Ex-namorado de Amanda Knox entrega documentos à Itália na divisa com a Áustria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Sollecito e americana foram condenados novamente pela morte da britânica Kercher em jogo sexual que deu errado

O ex-namorado da americana Amanda Knox deixou a Itália e dirigiu em direção à Áustria enquanto uma corte deliberava sobre seu destino, disse a polícia nesta sexta-feira, mas eventualmente ele voltou à Itália e entregou seu passaporte depois de uma condenação conjunta pela morte da estudante britânica Meredith Kercher.

NYT: No caso de Amanda Knox, uma batalha incansável por sua imagem

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Raffaele Sollecito (E) e seu pai, Francesco, deixam audiência final em Florença, Itália, antes do 3º veredicto pela morte da estudante Meredith Kercher (30/1)

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As longas viagens de Raffaele Sollecito foram reveladas no mesmo dia em que Knox, que agora mora nos EUA, deixou claro que nunca voltará voluntariamente para a Itália para cumprir a sentença de 28 anos e meio emitida em uma corte de apelações. "Nunca voltarei por vontade própria àquele lugar", disse ao programa Good Morning America, da ABC. "Lutarei contra isso até o fim. Não é certo e não é justo."

Advogados dos dois prometeram apelar contra a condenação, que manteve o veredicto de 2009 no assassinato de Kercher, uma companheira de quarto de Knox em uma universidade de Perugia. Na época, Sollecito foi condenado a 25 anos.

Kercher foi encontrada em uma poça de sangue com a garganta cortada em 2 de novembro de 2007 no apartamento onde moravam. Segundo a promotoria, a morte resultou de um jogo sexual que deu errado. Knox e Sollecito foram presos poucos dias depois e ficaram quatro anos na prisão antes que uma corte de apelações os absolvesse em 2011. Mais tarde, a mais alta corte italiana descartou essa absolvição e ordenou um novo julgamento, resultando na decisão de quinta-feira.

O advogado de Sollecito, Luca Maori, insistiu que seu cliente estava na área da fronteira norte da Itália com a Áustria porque é ali que sua atual namorada vive. Ele disse que Sollecito foi voluntariamente à polícia para entregar seu passaporte e seus documentos de identidade.

Mas o chefe do esquadrão policial de Udine, Massimiliano Ortolan, disse que a polícia recebeu a denúncia de que Sollecito tinha se hospedado em um hotel em Venzone, no lado italiano da fronteira, e foram encontrá-lo lá, acordando o rapaz e sua namorada na manhã desta sexta-feira e o levando à delegacia de Udine.

Nenhum mandado de prisão foi emitido pela corte de Florença. Mas a corte ordenou que Sollecito entregasse seu passaporte e documentos de identidade para evitar que deixe o país. Depois de entregá-los, ele foi visto saindo do local com sua namorada.

Na delegacia, Sollecito disse aos investigadores que dirigiu até a Áustria na tarde quinta-feira depois de comparecer à sessão de abertura do julgamento em Florença. Depois que a corte começou a deliberação, Sollecito disse que viajou 400 km de Florença a Udine e cruzou a fronteira, disse Ortolan.

Segundo Ortolan, Sollecito e sua namorada disseram aos investigadores que visitaram Villach, uma cidade perto da fronteira, e então voltaram à Itália e se hospedaram no hotel de Venzone à 1 hora local. Ele afirmou que Sollecito não explicou por que fez essa viagem.

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Amanda Knox espera para dar entrevista nesta sexta-feira em Nova York

"Penso ser significativo que, antes de a sentença ser dada, ele tenha deixado Florença e viajado para ficar perto de duas fronteiras: a da Eslovênia e a da Áustria", afirmou. "É algo que nos deixa um pouco perplexos."

Na Itália, adultos têm de apresentar seu documentos ao fazer o check-in. Os hotéis têm então de comunicar a informação à polícia local. Cerca de 6h30, a polícia apareceu no hotel Carnia e levou Sollecito para a delegacia de Udine.

A nova condenação imeadiamente abriu caminho para um processo de extradição para Knox, supondo que os veredictos sejam mantidos na apelação final, processo que pode levar mais um ano.

Para a família de Kercher, o veredicto foi mais um passo em seis anos de incerteza sobre como Meredith morreu e sobre como encontrar justiça.

"Acho que ainda estamos no caminho da verdade, e pode ser pelo fato de que nunca saberemos exatamente o que aconteceu naquela noite, algo que teremos de aceitar", disse Stephanie Kercher, irmã da vítima.

*Com AP

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