Em meio a protestos de rua, opositores sugerem mudar Constituição para ampliar poder de decisão do Parlamento

Os parlamentares de oposição da Ucrânia reivindicaram mudanças constitucionais que dariam ao Parlamento maior controle sobre a formação dos governos. Eles pressionam por leis para reduzir o poder do presidente enquanto o Parlamento começa um novo mandato.

Sob protestos:  Presidente da Ucrânia volta ao trabalho

Partidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia
AP
Partidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia

Sábado: Presidente da Ucrânia sanciona lei que anistia manifestantes

O líder do oposicionista Partido Udar (Soco), o ex-campeão de boxe peso pesado Vitaliy Klitschko, disse ao Parlamento que novas eleições eram cruciais para readquirir a confiança da população.

"Peço que todos adotem a rota constitucional e parem a ditadura. Nos deixem reinstalar a Constituição que permita aos parlamentares tomar decisões em vez de apenas apertar botões. Também devemos convocar eleições em Kiev e em cidades nas regiões de toda a Ucrânia. É assim que podemos reconquistar a confiança da sociedade."

Mas o líder do Partido das Regiões, do presidente Viktor Yanukovych, Oleksandr Yefremov, acusou a oposição de ser irresponsável. Em um emocionado discurso proferido em meio a gritos, ele alertou sobre as consequências se o conflito continuar.

Acusação: Ativista diz que foi sequestrado, torturado e jogado em floresta

"A Ucrânia passa por talvez o período mais dramático em sua história recente. Qualquer escalada adicional do conflito pode levar à confrontação civil e resultar em consequências catastróficas", disse.

"Ainda não temos respostas para as questões sobre quem controla as ruas e é responsável pelas ações extremistas, pela captura de prédios do Estado e por vários atos de provocação, sobre quem dirige contingentes de combatentes para capturar instituições nas regiões", disse.

Galeria de fotos: Protestos da Ucrânia parecem uma batalha medieval

Na segunda-feira, o representante do presidente no Parlamento, Yuriy Miroshnychenko, disse à AFP que o presidente poderia convocar eleições antecipadas se não houver nenhuma outra saída para a crise.

Arseniy Yatsenyuk, líder do maior partido de oposição, Pátria, disse que o retorno à Constituição de 2004 "cancelaria a autoridade ditatorial do presidente e transferiria o direito de governar o país à população ucraniana".

Yatsenyuk, que na semana passada rejeitou uma oferta de Yanukovych de se tornar primeiro-ministro, disse que seu bloco estava pronto para votar em um projeto de lei constitucional ainda nesta terça-feira. No entanto, as alianças partidária são fluidas, e não está claro se a oposição consegue angariar a maioria no Parlamento para votar a questão.

Terça: Parlamento anula leis antiprotesto e premiê renuncia na Ucrânia

Os líderes da oposição também buscam outras concessões, incluindo uma anistia mais ampla para aqueles presos durante os protestos antigoverno.

Os tumultos começaram em novembro, quando o presidente abandonou um acordo político e comercial com a União Europeia (UE) em favor de laços mais estreitos com a Rússia. Na segunda, Yanukovych retornou de uma licença médica de quatro dias dizendo que a Ucrânia enfrenta "extremismo" e uma "luta pelo poder".

Sob pressão da oposição, Yanukovych aprovou na semana passada a revogação de leis antiprotestos, aceitou a renúncia do primeiro-ministro Mykola Azarov e de seu gabinete e concedeu uma anistia condicional a ativistas que foram detidos. Mas os opositores querem que ele renuncie antes do fim de seu mandato, em 2015, e que convoque eleições antecipadas.

Na segunda-feira, a Rússia conclamou a oposição a parar sua campanha de "ultimatos e ameaças" e avançar com as negociações. Moscou, que sob condições ofereceu um pacote de resgate de US$ 15 bilhões à Ucrânia, criticou a UE e outros países ocidentais por intervir na disputa.

*Com BBC

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.