Pais pensavam que salvadorenho que sobreviveu no mar estava morto

Por iG São Paulo |

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José Salvador Alvarenga disse ter bebido sangue de aves e comido tartarugas durante mais de 13 meses em alto-mar

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José Salvador Alvarenga diz ter ficado meses à deriva

O relato da sobrevivência incrível de um pescador de El Salvador depois de mais de 13 meses e quase 10,5 mil quilômetros à deriva em um barco aberto provou ser um milagre duplo para sua mãe e pai, que pensavam que ele estava morto após perderem contato com ele há oito anos.

A reação alegre, às vezes cheia de lágrimas, dos pais do sobrevivente José Salvador Alvarenga, 37, pode também ajudar a projetar luz em uma história de sobrevivência envolta em mistério que, para alguns, é algo que define a fé.

À deriva: Homem diz ter comido tartarugas e bebido sangue de pássaros

Entre as questões que continuam sem resposta é como o forte e atarracado pescador sobreviveu onde poucos poderiam, por que ele esqueceu vários detalhes básicos de sua vida e o que exatamente aconteceu com o adolescente que estaria no barco e que, segundo ele, morreu em meio às ondas.

Seu pai, José Ricardo Orellana, descreveu nesta terça-feira um jovem que amava tanto o oceano que foi ao mar aos 14 anos. "O mar era o que ele seu meio", disse.

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Os pais também disseram que o apelido dele quando garoto, "Cirilo", coincide com o nome de um homem registrado com funcionários da defesa civil no México que desapareceu durante uma tempestade em novembro de 2012. Embora as autoridades mexicanas digam que ele estava desaparecido há 14 meses e meio, o pescador previamente estimou que estava à deriva por 13 meses.

Veja outras pessoas que sobreviveram no mar:

Taiwanês Tseng Lien-fa ficou à deriva por 60 horas até ser levado para praia a 75 km de distância de onde pescava. Foto: ReproduçãoHarrison Okene sobreviveu dois dias em bolha de ar dentro de navio naufragado na Nigéria (junho/2013). Foto: Reprodução/YoutubeIatista francês Alain-Delord passou quase três dias à deriva em bote salva-vidas antes de ser resgatado um navio na costa da Austrália (jan/2013). Foto: ReproduçãoEste sobrevivente de naufrágio ficou quatro dias na água sem colete ou bote na Indonésia (ago/2012). Foto: BBC Brasilpescador Cristiano Souza, resgatado em Santa Catarina após 22 dias à deriva em um barco (junho/2011). Foto: Agência O Globo

Alvarenga apareceu no minúsculo atol de Ebon, no Oceano Pacífico, na semana passada antes de ser levado para a capital das Ilhas Marshall, Majuro.

Junho: Nigeriano sobrevive dois dias em bolha de ar dentro de navio naufragado

O embaixador americano em Majuro, Tom Armbruster, fala espanhol e conversou com o sobrevivente por 30 minutos na segunda-feira. Segundo ele, Alvarenga fez o seguinte relato: ele nasceu em El Salvador, mas viveu no México por 15 anos e pescava com um homem conhecido como Willie, capturando tubarões para vender por 25 pesos (US$ 1,90) por meio quilo.

Em 21 de dezembro de 2012, o salvadorenho saiu do México em seu barco de fibra de vidro de 7 metros para um dia de pesca acompanhado por um adolescente que ele conhecia apenas como Ezekiel, que tinha entre 15 e 18 anos. Uma tempestade tirou os dois pescadores da rota e em seguida eles estavam perdidos e à deriva.

"Ele falou sobre capturar pequenos peixes que nadavam ao longo do navio e de comê-los cru", afirmou Armbruster. "Ele também disse que comeu pássaros e bebeu seu sangue."

Assista ao vídeo com o relato de sobrevivência de Alvarenga:

Depois de cerca de um mês, Ezekiel morreu, disse o sobrevivente. Alvarenga também falou que comeu tartarugas. Uma vez em Ebon, ele nadou.

"Inicialmente ele agradeceu a Deus por ter sobrevivido", disse o embaixador. "Ele está muito ansioso para entrar em contato com seu empregador e também com a família de Ezekiel. Essa é sua maior motivação neste momento."

Segundo Armbruster, o homem disse que não tem família no México, mas tem três irmãos que vivem nos EUA, embora não tenha conseguido fornecer imediatamente aos oficiais informações de contato.

Gee Bing, o secretário interino de relações exteriores das Ilhas Marshall, disse que está um pouco cético com o relato de Alvarenga depois de se reunir com ele na segunda-feira.

"Realmente parece uma história incrível, e não tenho certeza de que acredito nela", disse Bing. "Quando o vimos, não estava realmente magro como outros sobreviventes do passado. Tenho algumas dúvidas. Quando começarmos a nos comunicar com o local de onde vem, seremos capazes de conseguir mais informações."

*Com AP

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