Homem diz ter comido tartarugas e bebido sangue de pássaros em 13 meses à deriva

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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José Salvador Alvarenga foi encontrado em atol nas Ilhas Marshall; algumas autoridades estão céticas com história

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José Salvador Alvarenga diz ter ficado 13 meses à deriva

É uma história que quase é difícil acreditar: um homem deixa o México em dezembro de 2012 para pescar um tubarão e passa 13 meses sobrevivendo a base de peixes, pássaros e tartarugas antes de aparecer na costa das remotas Ilhas Marshall a cerca de 8,8 mil km de distância.

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Mas essa é a história que um homem que se identificou como José Salvador Alvarenga, 37 anos, contou para o embaixador dos EUA nas Ilhas Marshall e para as autoridades da nação durante um encontro de 30 minutos nesta segunda-feira antes de ser levado para um hospital local para monitoramento. Alvarenga apareceu no minúsculo atol de Ebon, no Oceano Pacífico, na semana passada antes de ser levado para a capital, Majuro.

"É difícil imaginar alguém sobrevivendo 13 meses no mar", disse o embaixador Tom Armbruster em Majuro. "Mas também é difícil imaginar como alguém pode chegar a Ebon de repente. Certamente esse cara passou por um périplo e está no mar há algum tempo."

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Outras autoridades reagiram de forma cautelosa com a história do homem falante de espanhol enquanto tentam angariar mais informações. Se verdadeira, a história do homem estaria entre as maiores de sobrevivência no mar.

Armbruster disse que o homem de fala suave reclamou de dor nas juntas nesta segunda e estava mancando, apesar de ainda ser capaz de andar. Ele tinha um cabelo e barba longos, e em vez de parecer magro, parecia inchado em alguns lugares, incluindo ao redor de seus cancanhares. Apesar disso, acrescentou, Alvarenga pareceu estar com uma saúde relativamente boa.

Veja outras pessoas que sobreviveram no mar:

Taiwanês Tseng Lien-fa ficou à deriva por 60 horas até ser levado para praia a 75 km de distância de onde pescava. Foto: ReproduçãoHarrison Okene sobreviveu dois dias em bolha de ar dentro de navio naufragado na Nigéria (junho/2013). Foto: Reprodução/YoutubeIatista francês Alain-Delord passou quase três dias à deriva em bote salva-vidas antes de ser resgatado um navio na costa da Austrália (jan/2013). Foto: ReproduçãoEste sobrevivente de naufrágio ficou quatro dias na água sem colete ou bote na Indonésia (ago/2012). Foto: BBC Brasilpescador Cristiano Souza, resgatado em Santa Catarina após 22 dias à deriva em um barco (junho/2011). Foto: Agência O Globo

Armbruster, que fala espanhol, disse que o sobrevivente contou a seguinte história:

Ele nasceu em El Salvador, mas viveu no México por 15 anos e pesca com um homem conhecido com Willie, capturando tubarões para vender por 25 pesos (US$ 1,90) por meio quilo.

Em 21 de dezembro de 2012, Alvarenga saiu do México em seu barco de fibra de vidro de 7 metros para um dia de pesca acompanhado por um adolescente que ele conhecia apenas como Ezekiel, que tinha entre 15 e 18 anos. Uma tempestade tirou os dois pescadores da rota e em seguida eles estavam perdidos e à deriva.

"Ele falou sobre capturar pequenos peixes que nadavam ao longo do navio e de comê-los cru", afirmou Armbruster. "Ele também disse que comeu pássaros e bebeu seu sangue." 

Depois de cerca de um mês, Ezekiel, disse o sobrevivente. Alvarenga também falou que comeu tartarugas. Uma vez em Ebon, ele nadou.

"Inicialmente ele agradeceu a Deus por ter sobrevivido", disse o embaixador. "Ele está muito ansioso para entrar em contato com seu empregador e também com a família de Ezekiel. Essa é sua maior motivação neste momento."

Segundo Armbruster, o homem disse que não tem família no México, mas tem três irmãos que vivem nos EUA, embora não tenha conseguido fornecer imediatamente aos oficiais informações de contato.

Gee Bing, o secretário interino de relações exteriores das Ilhas Marshall, disse que está um pouco cético com o relato de Alvarenga depois de se reunir com ele nesta segunda.

"Realmente parece uma história incrível, e não tenho certeza de que acredito nela", disse Bing. "Quando o vimos, não estava realmente magro como outros sobreviventes do passado. Tenho algumas dúvidas. Quando começarmos a nos comunicar com o local de onde vem, seremos capazes de conseguir mais informações."

*Com AP


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