Alemanha critica EUA por insulto à UE; EUA sugerem envolvimento russo em grampo

Por iG São Paulo |

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Secretária-assistente teria dito 'f***-se a União Europeia' em discussão sobre como resolver a crise na Ucrânia

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, criticou fortemente um comentário que a secretária-assistente dos EUA para Questões da Europa e da Euroásia, Victoria Nuland, é acusada de ter feito sobre o papel da União Europeia (UE) na crise da Ucrânia.

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Reuters
A secretária-assistente de Estado americana Victoria Nuland participa de coletiva em Embaixada dos EUA em Kiev, Ucrânia

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Em uma gravação vazada, uma voz que se parece com a de Nuland é ouvida dizendo: "F***-se a União Europeia", sugerindo que a posição do bloco europeu sobre a Ucrânia deveria ser ignorada. Segundo a porta-voz de Merkel, Christiane Wirtz, a líder alemã considera o comentário "absolutamente inaceitável".

Wirtz disse aos repórters em Berlin nesta sexta-feira que a Alemanha acredita que a chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, "está fazendo um trabalho maravilhoso" tentando mediar entre o governo e a oposição na Ucrânia.

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Na quinta-feira, o porta-voz da Casa Branca sugeriu que Moscou poderia ter algum envolvimento no vazamento da gravação já que Dmitry Loskutov, assessor do governo russo, foi um dos primeiros a postar um vídeo online com o áudio. A porta-voz do Departamento de Estado americano, Jen Psaki, disse que o vídeo era "um novo ponto baixo nas relações russas", indiretamente sugerindo que a Rússia era responsável por grampear a chamada.

Nesta sexta-feira, Loskutov, porém, negou que ele ou seu governo tenham alguma responsabilidade no caso. O assessor do vice-presidente russo, Dmitry Rogozin, afirmou que surfava um site de uma rede social quando se deparou com o vídeo. À Associated Press, Loskutov disse que sua decisão de divulgar o vídeo não tinha nenhuma relação com seu trabalho para o governo russo.

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No Twitter, ele postou um link que, segundo disse, prova que outro usuário anônimo publicou o vídeo na quarta-feira, um dia antes dele. "Penso que seria melhor questionar os titushki (sobre a origem do vídeo", disse, usando a palavra que os manifestantes ucranianos empregam para descrever violentos bandidos pagos pelo governo que têm o objetivo de deslegitimar o movimento de protesto.

Veja imagens dos protestos na Ucrânia:

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP

A AP verificou que o post citado por Loskutov foi fabricado na quarta-feira, mas o remetente não pôde ser identificado.

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Rogozin, chefe de Loskutov, não estava disponível para fazer comentários, mas publicou nesta sexta na internet uma resposta irada às acusações feitas pelos EUA. "Enquanto os ocidentais plantam pequenas intrigas e se metem em escândalos, a Rússia está ajudando as regiões da Ucrânia a restaurar as conexões perdidas com nossas indústrias", escreveu na plataforma de blog Twitlonger antes de se reunir com industriais ucranianos.

"Talvez depois disso haja menos pessoas desempregadas e armaguradas para organizar tumultos em suas próprias cidades com dinheiro estrangeiro", disse.

No áudio, que está em um vídeo de 4 minutos e 10 segundos intitulado "Os Marionetes de Maidan" (em referência à praça ucraniana que tem sido palco de protestos), a voz que se parece com a de Nuland conversa supostamente com o embaixador americano na Ucrânia, Geoffrey Pyatt.

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As autoridades americanas não confirmaram ou negaram a autenticidade do áudio, mas a porta-voz do Departamento de Estado afirmou na quinta-feira: "Eu não disse que não era autêntica." Ela afirmou que Nuland "esteve em contato com seus colegas da UE e, claro, pediu desculpas por esses comentários relatados".

AP
Presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, cumprimenta a secretária-assistente dos EUA para Questões da Europa e da Euroásia, Victoria Nuland, em Kiev (6/2)

Nuland tem estado ativa nos esforços americanos de solucionar a crise na Ucrânia, onde manifestantes antigoverno estão acampados no centro da capital, Kiev, há quase três meses depois que o presidente Viktor Yanukovych anunciou que arquivaria um acordo de associação com a UE em favor de laços mais próximos com a Rússia.

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Durante uma coletiva em Kiev nesta sexta-feira, Nuland disse que não faria comentários sobre o vídeo, exceto para dizer que ele mostrava uma "habilidade impressionante". Para ela, o vazamento não prejudica seus laços com a oposição da Ucrânia.

A secretária-assistente também negou a denúncia da Rússia de que militantes contrários ao governo estão sendo treinados em áreas da embaixada dos EUA na Ucrânia, classificando-a como "pura fantasia".

*Com AP e Reuters

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