ONU acusa Vaticano de adotar políticas que permitiram abuso sexual de crianças

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Relatório de comissão pede que Igreja abra arquivos sobre pedófilos e sobre religiosos que esconderam seus crimes

A Comissão da ONU sobre Direitos das Crianças denunciou o Vaticano nesta quarta-feira por adotar políticas que permitiram aos padres estuprar e molestar dezenas de milhares de crianças durante décadas, conclamando-o a abrir seus arquivos sobre os pedófilos e os religiosos que esconderam seus crimes. O Vaticano rejeitou o relatório, afirmando que ele era distorcido, injusto e ideologicamente tendencioso.

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AP
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Em um relatório devastador, a comissão da ONU também criticou duramente a Santa Sé por suas atitudes em relação ao homossexualismo, à contracepção e ao aborto e disse que é necessário revisar essas políticas para assegurar os direitos das crianças e para que seu acesso à assistência à saúde seja garantido.

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Sobre o abuso sexual, "a comissão está gravemente preocupada que a Santa Sé não reconheceu a extensão dos crimes cometidos, não adotou as medidas necessárias para lidar com os casos de abuso sexual infantil e para proteger as crianças e estabeleceu políticas e práticas que levaram à continuidade do abuso pelos perpetradores e por sua impunidade", disse o relatório.

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O documento pede que a comissão de abuso sexual que o papa Francisco anunciou em dezembro conduza uma investigação independente de todos os casos de abusos e da forma como a hierarquia católica respondeu com o passar do tempo, requisitando que a Santa Sé crie regras claras para a denúncia mandatória de abuso à polícia.

A comissão fez suas recomendações depois de submeter a Santa Sé a um interrogatório de um dia de duração no mês passado sobre sua implementação da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, o principal tratado internacional para garantir os direitos infantis. Durante essa sessão, especialistas independentes da comissão pressionaram a Santa Sé em relação à sua proteção das crianças, trabalhando a partir de relatórios preparados por grupos de vítimas e por organizações dos direitos humanos.

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As recomendações da comissão não são obrigatórias e não há nenhuma mecanismo que force o cumprimento das medidas. Em vez disso, a ONU pediu que o Vaticano implemente as recomendações e entregue um relatório sobre a questão até 2017. O Vaticano teve um atraso de 14 anos em submeter seu relatório mais recente.

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Enquanto a maior parte da atenção teve como ênfase o abuso sexual infantil, as recomendações da comissão se estenderam bem além, entrando em questões como discriminação das crianças e seus direitos a uma adequada assistência à saúde. Ao fazer recomendações específicas para que as políticas do Vaticano sobre aborto e contracepção sejam revistas, a comissão entrou e em profundos ensinamentos da igreja sobre a vida. Como resultado, essas recomendações provavelmente serão desconsideradas pelo Vaticano, que tem um histórico de confronto diplomático com a ONU sobre assistência à saúde reprodutiva e questões similares.

*Com AP

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