Presidente da Ucrânia sanciona lei que anistia manifestantes

Por Reuters |

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Muitos manifestantes rejeitaram a anistia de imediato, porque está condicionada à desocupação de edifícios

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Pressionado, o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, assinou na sexta-feira uma lei que anistia os manifestantes detidos durante os protestos em massa e rejeitou a legislação antimanifestações, uma nova aposta para arrefecer a crise política no país.

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Mas a manobra de Yanukovich, que continua politicamente ativo apesar de ter tirado uma licença de saúde na quinta-feira, não deve bastar para encerrar os protestos anti-governo, às vezes violentos, nas ruas de Kiev e outras cidades.

Muitos manifestantes rejeitaram a anistia de imediato, porque está condicionada à desocupação de edifícios públicos tomados pelos ativistas. Um grupo nacionalista radical ucraniano por trás de boa parte da violência fez novas e duras exigências nesta sexta-feira.

Gleb Garanich/Reuters
Manifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital Kiev

O presidente ucraniano, de 63 anos, que parece cada vez mais isolado no cabo de guerra entre o Ocidente e a Rússia, que reinava sobre a Ucrânia durante o comunismo, desapareceu de vista subitamente na quinta-feira, queixando-se das altas temperaturas e de um problema respiratório agudo.

Yanukovich sofre pressão desde novembro, quando sua decisão de aceitar um pacote de empréstimos de 15 bilhões de dólares da Rússia, ao invés de assinar um acordo comercial com a Europa, enfureceu muitos de seus compatriotas e desencadeou grandes protestos na capital.

Pelo menos seis pessoas foram mortas e centenas ficaram feridas em confrontos nas ruas entre manifestantes anti-governo e a polícia, que aumentaram dramaticamente depois que as autoridades endureceram a reação.

Galeria de fotos: Protestos da Ucrânia parecem uma batalha medieval

A crise forçou o primeiro-ministro Mykola Azarov a renunciar, e até agora não há sinal de um sucessor. Serhiy Arbuzov, vice de Azarov e amigo próximo de Yanukovich, entrou como premiê interino.

Sublinhando sua influência econômica sobre a Ucrânia, Moscou afirma que um novo governo deve ser instaurado antes de levar adiante a compra já planejada de 2 bilhões de dólares em títulos do governo ucraniano.

Essa relutância e o caos em geral contribuíram para uma queda de 2,5 por cento no valor da moeda local, a grívnia, em relação ao dólar nesta sexta-feira, seu nível mais baixo em quatro anos e meio.

Veja as fotos dos protestos na Ucrânia:

Manifestantes antigoverno descansam em barricada no centro de Kiev, Ucrânia (21/2). Foto: APCorpos de manifestantes antigoverno mortos em confrontos com a polícia são vistos na Praça da Independência, em Kiev (20/2). Foto: APAtivistas apagam incêndio em árvore que foi incendiada durante queima de barricadas perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante ferido é levado de maca a um hospital em Kiev, capital da Ucrânia (20/02). Foto: APAtivistas retiram manifestante ferido em meio a choques com a polícia em Kiev, Ucrânia(20/2). Foto: APManifestantes mostram rosto de vítima morta em confrontos na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno segura arma de fogo em barricada perto da Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (20/2). Foto: APManifestante antigoverno joga coquetel molotov durante embates com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APManifestante antigoverno dispara fogos de artifício de arma improvisada durante confrontos com tropa de choque em Kiev, Ucrânia (19/2). Foto: APProtestos na Ucrânia geram onda de violência em Kiev, capital do país (19/02). Foto: APManifestante caminha por zona de conflito com a polícia em Kiev, capital ucraniana (19/02). Foto: APCom capacete, manifestante descansa após confronto com policiais na Ucrânia (19/02). Foto: APPadre ortodoxo reza em barricada de manifestantes em Kiev, Ucrânia (19/02) . Foto: APManifestantes e policiais se enfrentam em Kiev, capital da Ucrânia (19/02). Foto: APUcraniana mostra retrato do presidente Viktor Yanukovych durante protestos em frente ao prédio do Parlamento Europeu em Brussels, Ucrânia (19/02). Foto: APMonumentos aos fundadores de Kiev queimam enquanto manifestantes entram em choque com polícia na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno entram em confronto com tropa de choque na Praça da Independência, na Ucrânia (18/2). Foto: APManifestante antigoverno corre durante confrontos com a tropa de choque na Praça da Independência, em Kiev (18/2). Foto: APManifestante antigoverno acaba sendo queimado durante conflito em  frente ao Parlamento da Ucrânia, em Kiev (18/02). Foto: APPolícia de choque é atingida por fogo durante onda de protestos na Ucrânia (18/02) . Foto: APManifestante atira pedra em tropa da polícia na Ucrânia, durante onda de protestos em Kiev (18/02). Foto: APPoliciais e manifestantes se enfrentam durante conflito em Kiev, capital ucraniana (18/02). Foto: APPolicial ajuda colega ferido durante onda de protestos na Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante encontra 'cobertura' em meio ao conflito com policiais em Kiev, Ucrânia (18/02). Foto: APManifestante joga coquetel molotov durante manifestações contra o governo em Kiev, Ucrânia (18/2). Foto: APManifestantes antigoverno deixam prefeitura de Kiev (16/2). Foto: APManifestantes ocuparam prefeitura de Kiev por três meses (16/2). Foto: APPartidários da oposição com uniformes militares e segurando bastões como armas fazem fila em frente de prédio do governo em Kiev, Ucrânia (4/2). Foto: APTropa de choque fecha área perto de barricadas que vão até a Praça da Independência, em Kiev (3/2). Foto: APManifestantes protestam contra governo da Ucrânia na capital, Kiev (1/2). Foto: Gleb Garanich/ReutersOpositor olha é visto enquanto se aquece perto de fogo em barricada próxima à Praça da Independência, em Kiev (31/1)
. Foto: APTendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: ReutersManifestante guarda barricadas em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestante coloca placas de aço caseiras no peito ao se preparar para sair do Ministério da Agricultura em Kiev, Ucrânia (29/1). Foto: APManifestantes descansam atrás de barricada em frente de tropa de choque em Kiev, Ucrânia (28/1). Foto: APManifestantes montam guarda na entrada do Ministério da Justiça com ícones que encontraram dentro do prédio no centro de Kiev, Ucrânia. Foto: APPadres ortodoxos rezam enquanto ficam entre ativista pró-UE e a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (24/1). Foto: APManifestante usa enorme estilingue para lançar coquetel molotov contra a polícia 
em Kiev (23/1). Foto: APManifestantes usam enorme estilingue para jogar pedras contra a polícia no centro de Kiev (23/1). Foto: APManifestante lança fogo de artifício contra a polícia na capital ucraniana (23/1). Foto: APManifestante joga pneus no fogo durante confronto com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (23/1). Foto: APManifestante prepara arremesso de coquetel molotov durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes entra em confronto com polícia no centro de Kiev (22/1). Foto: APManifestantes entram em confronto com tropa de choque no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestante aponta arma durante confrontos com a polícia na capital da Ucrânia (22/1). Foto: APPolícia se prepara para entrar em confronto com manifestantes em Kiev, capital da Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes entram em choque com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPolicial bate em manifestante no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APPneus ficam em chamas na rua após serem incendiados por manifestantes em Kiev, Ucrânia (22/1)
. Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante choques com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes lançam pedras durante confrontos com a polícia no centro de Kiev, Ucrânia (22/1). Foto: APManifestantes usam fogos de artifício durante confrontos com a polícia na Ucrânia (21/1). Foto: APManifestantes usam escudos improvisados para entrar em choque com a polícia em Kiev (21/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: APManifestantes protegidos com armaduras improvisadas se preparam para brigar com a polícia em Kiev (20/1). Foto: AP


O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, planeja se encontrar com líderes da oposição, incluindo o ex-boxeador Vitaly Klitschko, nos bastidores de uma conferência de segurança em Munique na sexta-feira.

"Nossa mensagem à oposição ucraniana será de apoio total do presidente Obama e do povo norte-americano para seus esforços", disse Kerry em Berlim, nesta sexta, antes das reuniões.

"Mas também diremos a eles que se conseguirem uma agenda de reformas... vamos exortá-los a se ater a ela, porque mais um impasse, ou mais violência que se torne incontrolável não é do interesse de ninguém."

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse no Twitter que está acompanhando os desdobramentos em Kiev com preocupação, e que "os militares devem permanecer neutros".

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