder, acusa seus rivais de querer tirá-lo do poder enquanto enfrenta reclamações que vão da elevada inflação à insegurança. "Querem derrubar o governo legítimo que eu comando. Não vão poder, mas vão causar danos à Venezuela", disse Maduro durante um discurso na noite de terça-feira.

"Retratem-se a tempo, e depois, se não se retratarem, não se declarem perseguidos políticos, porque eu vou aplicar a lei e a Constituição com severidade absoluta contra golpistas, desestabilizadores e setores violentos", acrescentou.

AP Photo/Alejandro Cegarra
Manifestante recebe ajuda após ser atingido por uma pedra na cabeça

Os dois movimentos saíram às ruas da capital, Caracas, e de algumas cidades do interior, um para protestar contra o mandatário e outro para comemorar uma batalha independentista. Mas a temperatura subiu e os grupos rivais entraram em confronto, deixando vítimas e carros incendiados.

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A Venezuela está dividida quase ao meio entre os que defendem programas sociais do governo, que beneficiaram milhões, e aqueles que querem uma mudança de curso, cansados da frágil economia e da insegurança.

Houve manifestações oposicionistas, coloridas e com grande número de participantes em Caracas e nas cidades mais populosas do país petrolífero, com queixas contra o elevado custo de vida, a escassez de produtos e a criminalidade, e pedindo a libertação de vários presos nos últimos dias.

Os manifestantes, na maioria estudantes, soaram desafiadores. "Quanto mais repressão, os estudantes seguirão mais e mais para a rua", disse a dirigente estudantil Tamy Suárez, em Caracas.

Em 2002, protestos massivos da oposição terminaram levando a um breve golpe de Estado que tirou do poder Chávez por 36 horas, mas o líder voltou respaldado por um grupo leal do Exército e graças a partidários que inundaram as ruas pedindo a sua permanência no cargo.

*Com AP, Reuters e informações do jornal venezuelano El Universal

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