Líder tem doença respiratória, diz nota. Manifestantes rejeitam anistia que condiciona saída de prédios ocupados

O contestado presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych, entrou em licença médica enquanto a crise política de seu país continua sem sinais de solução. Uma declaração no site presidencial afirmou nesta quinta-feira que Yanukovych tem uma doença respiratória aguda e febre alta. Não houve indicações de quanto tempo ele deve ficar em licença ou se será capaz de fazer qualquer trabalho.

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Tendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia
Reuters
Tendas de manifestantes antigoverno são vistas na Praça da Independência em meio a uma temperatura de -19°C no centro de Kiev, Ucrânia

Galeria de fotos: Protestos da Ucrânia parecem uma batalha medieval

Yanukovych está sob pressão depois de dois meses de grandes protestos que reivindicam sua renúncia, eleições antecipadas e a demissão de autoridades responsáveis pelas violentas dispersões policiais dos manifestantes.

Em uma de uma série de medidas para resolver a crise, o Parlamento votou nesta semana a revogação de duras leis antiprotesto . Yanukovych ainda precisa assinar formalmente a anulação. Ele também aceitou a renúncia de seu primeiro-ministro , mas os manifestantes dizem que as medidas são insuficientes.

Terça: Parlamento anula leis antiprotesto e premiê renuncia na Ucrânia

Yanukovych fez uma visita tarde da noite ao Parlamento na quarta-feira antes que fosse aprovada uma medida oferecendo anistia a alguns dos que foram presos em dois meses de protestos, mas apenas se os manifestantes deixarem a maior parte dos prédios que ocuparam. A oferta foi rapidamente recebida com desprezo pela oposição, que considera as prisões feitas durante os protestos — 328 pela conta de um legislador — como fundamentalmente ilegítimas.

"Isso é uma concessão ou eles são prisioneiros políticos?", indagou Artem Sharai, de 30 anos, manifestando-se na Praça da Independência, no centro de Kiev. "Ocuparemos novos prédios se as autoridades realmente não mudarem a situação no país."

Veja fotos dos protestos na Ucrânia:

Segunda: Ucrânia ameaça impor estado de emergência

Os protestos começaram depois que Yanukovych desistiu de um há muito esperado acordo para aprofundar vínculos com a União Europeia, mas rapidamente agregaram uma ampla gama de descontentamento com a corrupção, uma polícia mão pesada e uma Justiça dúbia.

O projeto de lei da anistia não se aplicaria a vários prédios no centro de Kiev que os manifestantes usam como dormitórios e centros de operação e são instalações de apoio essenciais para o amplo acampamento de protesto na praça principal. Com temperaturas ficando abaixo de 20ºC durante a noite, as manifestações sem lugares para seus participantes se abrigarem seriam quase impossíveis.

Sexta: Manifestantes da Ucrânia ocupam prédios do governo

Mas o prédio da prefeitura de Kiev, assim como os edifícios da administração regional capturados pelos manifestantes na cidades que ficam no oeste da Ucrânia, terão de ser esvaziados, de acordo com a agência de notícias Unian.

Yuri Miroshnichenko, um parlamentar leal ao presidente, disse que a lei só entrará em vigor quando as instalações forem desocupadas.

*Com AP e Reuters

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