China e Taiwan mantêm primeira reunião de alto nível desde divisão, em 1949

Por iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Encontro é passo histórico apesar da recusa de governo chinês em reconhecer soberania da ilha autônoma

Representantes da China e de Taiwan se encontraram nesta terça-feira em Najing, na Província de Jiangsu (leste da China), para as primeiras negociações de alto nível desde sua divisão, em 1949, um passo histórico apesar da recusa de Pequim em reconhecer a soberania da ilha autônoma.

2011: China pede reunificação com Taiwan

AP
Wang Yu-chi, chefe do Conselho de Questões Continentais de Taiwan (E), cumprimenta Zhang Zhijun, diretor do Escritório de Questões de Taiwan da China, em Nanjing

A escolha de Nanjing como sede do encontro tem ressonância especial porque ela era a capital do governo nacionalista de Chiang Kai-shek durante a guerra contra os comunistas de Mao Tsé-tung antes de os nacionalistas serem forçados a fugir do continente em direção a Taiwan há 65 anos. Também é o local onde está a tumba do fundador da república da China, Sun Yat-sen, que é reverenciado em Pequim e Taipei.

Expectativas para o encontro, que depois de dois dias serão transferidas para Xangai, foram medidas. O chefe da delegação chinesa, Zhang Zhijun, disse que as negociações tinham como objetivo consolidar o consenso alcançado em encontros prévios. Ele não ofereceu detalhes.

"Nosso encontro era algo inimaginável antes, mas se realmente queremos alcançar avanços temos de aplicar um pouco de criatividade", disse Zhang.

O principal negociador de Taiwan, Wang Yu-chi, disse que a reunião "mostra que a relação entre os dois lados verdadeiramente entraram em uma nova fase e este realmente é um dia para os livros de história".

Embora a agenda oficial do encontro não tenha sido revelada, é provável que sua principal ênfase seja o comércio. Pequim quer ver Taiwan ratificar um acordo de serviços comerciais que permitiria aos dois lados abrir uma ampla gama de negócios em ambos os territórios. Pequim aprovou o acordo há mais de seis meses, mas ele continua parado na Assembleia Legislativa de Taiwan, um reflexo dos temores públicos de ser engolido pelo seu vizinho gigante.

É do interesse da China construir relações comerciais com Taiwan, que considera parte de seu território e com a qual quer eventualmente se reunificar. Ameaças prévias de atacar a ilha se ela declarar uma independência formal ou adiar a unificação indefinidamente apenas antagonizaram a população taiwanesa. Em 1995-1996, a China disparou mísseis, conduziu exercícios militares na costa taiwanesa e tentou influenciar sua política interna, alienando ainda mais a população da ilha.

Mas a China adotou uma abordagem de menos confronto há uma década sob o ex-presidente e líder do partido comunista Hu Jintao. A política recebeu um impulso quando o governo pró-China do presidente Ma Ying-jeou foi eleito em 2008, dando a Pequim a oportunidade de usar a barganha comercial como a peça central de sua política para Taiwan em uma esperança aparente de que isso forçaria a população taiwanesa a olhar as relações com a China de forma mais favorável e amortizar os sentimentos anti-China.

Desde 2008, o comércio dobrou para US$ 197,2 bilhões no ano passado. Taiwan usufrui de um superávit de US$ 116 bilhões com a China, um dos poucos países ou regiões que podem se vangloriar disso. As companhias taiwanesas investiram centenas de bilhões de dólares no continente, com companhias como a Foxconn empregando milhões de trabalhadores produzindo iPhones, Playstations e outras mercadorias populares.

Taiwan também se beneficia pesadamente de uma abertura aos turistas chineses, que viajam através de 150 km pelo Estreito de Taiwan.

Antes do início das negociações, Wang, de Taiwan, disse que esperava discutir estabelecer escritórios representativos permanentes nos dois territórios e que pressionaria por uma maior representação taiwanesa nas organizações internacionais - algo contra o que Pequim tem resistido.

Houve indicações de que a China está ansiosa para um movimento na frente política além do crescimento dos vínculos econômicos, com o presidente chinês, Xi Jinping, dizendo a um enviado taiwanês em um encontro internacional na Indonésia no ano passado que essas questões não deveriam ser transferidas de geração para geração.

Beijing quer consolidar os ganhos enquanto Ma ainda está no poder. Com eleições nacionais se aproximando em 2016, ele se torna cada vez mais impopular, e a oposição à unificação vem se fortalecendo apesar dos vínculos econômicos. Cerca de 80% apoiam a situação atual de uma independência de-facto, enquanto apenas uma porção minúscula apoia a unificação total.

*Com AP

Leia tudo sobre: chinataiwan

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas