Relatório de comissão pede que Igreja abra arquivos sobre pedófilos e sobre religiosos que esconderam seus crimes

A Comissão da ONU sobre Direitos das Crianças denunciou o Vaticano nesta quarta-feira por adotar políticas que permitiram aos padres estuprar e molestar dezenas de milhares de crianças durante décadas, conclamando-o a abrir seus arquivos sobre os pedófilos e os religiosos que esconderam seus crimes. O Vaticano rejeitou o relatório, afirmando que ele era distorcido, injusto e ideologicamente tendencioso .

Vaticano:  Relatório da ONU sobre abuso é distorcido, injusto e tendencioso

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Kirsten Sandberg, presidente da comissão de direitos humanos da ONU sobre direitos das crianças, fala durante coletiva em Genebra, Suíça
AP
Kirsten Sandberg, presidente da comissão de direitos humanos da ONU sobre direitos das crianças, fala durante coletiva em Genebra, Suíça

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Em um relatório devastador, a comissão da ONU também criticou duramente a Santa Sé por suas atitudes em relação ao homossexualismo, à contracepção e ao aborto e disse que é necessário revisar essas políticas para assegurar os direitos das crianças e para que seu acesso à assistência à saúde seja garantido.

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Sobre o abuso sexual, "a comissão está gravemente preocupada que a Santa Sé não reconheceu a extensão dos crimes cometidos, não adotou as medidas necessárias para lidar com os casos de abuso sexual infantil e para proteger as crianças e estabeleceu políticas e práticas que levaram à continuidade do abuso pelos perpetradores e por sua impunidade", disse o relatório.

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O documento pede que a comissão de abuso sexual que o papa Francisco anunciou em dezembro conduza uma investigação independente de todos os casos de abusos e da forma como a hierarquia católica respondeu com o passar do tempo, requisitando que a Santa Sé crie regras claras para a denúncia mandatória de abuso à polícia.

A comissão fez suas recomendações depois de submeter a Santa Sé a um interrogatório de um dia de duração no mês passado sobre sua implementação da Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, o principal tratado internacional para garantir os direitos infantis. Durante essa sessão, especialistas independentes da comissão pressionaram a Santa Sé em relação à sua proteção das crianças, trabalhando a partir de relatórios preparados por grupos de vítimas e por organizações dos direitos humanos.

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As recomendações da comissão não são obrigatórias e não há nenhuma mecanismo que force o cumprimento das medidas. Em vez disso, a ONU pediu que o Vaticano implemente as recomendações e entregue um relatório sobre a questão até 2017. O Vaticano teve um atraso de 14 anos em submeter seu relatório mais recente.

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Enquanto a maior parte da atenção teve como ênfase o abuso sexual infantil, as recomendações da comissão se estenderam bem além, entrando em questões como discriminação das crianças e seus direitos a uma adequada assistência à saúde. Ao fazer recomendações específicas para que as políticas do Vaticano sobre aborto e contracepção sejam revistas, a comissão entrou e em profundos ensinamentos da igreja sobre a vida. Como resultado, essas recomendações provavelmente serão desconsideradas pelo Vaticano, que tem um histórico de confronto diplomático com a ONU sobre assistência à saúde reprodutiva e questões similares.

*Com AP

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