Manifestações antigoverno se espalham pela Bósnia

Por AP | - Atualizada às

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Opositores ateiam fogo a prédios do governo, inclusive ao presidencial. Prefeito da cidade de Brcko virou refém

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Manifestantes antigoverno invadiram e atearam fogo em dois prédios estaduais, incluindo o palácio presidencial, na capital da Bósnia, Sarajevo, nesta sexta-feira (7). A tropa de choque usou gás lacrimogêneo em uma tentativa desesperada de contê-los.

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Manifestantes ateiam foto a prédio presidencial da Bósnia, nesta sexta-feira (7). Onda de protestos se espalha por todo o país


Fumaça de focos de incêndio subiam de várias cidades do país enquanto milhares de manifestantes alastravam sua fúria sobre a nação balcânica, onde o índice de desemprego chegou a quase 40% e há uma corrupção desenfreada. Essa foi a pior agitação popular que o país já viu desde a guerra de 1992 a 1995, quando 100 mil pessoas foram mortas após a dissolução da Iugoslávia.

Enquanto caía a noite de sexta-feira, o centro de Sarajevo vivia um cenário de caos, com prédios e carros pegando fogo, a tropa de choque perseguindo manifestantes e batendo seus cassetetes contra os escudos para dispersar a população.

Manifestantes da capital da Bósnia, Sarajevo, dispersam após polícia lançar gás lacrimogêneo durante manifestação . Foto: APPoliciais jogam gás lacrimogênio para dispersar opositores do Governo na Bósnia, durante manifestações em Sarajevo. Foto: APManifestante tenta falar com policial da tropa de choque da capital da Bósnia, Sarajevo, onde acontece onda de ataques. Foto: APManifestante se desespera em frente a tropa de choque de Sarajevo, capital da Bósnia. Foto: APBósnio gesticula enquanto protesta em Sarajevo, capital da Bósnia. Foto: APTropa de choque tenta conter manifestantes durante onda de incêndios na capital da Bósnia, Sarajevo, e em todo o país. Foto: APPoliciais da tropa de choque batem seus cassetetes em escudo para tentar dispersar manifestantes em Sarajevo, capital da Bósnia. Foto: AP

Os confrontos com a polícia deixaram aproximadamente 200 feridos em todo o país, de acordo com os médicos.

Os bósnios têm várias razões para estar insatisfeitos com as eleições gerais se aproximando, em outubro. A privatização que se seguiu após a guerra acabou com a classe média e empobreceu ainda mais a classe trabalhadora, enquanto magnatas enriqueceram. A corrupção é generalizada e os altos impostos incham o setor público do país, corroendo os contracheques dos cidadãos.

No norte da cidade de Tuzla, protestantes atearam fogo no prédio do governo local, jogando móveis e arquivos pelas janelas antes de incendiarem o local. Autoridades pediram demissão. No final da tarde, protestantes também queimaram o prédio onde funcionava o tribunal judicial, no centro da cidade.

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Protestantes também fizeram o mesmo nos prédios do governo em Zenica, Mostar e Travnik. A multidão em Zenica empurrou vários carros das funcionários locais para um rio nas proximidades. Autoridades anunciaram que vão pedir demissão. No norte de Brcko, a multidão fez o prefeito de refém brevemente antes de libertá-lo. 

Os protestos começaram em Tuzla no início desta semana com um confronto entre policiais e trabalhadores de quatro empresas estatais. Os novos donos das companhias deveriam investir e tornar as empresas rentáveis mas, em vez disso, venderam as ações, pararam de pagar os funcionários e decretaram falência.

Em um movimento inédito, centenas se reuniram nesta sexta-feira na capital da parte servo-bósnia do país, Banja Luka, para apoiar os manifestantes dos outros mini-Estados bósnios, que são divididos entre bósnios e croatos.

“Nós garantimos o apoio aos protestantes de Tuzla, onde as pessoas estão lutando por seus direitos”, disse Aleksandar Zolja, um ativista de Banja Luka.

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