Afeganistão liberta 65 presos que EUA consideram perigosos

Por iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Medida estremece ainda mais relações entre líder afegão e Washington e aumenta incertezas antes da retirada

O Afeganistão libertou 65 militantes acusados de uma ex-prisão dos EUA nesta quinta-feira apesar dos protestos do Exército americano, que diz que os homens são combatentes da milícia islâmica da Taleban que provavelmente retornarão ao campo de batalha para matar forças afegãs e da coalizão.

Retirada: Obama e Karzai aceleram transição militar no Afeganistão

AP
Motociclista afegão dirige perto de soldados do Exército Nacional Afegão que montam guarda em frente da Detenção de Parwan

A medida estremece ainda mais as relações entre Washington e o presidente Hamid Karzai, cuja retórica cada vez mais antiamericana e a recusa em assinar um acordo de segurança bilateral há muito tempo negociado aumentaram a incerteza antes da retirada, no fim deste ano, da maioria das forças de combate internacionais.

NYT: Karzai aposta em difamar EUA para anular imagem de fantoche

Karzai ordenou há várias semanas a libertação dos detidos, depois que seu governo assumiu o controle da prisão dos soldados americanos. A decisão desatou irritadas denúncias de Washington. As forças dos EUA no Afeganistão dizem que alguns dos homens são responsáveis por matar ou ferir dezenas de soldados internacionais e afegãos, assim como fazer bombas que mataram civis.

Os prisioneiros foram soltos pouco depois das 9 horas locais da Detenção de Parwan, perto da Base Aérea de Bagram, a cerca de 45 km a norte de Cabul, de acordo com o porta-voz prisional Nimatullah Khaki. Eles embarcaram rindo e sorrindo em um ônibus para sair do local, relatou.

'Coronel': Taleban afegão diz ter capturado cachorro militar da Otan

Os EUA defenderam que os detentos enfrentassem julgamento nas cortes afegãs — citando fortes evidências contrea eles, desde DNA os vinculando a bombas nas estradas a resíduos de explosivos em suas roupas —, mas Cabul disse haver provas insuficientes para mantê-los preso.

Karzai se referiu à prisão de Parwan como uma "fábrica de produção de membros do Taleban", onde afegãos inocentes são torturados até odiarem seu país.

No fim da noite de quarta, o Exército americano emitiu uma contundente declaração condenando a libertação iminente, que incluiria detentos diretamente vinculados a ataques que mataram ou feriram 32 oficiais dos EUA ou da coalizão e 23 oficiais ou civis afegãos.

Saiba mais: Entenda por que o Afeganistão é estratégico

Uma nota da Embaixada dos EUA em Cabul nesta quinta-feira caracterizou a libertação de "profundamente lamentável" e pediu que o governo de Karzai garanta que os libertos não cometam novos atos de violência.

"Pedimos uma revisão completa de cada caso. Em vez disso, as provas contra eles nunca foram seriamente consideradas"m diz a nota da embaixada, acrescentando: "O governo afegão tem responsabilidade pelos resultados de sua decisão."

O porta-voz do Ministério da Defesa afegão, Mohammad Zair Azimi, não fez comentários sobre as preocupações dos EUA. "Nossa responsabilidade é a proteção dos prisioneiros. Isso é tudo", disse Azimi.

Leia também: Invasões e conflitos marcam história do Afeganistão

Os 65 estavam entre 88 detentos na instalação que são alvo de disputa entre Cabul e Washington. Os EUA dizem que eles são membros perigosos da insurgência Taleban, do grupo de militantes Haqqani e de outros radicais islâmicos que lutam contra forças estrangeiras e afegãs.

*Com AP

Leia tudo sobre: afeganistãoeuaparwankarzai

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas