Em discurso, Obama ataca desigualdade social e avisa que agirá sem o Congresso

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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De olho em eleições e tentando energizar 2º mandato, líder anuncia ações contra diferenças entre ricos e pobres

No que serviu como uma largada para a luta pelo Congresso nas eleições de novembro, o presidente dos EUA, Barack Obama, usou seu principal discurso do ano para impulsionar programas que diminuam as desigualdades entre ricos e pobres.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, faz seu discurso sobre o Estado da União no Capitólio, em Washington (28/1)

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Buscando energizar seu lento segundo mandato, Obama prometeu em seu discurso sobre o Estado da União às 21 horas de terça-feira nos EUA (meia-noite de quarta em Brasília) pôr de lado o Congresso "quando e onde" for necessário para superar o impasse político que atormenta sua presidência.

Os democratas, que tentam retratar os republicanos como não preocupados com a classe média, conclamaram Obama a enfatizar a mobilidade econômica e a diferença entre os ricos e os pobres. Seu foco em ações executivas, que não precisam de aprovação do Congresso, foram recebidas com gritos de "Faça isso!" de muitos democratas.

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Saindo de um ano em que suas principais propostas legislativas amplamente fracassaram, o discurso de Obama foi um amálgama de propostas modestas projetadas para se livrar de alguns dos mesmos problemas com os quais vêm lidando há muito tempo: desemprego persistente, insegurança da classe média, escolas atrasadas e mais.

"A desigualdade aumentou. A chance de ascensão social está parada", disse Obama. "A dura realidade é que, mesmo no meio da recuperação, americanos demais estão trabalhando mais do que nunca para sobreviver."

Veja galeria de fotos do governo Obama:

