De olho em eleições e tentando energizar 2º mandato, líder anuncia ações contra diferenças entre ricos e pobres

No que serviu como uma largada para a luta pelo Congresso nas eleições de novembro, o presidente dos EUA, Barack Obama, usou seu principal discurso do ano para impulsionar programas que diminuam as desigualdades entre ricos e pobres.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, faz seu discurso sobre o Estado da União no Capitólio, em Washington (28/1)
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Presidente dos EUA, Barack Obama, faz seu discurso sobre o Estado da União no Capitólio, em Washington (28/1)

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Buscando energizar seu lento segundo mandato , Obama prometeu em seu discurso sobre o Estado da União às 21 horas de terça-feira nos EUA (meia-noite de quarta em Brasília) pôr de lado o Congresso "quando e onde" for necessário para superar o impasse político que atormenta sua presidência.

Os democratas, que tentam retratar os republicanos como não preocupados com a classe média, conclamaram Obama a enfatizar a mobilidade econômica e a diferença entre os ricos e os pobres. Seu foco em ações executivas, que não precisam de aprovação do Congresso, foram recebidas com gritos de "Faça isso!" de muitos democratas.

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Saindo de um ano em que suas principais propostas legislativas amplamente fracassaram, o discurso de Obama foi um amálgama de propostas modestas projetadas para se livrar de alguns dos mesmos problemas com os quais vêm lidando há muito tempo: desemprego persistente, insegurança da classe média, escolas atrasadas e mais.

"A desigualdade aumentou. A chance de ascensão social está parada", disse Obama. "A dura realidade é que, mesmo no meio da recuperação, americanos demais estão trabalhando mais do que nunca para sobreviver."

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Para Obama, o discurso também teve o objetivo de convencer um público cada vez mais cético de que ele ainda detém poder em Washington mesmo sem conseguir superar as divisões no Congresso. Com a reputação prejudicada por uma série de fracassos legislativos em 2013, assessores da Casa Branca dizem que agora redefinem o sucesso não pelo que Obama consegue fazer passar pelo Congresso, mas por ações que ele pode tomar por conta própria.

Enquanto questões domésticas dominaram seu discurso, Obama também alertou o Congresso que vetará quaisquer projetos de lei que ameacem prejudicar as negociações com o Irã , mesmo reconhecendo que elas podem não ser bem-sucedidas.

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O discurso de uma hora foi feito enquanto Obama tenta se recuperar do atrapalhado lançamento oficial de seu programa de assistência à saúde, a maior conquista de seu primeiro mandato. De acordo com uma pesquisa deste mês da AP-GfK, 45% aprovam Obama, enquanto 53% o desaprovam. Esse índice é pior do que há um ano, quando 54% o aprovavam enquanto 42% não, mas uma melhora em relação aos dados de dezembro, quando 58% o desaprovavam por seu desempenho no cargo.

Obama recelhou várias ações executivas, incluindo o aumento do salário mínimo para alguns prestadores de serviço federais e tornando mais fácil para milhões de americanos de baixa renda economizar para a aposentadoria.

Suas propostas por ações pelos legisladores foram pequenas e amplamente focadas em velhas ideias que obtiveram pouca tração. Ele pressionou o Congresso a reviver uma paralisada reforma migratória e a aumentar o salário mínimo. Sua única nova proposta legislativa pede a expansão do crédito fiscal a trabalhadores em filhos.

Presidente dos EUA, Barack Obama, deixa plenário da Câmara após proferir discurso sobre o Estado da União em Washington (28/1)
AP
Presidente dos EUA, Barack Obama, deixa plenário da Câmara após proferir discurso sobre o Estado da União em Washington (28/1)

Política externa

Em relação à política externa, Obama disse que as negociações para parar o programa nuclear do Irã serão difíceis e, se falharem, pedirá mais sanções. "Mas se os líderes do Irã aproveitarem a chance, o Irã poderia dar um passo importante para voltar a fazer parte da comunidade de nações, e nós teríamos resolvido um dos principais desafios de segurança de nosso tempo sem o risco de uma guerra."

Sobre a Síria, ele prometeu "trabalhar com a comunidade internacional para preparar o futuro que a população síria merece - um futuro livre de uma ditadura, terror e medo".

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Obama reafirmou que a guerra liderada pelos EUA no Afeganistão formalmente terminará no fim deste ano. Mas ele fisse que um pequenos contingente de forças americanas poderia ser deixado no país se o governo afegão assinar rapidamente um acordo de segurança bilateral, uma perspectiva que parece cada vez mais incerta.

Obama disse que os EUA "continuarão na Ásia-Pacífico" e caracterizou a aliança com a Europa "de a mais forte que o mundo já viu". Referindo-se à crise na Ucrânia , ele disse que "nos posicionados pelo princípio de que todas as pessoas têm o direito de se expressar livre e pacificamente e ter uma opinião sobre o futuro do país".

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O presidente americano mencionou apenas brevemente a controvérsia sobre os programas de espionagem dos EUA revelados pelo ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden . Ele prometeu reformar os programas de monitoramento, "porque o trabalho vital de nossa comunidade de inteligência depende da confiança pública, aqui e no exterior, de que a privacidade de pessoas comuns não está sendo violada".

Primeira-dama Michelle Obama e convidados aplaudem durante discurso de presidente dos EUA sobre o Estado da União no Capitólio, Washington (28/1)
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Primeira-dama Michelle Obama e convidados aplaudem durante discurso de presidente dos EUA sobre o Estado da União no Capitólio, Washington (28/1)

Ação unilateral

Mas a maior parte de seu discurso foi voltado para os assuntos domésticos, que têm mais peso na mente dos americanos.

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Obama afirmou estar ansioso para trabalhar com o Congresso em medidas que requerem a aprovação legislativa. "Mas os EUA não ficam parados - nem eu. Então onde e quando eu puder dar passos sem o legislativo para expandir a oportunidade para mais famílias americanas, isso é o que vou fazer", declarou.

Os republicanos, que viram seus próprios índices de aprovação caírem ainda mais em 2013, também adotaram o refão da desigualdade econômica em meses recentes, embora tenham retratado a crescente diferença entre ricos e pobres como um sintoma das políticas econômicas de Obama.

Em sua resposta a Obama, Cathy McMorris Rodgers, uma líder do Congresso, disse que o Partido Republicano "defende o livre mercado - e confia nas pessoas para tomarem suas próprias decisões, e não num governo que decida por você".

Os republicanos paralisaram várias iniciativas de Obama, incluindo no controle de armas e mudança climática, e as eleições deste ano tornam ainda menos provável que eles apoiem suas propostas. Apesar disso, a disputa partidária se amenizou de alguma forma desde que os republicanos fecharam o governo por 16 dias no ano passado e levaram o país para a beira do calote .

Obama espera conseguir apoio para sua reforma migratória,enquanto os republicanos tentam atrair os votos da crescente população hispânica do país nas eleições.

*Com AP

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