França inicia julgamento de suspeito por genocídio em Ruanda

Por Reuters | - Atualizada às

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Simbikangwa responde à acusação de ter sido cúmplice no massacre que resultou em 800 mil mortes há 20 anos

Reuters

Passados 20 anos desde o genocídio de Ruanda, no continente africano, a França iniciou o primeiro julgamento contra um suspeito de ser cúmplice do massacre que matou 800 mil pessoas, acusando uma ex-autoridade do setor de inteligência por crimes contra a humanidade.

The Associated Press
Pascal Simbikangwa era ex-autoridade do setor de inteligência de Ruanda na época do massacre


Pascal Simbikangwa, de 54 anos, compareceu a um tribunal de Paris nesta terça-feira (4) no primeiro dia do esperado julgamento, no qual 50 testemunhas devem descrever o suposto papel do ex-militar no comando dos extremistas hutus.

Ativistas de direitos humanos e jornalistas de Ruanda lotaram o tribunal. Simbikangwa nega as acusações contra ele.

"Não estamos aqui em nosso nome, mas em nome de milhões de vítimas que foram exterminadas em Ruanda em 1994", disse Alain Gauthier, fundador de um grupo de vítimas de Ruanda.

Considerada por um longo tempo um refúgio para líderes do genocídio de 1994, a França demorou mais tempo do que vizinhos como Bélgica, Suíça e Alemanha para levar à Justiça um suspeito morando no seu território.

A onda de assassinatos de 1994 por extremistas hutus teve como alvo os tutsis, mas hutus moderados também foram vítimas da violência.

O julgamento de Simbikangwa representa um grande passo na frágil reaproximação entre os dois países, e diplomatas franceses têm dito de forma privada que uma absolvição seria um retrocesso.

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