Presidente dos EUA, Barack Obama, domina bola que havia sido chutada por robô Asimo em visita ao Museu Nacional de Ciência e Inovação (Miraikan), em Tóquio (24/4)
. Foto: APPresidente dos EUA, Barack Obama, faz seu discurso sobre o Estado da União no Capitólio, em Washington (28/1). Foto: APObama segura menino durante dia do Natal em base dos marines no Havaí (25/12/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaPresidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, trocam aperto de mão em cerimônia em homenagem a Mandela (10/12/2013). Foto: Getty ImagesObama tira selfie com premiês britânico e dinamarquesa durante cerimônia em homenagem a Mandela em Johanesburgo (10/12/2013). Foto: Getty ImagesSul-africanos celebram enquanto Obama espera em túnel para entrar em estádio para homenagem a Mandela (10/12/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaMichelle Obama reage depois de Ashtyn Gardner perder o equilíbrio ao ser cumprimentada pelo cachorro Sunny (4/12/2013). Foto: APFuncionários fazem sinal positivo enquanto Obama conversa como secretário de Estado John Kerry sobre negociações para acordo com o Irã (23/11/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaBo espera enquanto Obama e primeira-dama participam de entrevista na Casa Branca (22/11/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaMenina conversa com Obama em lanchonete do Brooklyn, Nova York (25/10/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaObama é visto conversando depois de encontro na Casa Branca com a liderança democrata (15/10/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaObama visita centro de caridade em Washington (14/10/2013). Foto: APObama, primeira-dama Michelle e sua filha Malia reúnem-se com ativista paquistanesa Malala Yousafzai (12/10/2013). Foto: Pete Souza/Casa BrancaPresidente dos EUA é visto em carro 
passando por empregados de fábrica da Ford em Liberty, Missouri (20/9/2013) 
. Foto: Pete Souza/ Casa BrancaObama escreve bilhete para professora de Alanah Poullard justificando sua falta na escola (19/9/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaObama e a primeira-dama Michelle Obama participam de cerimônia pelos 12 anos dos ataques do 11 de Setembro (11/9/2013). Foto: APObama é visto durante encontro da cúpula do G20 na Rússia (6/9). Foto: ReutersObama senta-se ao lado de presidente Dilma Rousseff durante encontro do G20 em São Petersburgo, Rússia (5/9/2013). Foto: APObama sai de seu avião ao chegar em São Petersburgo, na Rússia, para a reunião do G20 (5/9/2013). Foto: APObama faz pronunciamento para marcar 50º aniversário de discurso de Martin Luther King (28/8/2013). Foto: APObama visita prisão onde Nelson Mandela ficou preso por 18 anos na África do Sul (30/6/2013). Foto: APObama tira o paletó por causa do calor na área do Portão de Brandenburgo, onde discursou em Berlim, Alemanha (19/6/2013). Foto: APPresidentes dos EUA, Barack Obama, e da Rússia, Vladimir Putin, reúnem-se em Enniskillen, Irlanda do Norte (17/6/2013). Foto: APObama abraça Tolu Olubunmi, uma ativista da imigração, antes de falar sobre a reforma migratória (11/6/2013). Foto: APObama conversa com sobreviventes de escola que foi destruída por tornado (26/5/2013). Foto: ReutersObama e funcionários da Casa Branca olham através de janela do Air Force One para ver danos deixados por tornado em Moore, Oklahoma (26/5/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaProtegido por guarda-chuva segurado por marine, Obama dá coletiva em conjunto com premiê turco, Recep Tayyip Erdogan (não visto) (16/5/2013). Foto: APObama faz pausa durante coletiva na Casa Branca, Washington (30/4). Foto: APObama brinca durante encontro com jornalistas na Casa Branca (27/4/2013). Foto: APObama ri sentado entre sua mulher e a ex-primeira-dama Barbara Bush na inauguração de Centro Presidencial George W. Bush (25/4/2013). Foto: APMichelle reage durante conversa com menino no Aeroporto de Love Field, em Dallas, Texas (24/4/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaLíder dos EUA conversa com presidente da Câmara, republicano John Boehner, no Capitólio (23/3/2013). Foto: Pete Souza/ Casa BrancaDe jaqueta preta e óculos escuros, presidente dos EUA visita a cidade antiga de Petra, Jordânia (23/3/2013). Foto: ReutersObama cumprimenta  o presidente palestino, Mahmud Abbas, em Ramallah, Cisjordânia (21/3/2013). Foto: APPresidente dos EUA, Barack Obama, olha para multidão enquanto tenta ouvir pessoa gritando durante seu discurso no Centro de Convenção Internacional em Jerusalém (21/3/2013). Foto: APPresidente dos EUA, Barack Obama, e premiê israelense, Benjamin Netanyahu, são vistos durante coletiva em Jerusalém (20/3/2013). Foto: APPresidente dos EUA, Barack Obama, e primeira-dama MIchelle dançam em baila da posse em Washington (21/01/2013). Foto: APPresidente dos EUA, Barack Obama, e sua mulher, Michelle, caminham depois de sair de limousine durante parada da posse (21/01/2013). Foto: ReutersCasa Branca divulga foto de Obama praticando tiro ao prato em Camp David, em agosto de 2012. Foto: APTensos, Obama e sua equipe acompanham desenrolar da operação que matou Bin Laden (02/05/2011). Foto: Divulgação / Casa BrancaBarack Obama (E) assume presidência dos EUA ao lado de sua mulher, Michelle, e de suas filhas, Sasha (D) e Malia (20/01/2009). Foto: AP

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Para Obama, o discurso também teve o objetivo de convencer um público cada vez mais cético de que ele ainda detém poder em Washington mesmo sem conseguir superar as divisões no Congresso. Com a reputação prejudicada por uma série de fracassos legislativos em 2013, assessores da Casa Branca dizem que agora redefinem o sucesso não pelo que Obama consegue fazer passar pelo Congresso, mas por ações que ele pode tomar por conta própria.

Enquanto questões domésticas dominaram seu discurso, Obama também alertou o Congresso que vetará quaisquer projetos de lei que ameacem prejudicar as negociações com o Irã, mesmo reconhecendo que elas podem não ser bem-sucedidas.

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O discurso de uma hora foi feito enquanto Obama tenta se recuperar do atrapalhado lançamento oficial de seu programa de assistência à saúde, a maior conquista de seu primeiro mandato. De acordo com uma pesquisa deste mês da AP-GfK, 45% aprovam Obama, enquanto 53% o desaprovam. Esse índice é pior do que há um ano, quando 54% o aprovavam enquanto 42% não, mas uma melhora em relação aos dados de dezembro, quando 58% o desaprovavam por seu desempenho no cargo.

