Holanda abre museu para contar segredos do Bairro da Luz Vermelha de Amsterdã

Por AP | - Atualizada às

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Acervo mostra a vida das prostitutas por trás das vitrines em que esperam por clientes no famoso bairro holandês

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Na cidade holandesa de Amsterdã, milhares de turistas aproveitam o início da noite para descer as ruas do Bairro da Luz Vermelha e admirar as garotas de programa que, em busca de clientes, se exibem em vitrines vestindo lingerie.

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Garota de programa virtual convida os pedestres para conhecer o museu Segredos da Luz Vermelha, na entrada do espaço, localizado na Holanda

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É para mostrar um pouco mais da vida dessas mulheres que a capital da Holanda inaugura nesta quinta-feira (6) o Segredos da Luz Vermelha: Museu da Prostituição, localizado em Oudezijds Achterburgwal 60-62, no centro do bairro. O museu abre diariamente do meio-dia à meia-noite.

Segredos da Luz Vermelha

Localizado em um ex-bordel, um dos prédios estreitos típicos da Holanda, o museu é voltado àqueles que querem saber como a área funciona sem realmente visitar uma prostituta, de acordo com o organizador do espaço, Melcher de Wind.

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Na entrada, os visitantes são "chamados" por uma prostituta virtual que, assim como as da Luz Vermelha, usa apenas lingerie e acena para os pedestres. A visita custa 7,50 euros (cerca de R$ 24,50).

Ao entrarem, os curiosos podem ver um curta-metragem mostrando as muitas pessoas que trabalham com as prostitutas em suas respectivas funções: limpando e fazendo pequenos reparos em seus quartos, lavando suas roupas ou lhes entregando bebidas e alimentos nos intervalos do trabalho.

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Há também uma escola primária no centro do Bairro da Luz Vermelha, bem perto das vitrines. Em uma das cenas do vídeo, uma prostituta de meia-idade vestida com couro vermelho recebe à tarde a visita da filha do ensino fundamental.

Amsterdã inaugura nesta quinta-feira (6) o museu Segredos da Luz Vermelha. O local mostra a vida das prostitutas por trás das janelas no famoso bairro holandês. Foto: APMuseu está localizado no centro do bairro em Amsterdã e mostra o trabalho das prostitutas da Luz Vermelha por outra ótica. Foto: APEntrada do Museu da Luz Vermelha (D), em Amsterdã. Aberto nesta quinta-feira (6), o local mostra a vida das prostitutas por trás das vitrinas onde se exibem. Foto: APÀ direita, filme retrata dia a dia das prostitutas do Bairro da Luz Vermelha, em Amsterdã. À esquerda, vestido usado por elas no século 20. Foto: APAtores interpretam turistas interessados nas prostitutas da Luz Vermelha. A ideia é que os visitantes do museu vejam o outro lado da história. Foto: APMontagem de suíte de luxo no museu Segredos da Luz Vermelha, em Amsterdã. Foto: APIlonka Stakelborough lidera sindicato Instituto Gueixa, voltado às prostitutas em Amsterdã. Foto: APIlonka Stakelborough mostra interior de quarto inspirado nos locais onde acontecem a venda de sexo no Bairro da Luz Vermelha, em Amsterdã. Foto: APIlonka Stakelborough conversa em cenário inspirado nos típicos quartos de trabalho das prostitutas em Amsterdã. Foto: AP

Trabalhando em turnos de 11 horas, seis dias por semana, as prostitutas alugam as vitrines por meio período. Nos dias de folga, grande parte delas se dedica, entre outras coisas, a arrumar os cabelos, as unhas e a fazer compras. 

Uma longa história em Amsterdã

O museu faz apenas uma tentativa passageira de documentar a história da tolerância em relação à prostituição em Amsterdã - iniciando no século 16, quando era uma cidade portuária cheia da riqueza do comércio de especiarias e as autoridades faziam vista grossa quando os marinheiros chegavam em terra em busca de mulheres. Ou durante as Guerras Napoleônicas, quando as prostitutas começaram a ter checkups de saúde obrigatórios para combater doenças venéreas entre os soldados.

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O maior foco do museu começa no período desde 2000, quando a profissão foi legalizada no país. Desde então, a cidade tem atuado - e, segundo diz, com algum sucesso - para erradicar os cafetões e o tráfico humano.

Yolanda van Doeveren, que gerencia os programas sociais de prostituição na cidade, diz que o bairro é regulamentado por policiais, funcionários sociais, de saúde, autoridades fiscais e grupos dos direitos civis. Uma nova garota que apareça em uma vitrine será notada em questões de horas e deve ser capaz de comprovar que tem idade suficiente e autorização para trabalhar. A idade legal para trabalhar como uma prostituta em Amsterdã recentemente foi aumentada de 18 para 21.

A questão do tráfico de pessoas continua no centro do debate holandês sobre a ética da prostituição, de acordo com Van Doeveren. Também há o reconhecimento de que os piores abusos de garotas e prostitutas menores de idade por cafetões agora acontecem em bordéis clandestinos - um desafio contínuo para a polícia.

As prostitutas

Pouquíssimas mulheres que trabalham como prostitutas ganham mais do que uma renda de classe média - e normalmente é pior, de acordo com Van Doeveren.

Ilonka Stakelborough, uma acompanhante que chefia um sindicato de seis trabalhadoras chamado de Instituto Geisha, diz que não são as garotas mais bonitas ou jovens que conseguem a maioria dos clientes ou ganham mais. E acompanhantes e prostitutas de luxo não necessariamente têm melhores resultados - elas têm menos clientes, sessões mais longas e muitos custos, que vão desde o pagamento de táxis à divisão dos lucros com os proprietários dos prostíbulos, disse.

Uma vitrine de meio período é geralmente alugada por € 150 (R$ 488,34). Com o custo padrão de aproximadamente € 50 (R$ 162, 78) para uma sessão de 15 minutos, o salário bruto é de apenas € 150 depois de seis clientes ou de € 250 (R$ 813,90) depois de oito. Aproximadamente 75% das mulheres são de países mais pobres, geralmente da Romênia ou Bulgária.

"Quase todas as mulheres que estão aqui vieram 'voluntariamente', no sentido de que elas chegaram sabendo o que fariam”, afirma Doeveren. “Mas você pode perguntar a si mesmo quais seriam suas outras opções."

No fim da visita, há uma parede com frases das prostitutas. 

“Esse trabalho não é para covardes”, escreveu Eva, da Holanda. ”Eu me tornei mais resistente."

“Me sinto solitária pelo fato de minha mãe não saber o que eu faço", escreveu Carmen, da Romênia.

Antes de sair, os visitantes podem anotar seus próprios segredinhos sexuais em um confessionário de mentira.

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