Obama recelhou várias ações executivas, incluindo o aumento do salário mínimo para alguns prestadores de serviço federais e tornando mais fácil para milhões de americanos de baixa renda economizar para a aposentadoria.

Suas propostas por ações pelos legisladores foram pequenas e amplamente focadas em velhas ideias que obtiveram pouca tração. Ele pressionou o Congresso a reviver uma paralisada reforma migratória e a aumentar o salário mínimo. Sua única nova proposta legislativa pede a expansão do crédito fiscal a trabalhadores em filhos.

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Presidente dos EUA, Barack Obama, deixa plenário da Câmara após proferir discurso sobre o Estado da União em Washington (28/1)

Política externa

Em relação à política externa, Obama disse que as negociações para parar o programa nuclear do Irã serão difíceis e, se falharem, pedirá mais sanções. "Mas se os líderes do Irã aproveitarem a chance, o Irã poderia dar um passo importante para voltar a fazer parte da comunidade de nações, e nós teríamos resolvido um dos principais desafios de segurança de nosso tempo sem o risco de uma guerra."

Sobre a Síria, ele prometeu "trabalhar com a comunidade internacional para preparar o futuro que a população síria merece - um futuro livre de uma ditadura, terror e medo".

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Obama reafirmou que a guerra liderada pelos EUA no Afeganistão formalmente terminará no fim deste ano. Mas ele fisse que um pequenos contingente de forças americanas poderia ser deixado no país se o governo afegão assinar rapidamente um acordo de segurança bilateral, uma perspectiva que parece cada vez mais incerta.

Obama disse que os EUA "continuarão na Ásia-Pacífico" e caracterizou a aliança com a Europa "de a mais forte que o mundo já viu". Referindo-se à crise na Ucrânia, ele disse que "nos posicionados pelo princípio de que todas as pessoas têm o direito de se expressar livre e pacificamente e ter uma opinião sobre o futuro do país".

Dia 17: Obama anuncia limites a programas de espionagem dos EUA

O presidente americano mencionou apenas brevemente a controvérsia sobre os programas de espionagem dos EUA revelados pelo ex-prestador de serviços da Agência de Segurança Nacional Edward Snowden. Ele prometeu reformar os programas de monitoramento, "porque o trabalho vital de nossa comunidade de inteligência depende da confiança pública, aqui e no exterior, de que a privacidade de pessoas comuns não está sendo violada".

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Primeira-dama Michelle Obama e convidados aplaudem durante discurso de presidente dos EUA sobre o Estado da União no Capitólio, Washington (28/1)

Ação unilateral

Mas a maior parte de seu discurso foi voltado para os assuntos domésticos, que têm mais peso na mente dos americanos.

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Obama afirmou estar ansioso para trabalhar com o Congresso em medidas que requerem a aprovação legislativa. "Mas os EUA não ficam parados - nem eu. Então onde e quando eu puder dar passos sem o legislativo para expandir a oportunidade para mais famílias americanas, isso é o que vou fazer", declarou.

Os republicanos, que viram seus próprios índices de aprovação caírem ainda mais em 2013, também adotaram o refão da desigualdade econômica em meses recentes, embora tenham retratado a crescente diferença entre ricos e pobres como um sintoma das políticas econômicas de Obama.

Em sua resposta a Obama, Cathy McMorris Rodgers, uma líder do Congresso, disse que o Partido Republicano "defende o livre mercado - e confia nas pessoas para tomarem suas próprias decisões, e não num governo que decida por você".

Os republicanos paralisaram várias iniciativas de Obama, incluindo no controle de armas e mudança climática, e as eleições deste ano tornam ainda menos provável que eles apoiem suas propostas. Apesar disso, a disputa partidária se amenizou de alguma forma desde que os republicanos fecharam o governo por 16 dias no ano passado e levaram o país para a beira do calote.

Obama espera conseguir apoio para sua reforma migratória,enquanto os republicanos tentam atrair os votos da crescente população hispânica do país nas eleições.

*Com AP

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